Carros 3 | Crítica do Filme

Carros 3 | Crítica do Filme

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Sinopse:

Surpreendido por uma nova geração de corredores incrivelmente rápidos, o lendário Relâmpago McQueen é repentinamente afastado do esporte que ama. Para voltar com tudo às corridas, ele precisará da ajuda de uma determinada jovem treinadora de corridas, Cruz Ramirez. Com o seu plano para vencer, mais a inspiração do Fabuloso Doc Hudson e alguns acontecimentos inesperados, eles partem para a maior aventura de suas vidas. E o teste final do campeão será na maior prova da Copa Pistão!

Diretor: Brian Fee

Elenco:

Owen Wilson, Cristela Alonzo, Chris Cooper, Nathan Fillion, Larry the Cable Guy e Armie Hammer

Estreia:

13 de Julho de 2017

 

 

A Pixar Animation tem em sua tradição, desde o início, em fazer filmes cujo as histórias sempre consigam atingir o emotivo de seu público alvo. Com tramas voltadas para crianças, mas que conseguem fazer os adultos se identificarem em quase todos os filmes. No entanto, até a Pixar tem suas excessões. Em 2006, quando chegou aos cinemas Carros, longa que dava protagonismo a um veículo de corrida, podemos dizer que foi a primeira vez que o público se decepcionou. O filme tem uma mensagem bonita e uma animação impecável, mas seus personagens eram intocáveis e frios… como carros. Mesmo com o fracasso de críticas, a Disney deu sinal verde para sua sequência Carros 2 em 2011, que tirava dos holofotes o protagonista e dava atenção ao personagem mais carismático da franquia, Mater. Porém, com sua trama que envolvia espionagem, desagradou ainda mais o público. Carros 3 chega na intenção de voltar às raízes do primeiro filme e concluir uma trilogia… O que vale é a intenção, por que a execução está complicada.

É inegável que a Disney • Pixar possui uma equipe de pesquisa inteligente, sabem o que fazem para manter em pé a empresa. Afinal, querendo ou não, tudo trata-se de negócios e não apenas da arte de se fazer animação e cinema. Carros 3 existe por um propósito muito claro: faz parte da franquia que mais vende brinquedo, e esse filme só existe para que novos brinquedos cheguem ao mercado. Não é de se estranhar o fato do protagonista ter pelo menos três designs diferentes no decorrer da trama.

 





Vendo-se vencido pelos novos designs de carros, Relâmpago McQueen percebe que sua inevitável aposentadoria está chegando. Sendo um dos últimos carros de sua época ainda em exercício, um acidente o faz se afastar das pistas e se dedicar aos treinos. Junto a uma nova equipe, McQueen conhece Cruz Ramirez, uma otimista treinadora que guarda uma grande admiração pelo famoso carro de corrida. Juntos eles partem para pistas de treinos diversas e se preparando para a  Copa Piston que pode ser a derradeira corrida do grande astro.

Tem certos pontos sobre esse filme que ficam meio óbvios, como por exemplo a trama. Bastaram 10 minutos de tela para decifrar qual seria a conclusão da história. Não precisa ser um especialista de filmes que envolvam algum esporte para saber o destino de McQueen. Outra obviedade, visto o histórico de venda de brinquedos com o filme, é o fato do longa dar um co-protagonismo a Cruz Ramirez, um carro feminino, afinal, também é preciso ter nas prateleiras produtos focados para as garotas.

A sensação ao assistir Carros 3 é de observar a uma corrida de carros e não a um filme. A preocupação de retornar ao primeiro longa foi tamanha, que a trama coloca cenas de corrida à exaustão. Para os que procuram e gostam de filmes com essa temática, é um prato cheio, mas para os que procuram um filme padrão Pixar, vai ser preciso esperar por Viva: A Vida é Uma Festa, próximo longa do estúdio que chega ao Brasil somente em janeiro de 2018 (dois meses após sua estreia nos Estados Unidos).

 






 

Tirando todos os problemas narrativos e com seus personagens que são tão frios quanto carros (badum tss) Carros 3 ainda tenta tirar lágrimas de seu público com uma mensagem sobre envelhecimento. Mesmo que puramente comercial, ainda é uma animação Pixar, que possui belos cenários e uma música muito bonita. Ouvi esses dias a trilha sonora isolada no Spotify e ela realmente é muito boa (apesar de uma boa parte ser semelhante a de Toy Story).

Talvez eu não seja o público para Carros 3, assim como não fui para Carros 2 e tão pouco para Carros. Mesmo sendo os produtos mais fracos da Disney • Pixar, junto com O Bom Dinossauro, o nivelamento baixo deles é ainda muito acima de grande parte do que chega hoje aos cinemas. Carros 3 pelo mundo não fez grande sucesso (lembrando que já estreou fora do Brasil há um mês), e não é de se estranhar que mal nos deparamos com uma comunicação do filme pelas ruas, diferente do exército de Minions que invadiram as principais cidades do Brasil. Porém, não irei espantar com um anúncio de um quarto filme da franquia, já que ele consegue facilmente pagar o valor de produção nas bilheterias e trás para a empresa um lucro enorme de merchandising. A Pixar ganha nossos corações quando nos emociona, mas também é uma empresa, que precisa se manter ativa em um mercado que hoje é concorridíssimo.

PS.: A dublagem nacional com os não-dubladores (youtubers teen, pilotos, narradores esportivos), como sempre, é desastrosa. Fica nítida a diferença quando é um profissional dublando. O 3D do filme não exibido para imprensa, ou seja, sempre que isso acontece sabemos que o estúdio não quer que esse ponto seja comentado. 

 

 

Lou

Se de um lado Carros 3 é óbvio e repete novamente o descontentamento que os dois primeiros filmes causaram no público, por outro lado temos o excelente Lou, curta-metragem que é exibido antes do filme. Lou é um monstro que vive dentro de uma caixa de achados e perdidos, e observa as crianças durante a hora do intervalo. Ele é composto por diversos objetos, como bolas de beisebol, brinquedos e moletons perdidos.

A interação dele com o mundo e sua forma orgânica, dá a seu design algo especial, diferente de qualquer coisa que a Pixar já tenha feito. A cada momento ele está diferente, pois a composição dos objetos formam seu design. O que é interessante observar é que as crianças nessa escola possuem traços parecidos com os de outras crianças que já passaram, ou vão passar, pelos filmes da Pixar. Você identifica um pouco de Boo de Monstros S.A., um pouco da Riley de Divertida Mente, Spot de O Bom Dinossauro (que é o protagonista do curta) e se observar bem, talvez o mais claro entre todos, Miguel, protagonista de Viva: A Vida é Uma Festa, também está entre o grupo.

O monstro Lou se confunde com a personalidade de um garoto que é um verdadeiro pesadelo na hora do recreio. Porém, todo monstro exteriorizado só existe por algo que foi deixado para trás no passado.

É aliviador ver que a Pixar ainda faz belas histórias e se preocupa ainda com sua arte e cinema. Lou vale o valor do ingresso.

  • Thiago Ferreira

    Carros é o melhor filme da Pixar, tudo é um ponto de vista, aposto que você não é um gearhead, mas concordo que Carros 3 deixou a desejar, o filme é fantástico, até o final