A Hospedeira | Crítica do filme

A Hospedeira | Crítica do filme

nota2.5a hospedeira cartazConfesso que quando vou ver um filme no qual em sua assinatura possui um ator, ou um diretor ou até mesmo um autor do livro adaptado que eu não gosto, já chego com um certo preconceito ao material que irei assistir. Isso é inevitável. Porém ao receber convite para assistir A Hospedeira (The Host), mesmo sabendo que a obra original vem da cabeça de Stephenie Meyer, senti um certo interesse ao ler a sinopse do filme. Por incrível que pareça, até certo ponto, a sinopse nos indica que o filme teria de tudo para ser um Sci-Fi sensacional. De fato, teria, porém a história foi escrita pelas mãos que escreveram Crepúsculo, ou seja, pelas mãos erradas.

Meyer coloca em suas obras como o tema central o amor, porém em A Hospedeira, esse amor é colocado de uma forma tão desnecessária que em muitos momentos as cenas deixam de ser uma ficção para se tornar uma comédia romântica. Uma cena que pode ilustrar muito bem isso é quando um rapaz identifica que a pessoa que ele está beijando é realmente sua amada devido o fato dessa lhe dar um tremendo tapa na cara após o beijo… é cômico demais! Veja bem, não sou contra cenas cômicas, mas elas dever ter no mínimo um sentido e a intensão de ser engraçada, e não ter graça devido a falta de veracidade do roteiro.

Na trama, uma raça alienígena domina a Terra fazendo dessa um local seguro e tranquilo, mas não para os homens. Os poucos humanos que restaram são fugitivos que vivem à margem de sua captura . Tal raça necessita se hospedar dentro do corpo dos humanos fazendo-os morrer após a entrada do ser. Entretanto quando a órfã Melanie (Saoirse Ronan) é capturada e sua alienígena é implantada algo diferente acontece, a consciência da garota continua viva dentro do corpo e se comunica com sua alien hospedada. Wanda, a alien, possui a função de investigar a memória da garota e encontrar o esconderijo da resistência humana, porém ela acaba sendo afetada pela força de vontade de Melanie e a leva de volta para o refúgio onde se encontra o irmão pequeno e o namorado da garota. O que ninguém contava é que Soul Fleur, a alien líder que quer extinguir a existência humana a qualquer custo, sai em busca de seus rastros para descobrir onde fica tal esconderijo.

Agora meu caro leitor. Diga-me se não é interessante essa premissa? O que você imaginaria no desenvolvimento dessa saga da garota humana e alien que convive num só corpo e encontra os poucos humanos? Uma luta épica entre humanos e aliens? Um final trágico com a morte da garota? Uma vitória dos aliens deixando apenas como salvação a consciência viva da garota? Enfim, teriam mil maneiras mais interessantes do que o escolhido por Stephenie Meyer que resolver fazer a alienígena se apaixonar por um garoto sendo que Melanie está apaixonada por outro… fazendo assim, (olha que original) um triângulo amoroso…

Foi como eu disse no início: uma história que poderia ser incrível, porém se resume em uma premissa que já foi usada pela autora em seu maior sucesso. E a conclusão chega ser a mais infantil possível, seguindo uma formula de final feliz e ao mesmo tempo deixando incompleto, sei lá, talvez para que hajam argumentos para uma possível sequência. A única coisa que sei é que as salas de cinema irão abarrotar de fãs da autora que não estarão com filtro crítico nenhum, pois estão lá apenas pelo ato de ser fã e gostar. Não critico esses, pois também sei que tem muito fã de quadrinhos que vão ao cinema e não aceitam que alguns filmes não são tudo isso que desenham.

O que me deixou mais decepcionado em todo o contexto envolvido, foi a direção inexperiente para esse tipo de longa. Se o diretor Andrew Niccol (O Senhor das Armas) tivesse um pouco mais de experiência com Sci-fi poderia até dar uma valorizada em algumas cenas, não deixando a atmosfera do filme beirar a de uma produção feita para a TV. Contudo, ele conseguiu deixar bem claro quando quem está falando é a menina ou quem está falando é a alien, não há interpretações erradas nesse sentido, apesar da atriz ficar com expressões de perdida em grande parte do tempo.

O design de objetos em cena da produção é também interessante. Os alienígenas possuem veículos cromados, que dão uma ar futurista para o mundo que eles construíram sob a Terra. Há também os frascos de medicamentos que são perfeitamente simétricos e angulares, e refletem bem que o design usado para o tipo de produto não poderia ter sido feito por um humano. O que ficou um pouco falho foi o formato dos aliens antes de entrarem em seus hospedeiros. Ficaram parecendo aranhas cintilantes que em um determinado momento do filme, quando aparecem mortos, cria mais um momento cômico desintencionado.

A Hospedeira está longe de ser um Crepúsculo, pois querendo ou não ainda possui uma premissa interessante, mas que por falta de maturidade de autora e desprendimento daquilo que lhe deu sucesso, acabou tomando rumos semelhantes à saga que abocanhou uma massa muito grande de fãs. Pelos momentos iniciais do filme, mesmo eles parecendo uma novela, pelo design de produção e pela atuação pontual de alguns atores vale a pena conferir essa nova empreitada cinematográfica inspirada na obra de Stephenie Meyer.