Arranha-Céu: Coragem Sem Limite | Crítica do Filme

Arranha-Céu: Coragem Sem Limite | Crítica do Filme

 

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Sinopse:
Responsável pela segurança de arranha-céus, o veterano de guerra americano e ex-líder da operação de resgate do FBI, Will Ford (Dwayne Johnson), é acusado de ter colocado o edifício mais alto e mais seguro da China em chamas. Cabe ao agente achar os culpados pelo incêndio, salvar sua família que está presa dentro do prédio e limpar seu nome.Diretor:
Rawson Marshall Thurber

Elenco:
Dwayne The Rock Johnson, Neve Campbell, Chin Han, Rolland Moller, Noah Taylor, Byron Mann, Pablo Schreiber, Adrian Holmes

Data de estreia:
12 de Julho de 2018

O novo lançamento do “verão americano” é um típico filme de “verão americano”. Nesta época em que as escolas americanas entram em um recesso de quase três meses, é comum encontrarmos diversos blockbusters que buscam capitalizar em cima do tempo livre de um público descompromissado.Arranha-Céu: Coragem Sem Limite(ou, Mais Um Passo na Jornada de THE ROCK para Dominar o Mundo) é a bola da vez, trazendo o astro de ação do momento, Dwayne The Rock Johnson, em mais uma aventura mirabolante repleta de computação gráfica.

Desde os primeiros materias promocionais, Arranha-Céu: Coragem Sem Limite foi imediatamente comparado a típicos filmes de ação que giram em torno de prédios enormes em perigo, o mais imediato e famoso sendo, é claro, Duro de Matar. Se The Rock já possui moral suficiente para ser comparado cara-a-cara com Bruce Willis, esta é uma discussão que fica para outro momento (mas me avise, por que gostaria de acompanhá-la). No entanto, os traços que costumo elogiar nos diversos protagonistas de The Rock o acompanham mais uma vez nesta nova empreitada.

Will Saywer, como é chamado o protagonista da vez, também carrega o charme e carisma que o ator exibiu em duas outras vezes somente neste ano com “Jumanji: Bem Vindo à Selva” e “Rampage: Destruição Total”.  The Rock adiciona imposição e seus atributos físicos a qualquer personagem que interpreta, mas sempre mantém uma acessibilidade emocional essencial para a familiarização com o público. Este, talvez, seja o motivo de seu constante sucesso na última década com blockbusters abrangentes.

A trama de Arranha-Céu: Coragem Sem Limite gira em torno de uma falha de segurança em um prédio tido como o maior avanço tecnológico da arquitetura mundial. Will Saywer é um especialista em segurança, traumatizado por uma missão de resgate que lhe custou uma perna, e contratado para supervisionar o prédio em questão. Para tanto, ele deve se mudar para lá com sua família, colocando-os então, no centro da ação iminente.

Dada a megalomania envolvida na trama, era de se esperar que um filme despretensioso acabasse convenientemente se esquecendo de qualquer verossimilhança ou plausibilidade conforme fosse necessário para o seu andamento. Pois bem, nada de novo por aqui. A quantidade de sequências questionáveis e momentos absurdos é grande, e ideal para alimentar os debates de quem adora discutir a física envolvida nos filmes de ação. De planos vilanescos rasos, ao personagem de The Rock escalando dezenas de andares com mera determinação, o filme claramente procura apelar para um público saudosista de suas referências.

FIlmes de ação costumam atrair a atenção de um público amplo em busca de adrenalina e emoção, tudo dentro de uma experiência controlada com duas horas em frente à tela. O prazer está justamente em assistir a personagens incríveis executando atos mirabolantes diante de nossos olhos, nos proporcionando a chance de torcer por eles e, assim, nos deixando sentir parte de sua tensão.

Há momentos em Arranha-Céu: Coragem Sem Limite onde as pessoas assistem o incêndio com nervosismo e fervor, acompanhando o personagem principal em seus atos de heroísmo, como se fosse uma representação do público de filmes de ação.  Em momentos assim, o filme se mostra consciente de seu gênero e seus absurdos, abraçando aquilo que o público costuma chamar de “galhofa”. Estes são, com certeza, os momentos mais aproveitáveis.

Há um outro lado, porém, em que o filme parece almejar níveis de engajamento emocional muito além do que está disposto a construir. A presença da família ajuda a justificar a obstinação do protagonista, mas eventualmente até mesmo este elemento acaba sendo utilizado de maneira genérica e com pouco investimento narrativo. De maneira semelhante, a condição do protagonista (a necessidade de uma perna prostética) também é levemente explorada na primeira metade do filme, apenas para ser relevada completamente conforme o clímax se aproxima. É evidente que tais elementos possuem objetivos bem específicos: no caso da perna, temos uma cena de tensão envolvendo um guindaste.

Deve-se notar, também, a estrutura irregular do filme. Com um clímax bem específico em mente, o segundo ato se arrasta com muita previsibilidade, ainda que tente aumentar os riscos conforme The Rock se aproxima do topo. A falta de embasamento emocional, no entanto, acaba pesando contra qualquer reviravolta ou triunfo do protagonista, e o filme se encerra sem muitos rodeios.

Vilões simples, uma narrativa genérica e muito fogo criado com CGI. Arranha-Céu: Coragem Sem Limite é aquele típico filme que costumam dizer para você “desligar o cérebro na entrada”. Caso esta seja uma alternativa viavel para o espectador, o filme deve servir muito bem como distração, tal qual suas referências de décadas passadas.