A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell | Crítica do Filme

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell | Crítica do Filme

Poster for the movie "Ghost in the Shell"

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Sinopse:

Major é a primeira de sua espécie: uma humana que foi ciberneticamente melhorada, com a função de deter os avanços de crimes tecnológicos. Quando o terrorismo atinge um novo nível, que inclui a habilidade de invadir a mente das pessoas e controlá-las, ela é designada a deter os avanços dessa prática. Na medida em que se prepara para enfrentar o enigmático Kuze (Michael Pitt), Major passa a se questionar cada vez mais sobre a sua verdadeira origem e duvidar de tudo o que lhe foi dito até então. “Eles nos aprimoraram muito desde que me fizeram”, diz o enigmático Kuze para Major, dando a entender que os dois podem ter muito mais em comum do que ela imagina.

Diretor:

Rupert Sanders

Elenco: 

Scarlett Johansson, Michael Pitt, Beat Takeshi Kitano, Juliette Binoche, Pilou Asbæk, Kaori Momoi, Chin Han, Danusia Samal, Lasarus Ratuere, Yutaka Izumihara e Tuwanda Manyimo.

Estréia: 

30 de março de 2017

 

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

 

Se você acompanha o Plugou, viu que há algumas semanas a Paramount Pictures exibiu uma prévia de 15 minutos do filme A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell, adaptação do animado japonês, ou anime para os mais familiarizados, lançado em 1995. Esses 15 minutos me fizeram ir atrás do anime, que eu não tinha assistido até então, pois me deixaram um pouco empolgado com o filme. Apesar de já entender mais ou menos quais os caminhos que ele levaria (por ser uma das inspirações para o filme Matrix, de 1999).

Assisti ao anime e vi que não sou mais público para o gênero, que nos anos 90 consumia demasiadamente, mas vi em Ghost in the Shell obra que filosofa sobre a indagação humana dos limites do existencialismo. Fiquei curioso para saber o que Hollywood estaria aprontando para o longa americano, que certamente iria mastigar ao máximo todo o roteiro do filme. Seria um novo Matrix como muitos apostavam?

 

 

Não, claro que não. Bem longe de se comparar ao intacto Matrix de 1999 (ignoro as sequências neste comentário). Porém, acertei quando disse que o longa estaria mastigado para o público americano, mas de tão mastigado acabou perdendo o foco sobre questionamentos filosóficos acerca do limite de nossa existência. No entanto, deixou o ritmo muito mais agradável para se assistir em uma projeção de duas horas, adicionando elementos que favorecem certos pontos da história.

Em A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell acompanhamos a história de Major, interpretada por Scarlett Johansson. A personagem é a primeira de sua espécie, apesar de viver em um mundo no qual aprimoramentos humanos são feitos com implantes de órgãos sintéticos nos seres vivos, Major é uma cyborgue que possui um cérebro humano em um corpo completamente artificial. Sua criação foi designada para ser uma arma de combate ao terrorismo que vem ultrapassando barreiras do crime tecnológico, conseguindo hackear o cérebro e roubar informações sigilosas. Tudo muda quando Major é designada a combater um terrorista chamado Kuze, e ela começa a se questionar sobre seu passado e sua existência.

 

 

O filme ganha o público por apresentar um futuro que pode, até certo ponto, se tornar uma realidade. Com os avanços da medicina, estudos do DNA humano e da construção cada vez mais aprimorada de próteses humanas. É um universo que está presente em nossas realidades mas, que no filme, é elevado a um nível bem avançado no qual há o questionamento de até onde podemos ir e ainda sermos considerados humanos. Há cenas interessantes as quais apresentam nações e crenças religiosas que refletem pontos de vista diferentes e levantam o questionamento sobre até que ponto somos homens e até que ponto somos máquinas.

Há sim elementos do anime Ghost in the Shell incluindo cenas que são um “copia e cola” do original. No entanto o longa se encarrega em deixar a história mais “padronizada”, mais “americanizada”, dentro do que Hollywood já produz de mais comum. Deixa claro que existe uma figura vilanesca e outra heróica dentro dessa trama, ou seja, um maniqueísmo que não seria necessário na temática. Algo que o próprio anime não possui. O conflito existencial da personagem já é uma trama envolvente e que teria diversas bifurcações para se explorar na projeção, sem a necessidade de se tornar um filme de herói e vilão.

 

 

Um excesso de panorâmicas explorando a cidade futurística chega a entediar após a terceira ou quarta vez que o diretor Rupert Sanders abusa do recurso. Bastava uma vez no início do filme, que impressiona pelos belos efeitos visuais e 3D relevante, e uma vez no final do filme para voltar a situar o futurismo. Mas o filme insiste em apresentar uma panorâmica a cada 10 minutos sem medo do excesso. A trilha sonora é inspirada na do anime, porém nas exibições anteriores que tivemos do filme, fomos enganados. Assisti à cena da criação da Major na CCXP e também na prévia de 15 minutos e, em ambas, era usada a trilha do anime. Aqui no corte final, a música só foi aparecer nos créditos finais. Com músicas incidentais monotemáticas, o sono fica inevitável no segundo ato do filme.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é grandioso pelo visual impecável e efeitos visuais surpreendentes. É envolvente por abordar uma temática muito próxima de nossos dias, apesar de extremamente futurista, nos provando que o futuro está aí batendo na porta. No entanto se torna uma obra-padrão, sem nenhum momento marcante, apesar de ter todo o potencial para explorar questões mais intrigantes sobre nosso existencialismo. Mas optou nos oferecer um filme de ação que esqueceremos no dia seguinte. Lamentável.