Bom Comportamento | Crítica do FIlme

Bom Comportamento | Crítica do FIlme

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Sinopse:

O plano de Constantine Nikas (Robert Pattinson) era assaltar um banco e descolar uma boa quantia em dinheiro, mas nada sai como o planejado e seu irmão mais novo acaba sendo preso. Decidido a resgatá-lo, Constantine embarca em uma perigosa corrida contra o relógio, e onde ele mesmo é o próximo alvo da polícia..

Diretor:

Ben Safdie, Joshua Safdie

Elenco:

Robert Pattinson, Ben Safdie, Buddy Duress, Jennifer Jason Leigh, Barkhad Abdl

Data de estreia:

19 de Outubro

 

Os tempos de vampiro brilhante com certeza ficaram para trás, e Robert Pattinson entrega (mais uma vez) uma ótima performance no filme queridinho dos festivais:Bom Comportamento”.

Good Time, como o filme é chamado originalmente, é uma história contida sobre dois irmãos que acabam se encrencando após um roubo à banco dar errado. A falha contece por causa do irmão do personagem de Pattison, que é interpretado por Ben Safdie (um dos diretores do filme) e sofre de uma deficiência mental.

O filme possui estilo bem distinto e muito bem arquitetado, onde temos o uso de música eletrônica para criar o clima incômodo de tensão e desconforto, aliado à fotografia escura e pouco convidativa. Com diversos elementos de linguagem documental (aparentemente, um forte dos diretores), ficamos com uma dinâmica de expectativa e imersão que funcionam muito bem para a história.

Eis que após o roubo do banco, o irmão é preso e o personagem de Pattinson precisa tirá-lo da prisão à todo custo em apenas uma noite. Desde o começo, somos apresentados ao comportamento do personagem e somos convidados à indagar se suas ações são legitimamente altruístas ou apenas se justificam de maneira egoísta.

O personagem é tóxico, tudo e todos que toca acabam sendo afetados de maneira negativa e eventualmente deixados para trás, o quê eu considero um enorme mérito do roteiro. Conforme a história progride, temos diversos novos encontros e situações onde o personagem principal parece apresentar algum tipo de moralidade, apenas para trair ou abandorar seus coadjuvantes em prol de si mesmo. Não é um papel fácil, mas Robert Pattinson brilha e entrega tudo que é necessário para captar nossa atenção em sua tajetória.

Combinando movimentos de câmera rústicos e planos bem fechados, ficamos com a sensação de que o personagem está sob pressão constante, e isso pode deixar o filme um tanto cansativo, mesmo com apenas um pouco de mais de uma hora e meia de duração. Mas como eu disse, a história possui viradas o suficiente para que o espectador se sinta interessado pelo desfecho.

Ao final, a história se encerra de maneira cíclica e emociona pelo debate que propõe ao espectador. Moralidade se torna uma questão de perspectiva para o personagem principal, e por mais que ele procure corrigir o seu erros, sua ganância sempre acaba afetando-o e a aqueles ao seu redor.

Em um momento interessante, o personagem está assistindo à um programa policial onde ocorre um caso de brutalidade policial e ele diz “Tire daí, eu não quero assistir eles tentando justificar essa M$%rda”. É um momento excelente para ilustrar a falta de perspectiva do personagem que o leva à sempre sucumbir aos seus impulsos.

Bom comportamento é um filme ótimo. Pode não agradar aqueles que esperam muita ação ou um ritmo mais acelerado, mas sua linguagem cinematográfica e trilha sonora são mais do que suficientes para proporcionar uma experiência sensorial válida e seu roteiro por sí vale a pena ser conferido. Pattison continua escolhendo ótimos projetos, e tem entregado performances à altura. Que continue assim.