Assassinato no Expresso do Oriente | Crítica do Filme

Assassinato no Expresso do Oriente | Crítica do Filme

 

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Sinopse:

Baseado no romance da autora mais vendida do mundo, Agatha Christie, “Assassinato noExpresso do Oriente” conta a história de um luxuoso e agradável passeio de trem pela Europa que rapidamente se desdobra em um dos mistérios mais elegantes, tensos e emocionantes já contados. Treze estranhos estão presos no trem e todos são suspeitos. Um homem deve correr contra o tempo para resolver o quebra-cabeça antes que o assassino ataque novamente.

Diretor:

Kenneth Branagh

Elenco:

Penélope Cruz, Michelle Pfeiffer, Kenneth Branagh, Daisy Ridley, Judi Dench, Johnny Depp, Josh Gad, Leslie Odom Jr, Willem Dafoe, Derek Jacobi, Lucy Boynton, Olivia Colman, Tom Bateman, Sergei Polunin e Marwan Kenzari.

Data de estreia:

30 de Novembro de 2017

 

 

Um filme clássico, um livro clássico e um remake que tem de tudo para arrastar multidões para os cinemas. Esse é Assassinato no Expresso do Oriente, a refilmagem do longa de 1974 adaptado da obra literária de Agatha Christie escrita nos anos de 1930. Uma trama de assassinato e investigação com total potencial para prender o público na cadeira e deixá-lo na expectativa da solução de um caso. No entanto, o longa dirigido e estrelado por Kenneth Branagh se perde na execução, apesar de ter ótimos momentos e agradar.

Quando nos deparamos com um longa estrelado por tantos nomes pesados em Hollywood, como Michelle Pfeiffer, Judi Dench, Johnny Depp, Willem Dafoe, Josh Gad e a queridinha do momento Daisy Ridley, automaticamente vem a curiosidade para ir ao cinema, e isso já é sem dúvida um bom motivo para assistir ao longa. Somos apresentados ao nosso protagonista, o investigador Hercule Poirot (Kenneth Branagh), um homem extremamente metódico e justo, conhecido por ser o melhor investigador do mundo. Temos o foco no personagem o tempo todo, o que perde aquilo que o filme mais deveria enaltecer, o mistério. Fica bem claro, desde o início, a construção de uma franquia de filmes que terá como centro o personagem.

Seu primeiro ato é instigante. Vamos aos poucos embarcando naquela atmosfera de Istanbul, com uma bela fotografia e conhecendo as motivações e crenças de nosso protagonista e o que o leva a embarcar na locomotiva às vésperas de sua aposentadoria. Os suspeitos e a vítima são introduzidos de forma rápida, afinal são muitos personagens e não há tempo hábil para se criar vínculos emotivos com todos eles. Alguns apenas pipocam na tela sem muitas informações, outros deixam de ser planos e ganham um background. No entanto há sim uma expectativa inicial em saber qual daquelas pessoas será a vítima.

 

 

Até o momento do assassinato que compõe o título do filme, o longa consegue prender o público, porém, a partir do início das investigações o roteiro não consegue deixar o espectador envolvido com a situação. O roteiro não permite que o público participe tentando desvendar o enigma apresentado, falta aquela coisa gostosa de cada cena exibir um pouco do quebra-cabeça para que o público tente desvendar a imagem final. Os diálogos ficam rasos e há personagens que são introduzidos no início do filme, que só serão lembrados quando o longa já está com mais de uma hora de projeção. As conclusões que o investigador compõe não são completamente lúcidas para o público.

Apesar desse deslize de roteiro, a conclusão consegue trazer o público de volta à produção, a prestar atenção naquelas pessoas, assim como estávamos no início do longa. Conseguimos nos surpreender com a conclusão, mesmo sem entender exatamente como ela chegou ali. Podemos dizer que Kenneth Branagh fez do longa uma montanha-russa: se eleva no começo, cai após chegar no topo e volta a se elevar no final, nos deixando na expectativa por mais.

 

 

Se o longa peca em ritmo e roteiro, temos por outro lado um elenco que entrega boas atuações e um diretor que sabe trabalhar bem o micro-ambiente dentro do trem. Há algumas cenas em que temos o vagão visto pelo alto, deixando o público enxergar os personagens tal como peças em um tabuleiro. A projeção ganha pontos pelo passeio que o diretor faz com a sua câmera revelando as expressões de cada ator em alguns momentos da história – algo que o trailer do filme já apresenta.

Assassinato no Expresso do Oriente vem em uma onda de remakes de filmes clássicos que buscam agregar à trama principal elementos mais contemporâneos, tentando assim gerar para o público uma identificação. Mesmo não entregando um filme surpreendente, que faça o público se envolver do início ao fim, a conclusão consegue nos satisfazer com o seu final e ainda deixa uma ponta solta para a sequência já confirmada.