Caminhos da Floresta | Crítica do Filme

 
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Caminhos da Floresta é uma visão moderna dos adorados contos dos irmãos Grimm, cruzando as tramas de algumas histórias e explorando as consequências dos desejos e das buscas dos personagens. Este musical engraçado e emocionante segue os contos clássicos de Cinderela (Anna Kendrick), Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford), João e o Pé de Feijão (Daniel Hittlestone) e Rapunzel (Mackenzie Mauzy) – todos reunidos em uma história original envolvendo um padeiro e sua esposa (James Corden e Emily Blunt), seu desejo de formar uma família e a interação com a bruxa (Meryl Streep) que os amaldiçoou.

 

 

 

Estréia: 29 de janeiro de 2015

 

 

 

 

Era uma vez um estúdio chamado Disney, que fez sua fama e dinheiro através de alguns contos escritos pelos irmãos Grimm… E também um rato. Porém Walt Disney adaptava as histórias para ficarem mais leves e agradáveis para o público infantil. É… eram outros tempos dentro da Disney onde havia inocência e finais felizes. Hoje o mundo mudou e a história é outra. As crianças não são mais tão vulneráveis a contos onde dedos e calcanhares são cortados para entrar em um sapatinho de cristal. Certas coisas que em 1950 eram inadimissíveis dentro do reino de Disney, hoje são aceitáveis. E é nisso que Caminhos da Floresta vem retratar ao meio de sua reimaginação de alguns contos.

 

Fazendo um excelente cruzamento entre as histórias de Cinderella, Rapunzel, Chapéuzinho Vermelho, João e o Pé de Feijão, o diretor Rob Marshall, que já tem uma boa experiência com musicais (Chicago), soube organizar de forma satisfatória todos os personagens e ainda facilmente definir como protagonistas um casal que sofre um encanto e não podem ter filhos. Todas as histórias estão ali, e inteligentemente se misturam em determinados pontos. A primeira parte do filme excelente. Redonda, sem arestas. Se terminasse ali eu já estaria satisfeito.

 

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Porém,Caminhos da Floresta já deixa claro em seu material de divulgação, que desejos dentro dessa trama se torna uma moeda perigosa, e é preciso tomar cuidado com o que se quer. Existe uma segunda parte dentro do filme, que por eu desconhecer por completo a obra original de Broadway, me pegou de surpresa. Quando me preparava para levantar da cadeira, respirar fundo e seguir com minha vida, o filme pega aqueles personagens que vivem um sonho e os jogam para a vida real. Eles se vêem postos a uma ameaça desconhecida, e o lado B de todas as histórias é revelado. Certo personagem em algum momento diz algo semelhante a “nasci para ser encantador, e não fiel”.

 

O longa possui uma premissa interessantíssima que tinha de tudo para dar errado na adaptação para o cinema. A equipe se mostra competente ao seguir os passos do musical e fazer um filme completamente teatral. Os atores se expressam tão abruptos, que a sensação é de estar vendo uma peça, com seus atos muito bem desenhados.

 

Quando divago no começo do meu texto falando que hoje tudo é aceitável, claro que exagero, pois a política de classificação etária é algo que ainda preocupa os estúdios, principalmente quando se trata de um longa cujo temática são fábulas que tem, em sua maioria, o público infantil. Em Frozen já houve uma disruptura de sua trama, onde o plot twist com o príncipe pegou o espectador de surpresa. E o filme foi o sucesso que conhecemos. Talvez tenha sido um novo despertar para o estúdio que observou que o modelo tradicional de contar suas histórias não são mais aceitáveis. Para poder atrair mais audiência para os cinemas,Caminhos da Floresta aliviou certos momentos que na obra original são ainda mais pesados. Contudo presenciamos nele temáticas que nunca imaginaríamos encontrar dentro de um longa Disney.

 

Meryl Streep, que segundo a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas mereceu receber a 19ª indicação ao Oscar por sua atuação nesse filme, é a Bruxa, que está ali atrapalhando e passando missões para os personagens. De certo ponto, conseguimos sua personagem não como um ser completamente maligno. Ela tem suas motivações para querer atrapalhar a vida dos outros. Sua participação conseguiu me recordar aventuras dos anos 80 onde a objetividade do desafio que cada personagem possui é bem clara, e no caso deCaminhos da Floresta, tal desafio fica por conta de Baker (James Corden), o padeiro, e sua esposa (Emily Blunt) que vão adentrar na floresta em busca de alguns elementos e aí esbarrar pelos contos já conhecidos.

 

Temos também no elenco uma pequena participação de Jonny Depp, que como se faz costume em seus últimos longas, está interpretando no modo padrão. O curioso é que dias antes assisti ao longa metragem O Pequeno Príncipe (1974), onde a raposa, interpretada por Gene Wilder, chega ser um tanto ridícula, por ser um homem vestido com uma fantasia do animal. Se passam 41 anos e chegamos no Jonny Depp lembrando muito tal sequência, trabalhando corporalmente os movimentos de um lobo. Mais uma vez a teatralidade se faz presente.

 

Caminhos da Floresta é um filme gostoso de se ver. É leve, até certo ponto, é divertido, até certo ponto, e consegue surpreender. Sua primeira parte é frenética, cheia de insanidades que divertem, sua segunda parte, obscura, e um tanto quanto perdida em relação ao desfecho de alguns personagens. Alguns que inclusive são esquecidos no meio do caminho e não possuem uma conclusão.

 

Acho interessante esse revival que a Disney faz a seus clássicos contos mas agora em live action. Porém, se ela deseja levar essas história para uma nova geração, deve de fato tomar cuidado, assim como seu próprio longa ensina. Quero muito ver como explicar para as crianças o final clássico do longa Cinderela, que irá estrear no próximo mês de março, sendo que a Cinderela de Caminhos da Floresta possui um final um tanto quanto atípico… bom, vá ver o filme e entenda o que eu quero dizer.



 

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Rodrigo Santuci

Publicitário por profissão e cinéfilo por paixão. É o fundador do site Plugou. Apaixonado por cinema desde pequeno, nunca se incomodou em passar horas sozinho tentando entender como os filmes funcionam. Apaixonado por quadrinhos e games apesar de ter abandonado os dois com os passar dos anos. Tem dificuldade para jogar qualquer coisa mais complexa que Alex Kidd in Miracle World. Trabalha com Internet desde 1999 e já foi diretor de arte nas maiores agências de publicidade da Brasil. Em 2000 abriu junto com o jornalista Matheus Mocelin Carvalho e o ilustrador Fernando Ventura o Disney News e o AnimationS fórum (um dos principais canais de comunicação entre admiradores de cinema de animação). Em abril de 2012 começou o projeto Plugou e se dedica diariamente encontrar novos diferenciais para o portal.