A Lei da Noite | Crítica do Filme

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O que você coloca nesse mundo sempre voltará para você, mas nunca como prevê. Aceitar conselhos paternais não é da natureza de Joe Coughlin. Em vez disso, o veterano da 1ª Guerra Mundial (WWI) é um autoproclamado e convicto fora da lei, apesar de ser o filho do Superintendente da Polícia de Boston. Mas Joe não é de todo ruim; na verdade, ele não é mau o suficiente para a vida que escolheu. Ao contrário dos gângsteres com os quais se recusa a trabalhar, Joe tem um senso de justiça e um coração aberto, e ambos trabalham contra ele, deixando-o vulnerável muitas vezes – nos negócios e no amor.

 

Impulsionado pela necessidade de fazer justiça pelos erros cometidos contra ele e pessoas a sua volta, Joe segue um caminho arriscado, que vai contra a sua criação e seu próprio código moral. Deixando o inverno frio de Boston para trás, ele e sua imprudente equipe fazem a temperatura subir em Tampa. E, mesmo tendo a vingança um gosto mais doce que o melaço presente em cada gota do rum ilegal contrabandeado por ele, Joe vai aprender que isso tem um preço.

 

Estréia: 16 de fevereiro de 2017

 

 

A Lei da Noite traz na direção Ben Affleck, traz no roteiro Ben Affleck e é estrelado por Ben Affleck. O jovem ator já passou por muitos altos e baixos em  sua carreira, mas atualmente vem sendo alvo de notícias relacionadas ao The Batman, longa solo do herói que ele assumiria o triunvirato tal qual nesse novo filme. As notícias vieram após seu novo trabalho, que chega aos cinemas brasileiros no dia 23 de fevereiro, gerar um rombo de 75 milhões nos cofres da Warner Bros. O longa que lançou no mercado norte americano no dia 25 de dezembro, até o dia 14 de fevereiro fez internamente nos USA US$ 10,340 milhões e mundialmente US$ 21,640 milhões. Tal descaso que a imprensa estava tendo com A Lei da Noite, a meu ver era injustificável, pois a temática do filme é interessante e todos os materiais de divulgação o vendem bem. Pois bem, fui conferir.

 

Minha interpretação é que Ben Affleck tem se envolvido em tantos trabalhos que não sabe mais o que está fazendo, se é um filme degângsteres, se é Esquadrão Suicida, se é Liga da Justiça, se é ceder a preção do estúdio para começar a produção de The Batman o quanto antes… Excesso de trabalho inevitavelmente afeta a qualidade do mesmo. Existe uma máxima na qual diz que pressa e qualidade andam em lados opostos, e foi exatamente o que houve aqui. Não bastou o filme ser sobre gângsteres nos anos de 1920 após a 1ª Guerra Mundial, nem tão pouco o premiado elenco que incluí no triunvirato do início do texto. O filme é completamente sem ritmo e entedia até o mais atento espectador.

 

 

Com uma textura de película nas logomarcas iniciais já indicia um longa nostálgico, afinal de contas, tem coisa mais vendável hoje em dia do que a nostalgia. Bastaram um pouco mais de projeção que aquela bela textura sumisse dando ao longa o ar de modernidade das câmeras digitais.  Conhecemos o nosso protagonista Joe Coughlin (Ben Affleck) que nos narra suas desventuras até aquele momento da história e introduz a possível trama de vingança que assistiríamos a seguir que envolve duas facções da máfia que controlam o comércio ilegal das bebidas nos Estados Unidos, uma traição e um acidente que se torna o estopim da história. Digo “possível vingança”, pois apesar de ser o tema central, me parece que o roteiro esquece disso em grande parte do filme.

 

Mesmo deixando tudo linear em um determinado momento, o roteiro não consegue se organizar e apresentar a real trama que estamos acompanhando: é uma história de um triângulo amoroso? É uma história de vingança? O protagonista que estamos acompanhando é o herói da trama? Tenho que torcer por ele ou não? São diversos questionamentos que demora para você entender. Os diálogos podem até ser bem estruturados, mas você tem a sensação de pegar uma conversa que se iniciou antes de você chegar e o seu esforço para entender é alto. Uma cenografia de época com figurinos excelentes é o que o filme apresenta de positivo, o glamour dos anos de 1920 estão bem representados, mas a meu ver, é só isso que o filme tem a oferecer.

 

O roteiro é adaptado do livro Os Filhos da Noite” de Dennis Lehane e são poucas vezes que fica tão claro que estamos lidando com um filme que veio de um livro. Cinema temos recursos visuais para apresentar uma história figurativamente. Se em um livro precisaríamos, hipoteticamente, de umas 10 páginas para contar em detalhes uma perseguição de carros, em um filme podemos mostrar a cena em um minuto ou em 10 minutos, tudo depende da intensão do diretor, mas o que muda é o ato de mostrar e não contar. Um livro é feito para ser contado, um filme para ser mostrado. É nesse ponto que o filme erra, e erra feio.

 

 

Temos elementos policiais, com gângsteres armados até os dentes, mas dá para contar nos dedos a quantidade de vezes que o filme possui ação. Ele se torna cansativo pelo demasiado excesso de diálogos que possui, com personagens fazendo contas sobre o alcance de suas influências no tráfego ilegal de bebidas. Há uma determinada cena que uma personagem executa uma ação importante para a trama. Ben Affleck nos mostrou essa ação? Não! Apenas nos mostra um recorte de jornal que descreve o ocorrido e pessoas dialogando a respeito.

 

Quando paro para ficar com dó de Ben Affleck e de todo o massacre que vem sofrendo da mídia, não entendia o quão medo a Warner Bros. ficou após o lançamento de A Lei da Noite. Agora entendo perfeitamente essa reviravolta tremenda que está acontecendo no universo DC Comics nos cinemas. Affleck é sem dúvida talentoso, tem filmes bons, mas precisa trabalhar sem pressão para pensar sobre o que está fazendo. Muito difícil acreditar que Argo e A Lei da Noite foram idealizados pela mesma pessoa. A dúvida que paira no ar: em The Batman teríamos mais do primeiro ou do segundo filme? Nunca mais saberemos.



 

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Rodrigo Santuci

Publicitário por profissão e cinéfilo por paixão. É o fundador do site Plugou. Apaixonado por cinema desde pequeno, nunca se incomodou em passar horas sozinho tentando entender como os filmes funcionam. Apaixonado por quadrinhos e games apesar de ter abandonado os dois com os passar dos anos. Tem dificuldade para jogar qualquer coisa mais complexa que Alex Kidd in Miracle World. Trabalha com Internet desde 1999 e já foi diretor de arte nas maiores agências de publicidade da Brasil. Em 2000 abriu junto com o jornalista Matheus Mocelin Carvalho e o ilustrador Fernando Ventura o Disney News e o AnimationS fórum (um dos principais canais de comunicação entre admiradores de cinema de animação). Em abril de 2012 começou o projeto Plugou e se dedica diariamente encontrar novos diferenciais para o portal.