A Morte te Dá Parabéns | Crítica do Filme

A Morte te Dá Parabéns | Crítica do Filme

 

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Sinopse:

Tree (Jessica Rothe) é uma jovem estudante que trata mal os meninos, desdenha das amigas e não parece estar muito disposta a atender as ligações do pai no dia do aniversário dela. No fim do mesmo dia, no entanto, ela é brutalmente assassinada por um mascarado. Acontece que ela “sobrevive”, ou melhor, acorda no mesmo e fatídico dia, numa espécie de looping macabro, que termina sempre com a morte da garota. Repetir, seguidamente, o mesmo dia, por outro lado, dá a Tree a chance de investigar quem a está querendo morta e o porquê.

Diretor:

Christopher Landon

Elenco:

Jessica Rothe, Israel Broussard, Charles Aitken, Rachel Matthews

Data de estreia:

12 de Outubro

2017 pode ter tido diversas títulos carregados de expectativa que acabaram deixando o público frustrado, mas é sempre maravilhoso quando encontramos um filme que ninguém esperava, e nos deparamos com uma grata surpresa como A Morte te Dá Parabéns”.

Estar surpreso na verdade, é relativo. A Morte te Dá Parabéns é mais um projeto da produtora Blumhouse que foi responsável por diversos projetos de terror aclamados dos útlimos anos, o mais recente tendo sido “Get Out” (Corra! no Brasil). Ou seja, se você acompanha o trabalho da produtora, já estava sabendo que as chances deste filme ser bom eram aceitavelmente altas.

E a Blumhouse não decepcionou, mais uma vez trazendo um filme relevante para o gênero de terror através de uma abordagem acertada. A Morte te Dá Parabéns pega emprestado o conceito do filme “Feitiço do Tempo” e mostra uma jovem universitária revivendo o dia de seu aniversário de novo e de novo até ser capaz de descobrir quem está assassinando-a durante a noite.

A personagem principal é difícil de se apegar durante o primeiro. Ela não possui nenhum traço de simpatia e trata mal todos os personagens com quem interage. Se estívessemos em um filme de terror dos anos 90, ela seria uma das primeiras à ser escolhida pelo público para morrer cedo. A partir do segundo ciclo, logo após sua primeira morte, começamos a descobrir as aflições da personagem e justificativas para o seu comportamento, e aí que o filme engata.

Esse gênero de filmes de terror dos anos 90, como Pânico e Premonição, é explorado ao extremo por aqui. O filme abraça os clichês da época de forma tão exagerada que você consegue comprar a ideia sem achá-la batida. Elementos recorrentes são tratados como uma grande piada interna, e o filme se mostra plenamente ciente disso.

A partir do momento em que as coisas se complicam, a personagem naturalmente deixa de maltratar as pessoas ao seu redor para lidar com seus problemas. O filme sabe brincar muito bem com as nossas expectativas daquilo que já sabemos que irá acontecer, é aí que a comédia engata com força total. Somos condicionados à esperar certos acontecimentos e o filme consegue subvertê-los de maneira muito divertida.

Apesar de equilibrar muito seus aspectos de terror e comédia, A Morte te Dá Parabéns não é um filme que dá medo. Existem diversos jumpscares e algumas cenas mais violentas, mas nada que irá fazer o espectador se retorcer na cadeira.

O quê realmente pode se esperar aqui é uma experiência comunal extremamente válida. Vai ser muito divertido as pessoas assistirem este filme em grupo e tentarem adivinhar que é o assassino com todos os suspeitos disponiveis que o filme vai apresentando. E ao mesmo tempo, o público vai se manter entretido pelas viradas cômicas do roteiro que estão espalhadas ao longo do filme em uma estrutura narrativa surpreendentemente funcional. Digo que é surpreendente, pois este conceito de reviver o mesmo dia várias vezes já foi usado aos montes, e muitas vezes acaba se tornando (ironicamente) repetivo e cansativo.

Aqui, o filme sabe escolher muito bem quais cenas e momentos repetidos precisam ser mostrados para dar continuidade à trama sem cansar o espectador, e o filme acaba se encaixando muito bem na sua duração.

A Morte te dá parabéns é um filme perfeito para se divertir com os amigos. Cumpre seu papel muito bem, sem sacrificar a criatividade do roteiro, mas trazendo de volta referências conhecidas. Mais um ponto para a Blumhouse.