Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância | Crítica do Filme

 
Birdman Poster

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Birdman Ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é uma comédia de humor negro que conta a história de um ator (Michael Keaton) – famoso por interpretar um icônico super-herói – enquanto ele faz de tudo para montar uma peça na Broadway. Às vésperas da estreia, ele vai lutar com seu ego e tentar recuperar sua família, sua carreira e ele mesmo.

 

 

 

Estréia: 29 de janeiro de 2015

 

 

 

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) não é apenas um filme. Ele consegue ser um grito de desabafo de Michael Keaton, que desde Batman – O Retorno de 1992, não emplacou nada em sua carreira. Quase nenhum filme consegue captar tão bem a essência humana como Birdman. Ele da um tapa na cara de cada um que faz exatamente isso o que estou fazendo: falar sobre o trabalho alheio como se soubesse metade da história por trás do processo.

 

O interessante de pensar sobre esse filme vem inicialmente de seu título. Porque Birdman? E esse “ou” que lhe oferece uma opção de escolha sobre o título? O longa não poderia ser mais atual. Trás elementos que hoje são realidade na carreira cinematográfica de qualquer ator: os filmes de super heróis. O excelente roteiro faz questão de mencionar figuras como Robert Downey Jr., que é claramente chamado de “sem talento” e Jeremy Renner como um coitado que não conseguiu fugir de uma “capa (de super herói)”.

 

Birdman

 

Keaton dentro do longa é Riggan, um ator que chegou no ponto da carreira onde só é conhecido por seu papel de Birdman, longa dos anos 90 que iniciou uma inesgotável fonte de dinheiro para os estúdios: os filmes de heróis. Já Keaton nos anos 90 foi Batman, que também é conhecido por ser um dos pioneiros no estilo herói. Lidando com seu fracasso na carreira, Riggan se prepara para sua estréia no teatro, mas o seu alter ego do passado insiste em lhe mostrar o quanto ele foi apenas mais um dentro de uma indústria que ignora o talento e só pensa em números de bilheteria.

 

Esse paralelo com a realidade trás ao filme uma veracidade que só que viveu a febre Batman nos anos 90 vai entender. Ano passado, quando um colega de trabalho entrevistou Michael Keaton, que esteve no Brasil devido a estréia do remake de Robocop, a primeira coisa que eu disse a ele quando assisti ao vídeo foi: “olha que legal, você aí com o Batman”.

 

O filme é rodado em um plano sequência forçado, ou seja, ele simula que está sendo feito em apenas uma tomada, mas não está, pois há cortes. 90% do filme acontece dentro do teatro onde ocorre o ensaio da peça dirigida e contracenada pelo personagem de Keaton.

 

A sonorização é um espetáculo a parte. O som do tic tac do relógio que marca a presença do tempo constantemente presente como um problema na vida do personagem, o som da trilha composta basicamente por solos de bateria, o toque do celular que faz os espectadores do cinema reclamarem achando que é alguém da platéia que esqueceu de desligar e levando uma comunicação inda maior do público para dentro do filme, enfim tudo em uma perfeita sintonia com a inesperada virtude da ignorância que vamos concordando e nos identificando a cada cena.

 

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É perigoso falar desse filme sem dar muitos detalhes, mas é interessante constar a perfeita escolha de casting para o elenco, que também inclui a nova queridinha da América Emma Stone, que a cada filme encontra-se melhor. Vale lembrar que essa esteve recentemente nos dois últimos filmes do Homem-Aranha. Temos  também Zach Galifianakis que está bem longe de ser o gordinho irritante de Se beber não Case, mostrando ao mundo que sabe não só fazer rir. E o personagem de Edward Norton que é tão destruidor dentro da vida dos personagens que faz um perfeito paralelo com seu Hulk de 2008.

 

Birdman é mais um filme que podemos usar para nos espelhar. Todos nós somos homens pássaros em busca de liberdade. Todos somos iguais, em busca de reconhecimento, de admiração e sustentação de ego. Em uma excelente demonstração num papel higiênico, a personagem de Emma exemplifica muito bem como é nossa trajetória na história da Terra. O humor leve que o filme tem, descontrai a temática pesada que ele aborda, porém, tudo se resume na frase estampada na camiseta dada aos jornalistas ao final da sessão do filme: “Você não é importante. Só está sendo usado”. 

 

Certamente voltarei ao cinema para rever Birdman ou, como eu prefiro chama-lo: A Inesperada Virtude da Ignorância. Tomar um choque de realidade assistindo a um excelente filme vale a pena.



 

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Rodrigo Santuci

Publicitário por profissão e cinéfilo por paixão. É o fundador do site Plugou. Apaixonado por cinema desde pequeno, nunca se incomodou em passar horas sozinho tentando entender como os filmes funcionam. Apaixonado por quadrinhos e games apesar de ter abandonado os dois com os passar dos anos. Tem dificuldade para jogar qualquer coisa mais complexa que Alex Kidd in Miracle World. Trabalha com Internet desde 1999 e já foi diretor de arte nas maiores agências de publicidade da Brasil. Em 2000 abriu junto com o jornalista Matheus Mocelin Carvalho e o ilustrador Fernando Ventura o Disney News e o AnimationS fórum (um dos principais canais de comunicação entre admiradores de cinema de animação). Em abril de 2012 começou o projeto Plugou e se dedica diariamente encontrar novos diferenciais para o portal.