A Busca | Crítica do filme

A Busca | Crítica do filme

nota4a busca - wagner moura - cartaz - poster Existe um grande estigma quando um ator consegue fazer um papel marcante: ele fica conhecido pelo mesmo personagem o resto de sua vida. Muitos exemplos podem ser dados principalmente dentro do cinema de Hollywoodiano, devido a quantidade extensa de filmes comerciais que são lançados por ano. No Brasil, pela escassez de boas produções, não temos tantos atores que podem ser iconizados através de seus personagens no cinema, contudo, um dos personagens mais marcantes das telas foi interpretado pelo excelente Wagner Moura, o Capitão Nascimento. Entretanto, Wagner é um ator tão flexível que ninguém enxerga o seu personagem mais icônico em mais nenhum de seus trabalhos. Seja em comédia, drama, ficção científica, cada personagem tem sua personalidade, suas expressões e tonalidades de voz. Quando junta um excelente ator mais um elenco de apoio que não fica a desejar e um roteiro fluido e amarrado, temos um excelente filme.

A Busca, drama familiar do estreante na direção cinematográfica Luciano Moura, conhecido por seus trabalhos na televisão e publicidade, conta a trajetória de Theo (Wagner Moura) à procura de seu filho Pedro (Brás Antunes) que embarca em uma jornada à cavalo em direção ao Espírito Santo atrás do avô que ele nunca conheceu. O filme começa com uma cena extremamente forte no qual conseguimos identificar o posicionamento de cada personagem na trama. O casal divorciado e um filho que não consegue se expressar perante seus pais é o fio condutor que leva a uma jornada de auto conhecimento. Como o próprio ator Wagner Moura definiu na coletiva de imprensa, “Foi preciso (o personagem) perder o filho para poder conhece-lo melhor“.

Com alguns furos de roteiro que não atrapalham em absolutamente nada a trama, o filme segue em um road movie onde o personagem de Wagner Moura vai seguindo pistas no decorrer do caminho até chegar o destino que o faz abrir feridas que ele já queria ter cicatrizado, mas que foram  abertas novamente para se chegar a uma conclusão com as três gerações de uma família fragmentada. Poucos roteiros, principalmente de filmes nacionais, conseguem ter a sensibilidade de contar a história inteira de um personagem apenas revelando pequenos detalhes em uma cena sem diálogos.  A Busca consegue fazer isso com maestria deixando toda coesão da história ainda mais significativa para sua conclusão.

Contudo, como nem tudo é perfeito, o filme possui alguns elos fracos no decorrer da história, como a atuação rasa do estreante Brás Antunes que acabou deixando a cena auge do filme bem menos emotiva e artificial do que deveria. A montagem também acaba prejudicando um pouco fazendo algumas cenas que facilmente poderiam ser resolvidas, por não agregarem nada à história, se estenderem e deixando o filme numa duração acima do que deveria ter. Uns 20 minutos a meia hora a menos iria agregar um dinamismo e um foco maior na trama principal.

O laço significativo que envolve todo o filme, apesar de básico, acaba sendo muito bem exposto nos elementos. A piscina da casa inacabada representando o relacionamento do personagem de Wagner Moura e Mariana Lima (Branca) é um bom exemplo de significações frágeis no contexto. O mais interessante fica por conta do trio masculino composto pelo avô (Lima Duarte), o pai (Wagner) e o filho (Brás). Além da jornada de auto conhecimento temos um personagem que representa a nova geração indo contra o avanço e traçando o caminho de volta para as origens de seu pai. Pedro tem a opção privilegiada de um garoto de classe média alta de poder fazer um intercâmbio e fugir de toda desestrutura familiar que o cerca, entretanto prefere trilhar caminhos passados e resolver problemas mal resolvidos entre seus parentes. A paradoxo causado entre a camiseta do garoto com a frase “na dúvida, desista” e as atitudes do pai correndo atrás do filho atravessando obstáculos, não deixa de ser interessante.

Para uma produção repleta de dificuldades, e tendo como a primeira estar no Brasil e conseguir ser lançado e meio de tantas produções medianas nacionais, o filme consegue seus méritos por fazer um thriller extremamente interessante e provar que dá para produzir um bom filme de baixo orçamento que não sejam adaptações de besteiróis americanos.