A Grande Muralha | Crítica do Filme

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Sinopse: O mistério que ronda a Grande Muralha é o tema central da história que mescla ação, aventura e fantasia com batalhas épicas e grandes efeitos visuais.

 

Diretor: Yimou Zhang

Elenco: Matt Damon, Tian Jing, Willem Dafoe, Andy Lau, Pedro Pascal, Hanyu Zhang

Estréia: 23 de fevereiro de 2017

 

 

Não precisa de muito tempo de projeção para A Grande Muralha te conquistar. Primeiro por ser um filme oriental com os altos custos hollywwodianos. Depois, por ele não querer te levar para uma história real sobre a construção de uma muralha na China, mas sim apresentar uma das lendas por trás de uma das maiores construções já realizadas pelo homem. Confesso que tenho assistido cada vez menos trailers, por isso deixo que o filme me surpreenda dentro do cinema e não na tela do computador, e talvez por essa razão, eu tenha sido fortemente impactado por ele.

 

Dirigido por Yimou Zhang, muito conhecido pelo filme O Clã das Adagas Voadoras, o longa te conta uma lenda na qual o exército Chines luta contra criaturas subterrâneas que destroem tudo por onde passam. O filme seria (quase) perfeito, se não fosse a inclusão de seu protagonista vivido por Matt Damon. Por se tratar de um filme americano, claro que o herói da história precisa ser americano. Mas o diretor faz de uma forma tão subjetiva a participação de Damon, que seus olhares não se voltam para ele, mas sim para a forte líder e comandante do exército Lin Mae, vivida pela atriz Tian Jing (Disney, achei a Mulan que vocês procuram).

 

 

Não, caro leitor, não leste errado. Aqui colocaram uma atriz para comandar um exército, e te digo que o filme ganha ainda mais respeito quando a trama não obriga a protagonista feminina ser par romântico com o herói da história. Há insinuação de um possível romance entre os dois, mas não é o foco. A batalha entre os homens contra os monstros verdes à beira da gigantesca muralha é o principal foco da história. A relação entre ela e o personagem de Damon representa respeito e confiança. Os dois fotografam muito bem nas cenas de ação.

 

Assim como em O Clã das Adagas Voadoras o filme abusa de coreografias arrojadas entre os conflitos, deixando na tela uma harmonia muito bonita que vagueia entre a violência e a arte harmônica dos movimentos do corpo humano se entregando para a batalha. O uso das cores se destaca em diversos momentos durante a projeção, seja ele nas armaduras, seja na luz que reflete no incrível design de produção que explora elementos orientais. Infelizmente não senti uma constância na qualidade dos elementos em CGI. Há momentos que a massificação de elementos em tela acaba prejudicando o realismo proposto. Sabe em Guerra Mundial Z na qual milhares de zumbis atacam em conjunto e a câmera se posiciona ao longe em um plano geral, deixando os personagens parecerem pequenas formiguinhas? Pois bem, há momentos aqui que o erro se repete.

 

 

Porém, no geral, o excesso de computação gráfica não atrapalha. O efeito 3D no IMAX está bem interessante, diferente dos 90% dos filmes que lançam no formato. São flechas e bolas de fogo para todos os lados, insumos que ajudam a tecnologia funcionar. A trama é extremamente simples, pois como eu disse, as 1h40 focam mesmo na batalha. Há furos no roteiro e gorduras como os personagens de Willem DafoePedro Pascal, mas nada que vá incomodar. Eles estão ali apenas para dar uma lição de moral no final da trama e não deixar tão exacerbado o heroísmo ocidental. É aceitável o antagonismo bobo que eles representam.

 

A Grande Muralha chega aos cinemas na pretenção de ser um grande épico repleto de batalhas e lições de moral orientais.  É difícil encontrar um filme que o elo fraco é o próprio protagonista que aqui é colocado para preencher cota ocidental para americanos sentirem vontade de ir ao cinema. Tirando Matt Damon de cena, o filme melhoraria, mas a presença dele trás um ar carismático com pequenas fugas cômicas em uma trama de guerra. Um longa que foi feito para ser apreciado nos cinemas, que faz de tudo para ser um novo clássico, mas na avaliação final é apenas um excelente entretenimento.



 

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Rodrigo Santuci

Publicitário por profissão e cinéfilo por paixão. É o fundador do site Plugou. Apaixonado por cinema desde pequeno, nunca se incomodou em passar horas sozinho tentando entender como os filmes funcionam. Apaixonado por quadrinhos e games apesar de ter abandonado os dois com os passar dos anos. Tem dificuldade para jogar qualquer coisa mais complexa que Alex Kidd in Miracle World. Trabalha com Internet desde 1999 e já foi diretor de arte nas maiores agências de publicidade da Brasil. Em 2000 abriu junto com o jornalista Matheus Mocelin Carvalho e o ilustrador Fernando Ventura o Disney News e o AnimationS fórum (um dos principais canais de comunicação entre admiradores de cinema de animação). Em abril de 2012 começou o projeto Plugou e se dedica diariamente encontrar novos diferenciais para o portal.