12 Heróis | Crítica do FIlme

12 Heróis | Crítica do FIlme

 

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Sinopse:
Baseado em fatos reais, o filme retrata um grupo de voluntários que formam um batalhão das Forças Especiais dos Estados Unidos para caçar os terroristas por trás dos atentados de 11 de setembro.

Diretor:
Nicolai Fuglsig

Elenco:
Chris Hemsworth, Mchael Shannon, Michael Peña, Navid Negahban, Geoff Stults, Rob Riggle

Data de estreia:
15 de Março de 2018

Um dos temas mais explorados pelo cinema em geral sempre foi o “heroísmo” do ser humano. Do cinema mudo ao Universo Cinematográfico Marvel, a tela grande sempre retratou atos de heroísmo, com trilhas sonoras inspiradoras, atuações cativantes e momentos de coragem memoráveis que fazem o espectador sair da sala de cinema impactado. “12 Heróis” é um filme que conhece o seu público, e entrega tudo que precisa para proporcionar a experiência proposta com sucesso.

Falo sobre o tema do heróismo, pois muito do quê se nota no filme gira em torno deste gênero em que ele se encaixa. A história tem início com o atendado do 11 de Setembro, um evento que marcou toda uma geração e foi responsável por moldar a narrativa mundial nos anos seguintes. Visto o tamanho de sua magnitudade, os cineastas não perderam tempo. Olharam para este evento pelos olhos de um contador de histórias e enxergaram-no pelo que realmente foi para muitos americanos: “Um chamado para aventura”.

“Chamado para a aventura” é um termo usado para descrever o momento em que o personagem principal de qualquer história é apresentado à uma escolha de se manter no seu “ambiente normal” ou embarcar em uma aventura (de maneira objetiva ou subjetiva, tanto faz).  Em “12 Heróis”, assim como em tantos outros filmes das últimas duas décadas, os protagonistas são impulsionados a lutar por seu país, horrorizados pelo ataque que acabam de presenciar.

Para tantos americanos que procuram inspiração no cinema, assistir a heróis como estes indo defender os valores e a segurança nacional contra os famigerados terroristas é, compreensivelmente, uma experiência intensa. Claramente inspiradora. E uma vez que o espectador se deixe levar pelos momentos clássicos de uma história como esta, a jornada, por mais superficial que possa parecer, acaba cumprindo seu papel de entreter o público.

É claro que, assim como é possível notar em vários outros filmes deste gênero, há uma glorificação do nacionalismo americano, e a recorrente presunção de que os EUA possuem a capacidade superior de servirem como uma “polícia mundial” perante a “barbaridade” de países do terceiro mundo. Para muitos, este é um fator que incomoda logo de cara, e pode fazer com que o espectador acaba incapaz de imergir na história em si.

Pessoalmente, digo que uma vez que o filme apresenta sua proposta, devemos julga-lo apenas dentro dela, usando as referências e os parâmetros adequados para tal. “12 Heróis” quer ser uma história de heróismo, com momentos de ação empolgantes, personagens carismáticos e proporcionar o sentimento de realização característico do gênero. Não se propõe a discutir temas políticos maiores, ou refletir sobre as consequências daquele período, preferindo apenas colocar seus personagens na posição de superarem um obstáculo “impossível”, consagrando-se como verdadeiros heróis aos olhos do público.

O filme cumpre sua proposta. As cenas de ação em si são cativantes, com destaque para o trabalho sonoro que consegue guiar a atenção do espectador público aumentar a experiência do espectador com câmeras chacoalhando e cortes rápidos.

O que estou procurando ilustrar com este texto, é que “12 Heróis” cumpre suas funções, sem nenhuma inovação narrativa, performance realmente notória (Chris Hemsworth carrega bem o protagonismo, no entanto, e o resto do elenco não deixa a desejar), ou algum uso exemplar de técnica. Ele é um filme bacana, feito para um público amplo, que acerta em diversos quesitos necessários para ser aproveitado, e sabe seu lugar.

Tudo isso de maneira muito parecida à qualquer filme da Marvel Studios.

A grande diferença é que quando um filme de super-herói é lançado hoje em dia, toda a crítica e o público corre para comemorar que o filme simplesmente foi aquilo que deveria ser. Enaltecem o bom trabalho como se fosse excepcional. Mas quando encontram um filme de guerra que, como citei anteriormente, coloca o patriotismo em destaque, se incomodam com a superficialidade da abordagem e exigem uma análise mais complexa da situação.

Há espaço no cinema para filmes complexos, e há espaço para o entretenimento. Uma vez que se começa a confundir a proposta de um filme descompromissado com uma obra de maior reflexão, a hipocrisia começa a surgir sem a repreensão necessária. E filmes como “12 Heróis” acabam sendo muito menos aproveitados do que poderiam.

Com certeza, “12 Heróis” poderia ser um filme ainda melhor, ainda mais memorável. O protagonista poderia muito bem lidar com algumas falhas a mais e obstáculos pessoais mais instigantes e complexos. Compare este filme com “ Lawrence da Arábia” e, em todas as suas semelhanças e diferenças, perceberá do que estou falando.

Mas isso faz parte desta nova geração de crítica de cinema. Ou o filme é excelente, ou é horrível, nem mesmo digno de atenção. Existe sim o meio termo, e “12 Heróis” está posicionado um pouco ao lado deste meio, mais perto do excelente do que do horrível.