Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário | Crítica do Filme

Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário | Crítica do Filme

 
cavaleiros-do-zodiaco-santuario

_Estrela_Estrela_EstrelaEstrela_ApagadaEstrela_Apagada
Em uma remota era mitológica, havia defensores da Deusa Atena. Quando as forças do mal ameaçavam o mundo, estes guerreiros da esperança sempre apareciam. Atualmente, após um longo período de guerra, a jovem Saori Kido, impressionada com os misteriosos poderes que possui, é inesperadamente atacada – e salva pelo cavaleiro de bronze Seiya. Desde então Saori, que começara a entender seu destino, ao lado de seus amigos cavaleiros de bronze Seiya, Shun, Hyoga, Shiryu e Ikki, decide se dirigir ao santuário. Porém lá, além de se defrontar com as armadilhas do Mestre do santuário, eles vão enfrentar um combate mortal com os mais poderosos doscavaleiros: os orgulhosos cavaleiros de ouro.

 

 

 

Estréia: 11 de setembro de 2014

 

 

Cavaleiros do Zodíaco goza de uma posição exclusiva no Brasil. Foi a primeira grande animação japonesa a fazer sucesso aqui e a percursora de uma verdadeira revolução na TV brasileira dos anos 90. Mais do que isso, a série sempre teve um papel de destaque na cultura pop, lançando ainda hoje diversos mangás, séries para televisão, jogos de videogame e diversos produtos colecionáveis. Assim, o filme chega num excelente momento, aproveitando a atenção tanto dos fãs que acabaram de conhecer a série, quanto os mais velhos.

 

Antes de tudo, devo dizer que faço parte do segundo grupo. Cavaleiros do Zodíaco é uma das séries mais relevantes da minha formação cultural. Assistir as aventuras de “Seiya e os outros” era um ritual seguido religiosamente de segunda a sábado. E mesmo hoje acompanho as aventuras dos defensores de Athena nas mais diversas mídias. Dito isso, é importante explicar para aqueles que nunca assistiram a série ou leram suas histórias, que Cavaleiros do Zodíaco fala basicamente de sacrifício.

 

Os personagens não lutam apenas por uma causa ou pelo bem maior, eles o fazem pelos seus companheiros. Apesar desse discurso ser um dos pilares do estilo de histórias Shōnen, mangás voltados especialmente para garotos. Cavaleiros é o primeiro a ser lançado no Brasil com esse foco principal. Se diferenciando de outras séries como Dragon Ball, ou Super Campeões, dois grandes sucessos da mesma época, que foca principalmente na evolução pessoal, para decidir quem é o mais forte ou mais habilidoso.

 

cavaleiros-zodiaco

 

 Essa carga dramática se mostra o principal motivo pelo fascínio que a série exerceu no público brasileiro, explicando o sucesso da série ainda hoje. Então, com a missão de honrar e perpetuar o sucesso de Cavaleiros do Zodíaco, “Os Cavaleiros do ZodíacoA Lenda do Santuário” estreia nos principais cinemas do Brasil. A Lenda do Santuário é na verdade uma reimaginação da história mais conhecida dos Cavaleiros do Zodíaco, a batalha do santuário onde os protetores de Athena tinham apenas 12 horas para passar por 12 casas zodiacais, cada uma protegido por um cavaleiro de ouro para então encontrar o Grande Mestre e salvar a deusa. Esse mesmo plot foi usado novamente diversas vezes nas mais diferentes encarnações da série e não é nenhuma surpresa que ela tenha sido usada para o novo filme.

 

Apesar da história familiar, o filme apresenta uma proposta visual totalmente original que inclusive assustou os fãs num primeiro momento, Mas num segundo momento, se mostra uma escolha sagaz, que combina bem com o clima cinematográfico. Além de dar um folego novo, o design dos personagens atualiza o conceito das armaduras, tornando elas mais fantásticas e ao mesmo tempo mais realistas ao dar peso e volume às vestimentas. A repaginada também garantiu uma melhora considerável na expressão dos personagens principais, principalmente no rosto do Seiya, que ganhou um cuidado especial nesse sentido. Mas esse cuidado especial com as expressões dos personagens serve a um propósito não tão nobre como o esperado.

 
Diferente da serie original, focada no melodrama, o filme dá um espaço demasiado ao humor, com diversas piadas ao longo do filme que acaba diluindo a sensação de urgência e aventura. No final, parece que estamos vendo um filme de comédia e não de ação/aventura, algo completamente constrangedor. E não é uma comédia que ajuda a estabelecer um clima, como os filmes do estúdio Marvel, por exemplo, as piadas são na maioria deslocadas e desnecessárias, beirando ao ridículo.
 
O filme se perde quando um dos personagens mais sérios da série clássica se apresenta com um musical que enrubesceria até mesmo o Chapeleiro Maluco de Tim Burton. Uma triste tentativa de tornar a história mais leve para um público mais abrangente. Na verdade o pior defeito de “Lenda do Santuário” é tentar ser o mais didático e inoculo possível na tentativa de conquistar a maior quantidade de espectadores possíveis, incluindo, principalmente, os mais jovens. Suas armas são além das piadas, um roteiro raso que se preocupa em contar tudo que precisar ser dito o mais rápido possível, para então se concentrar apenas nas belas lutas.
 
Esse esforço chega ao extremo de personagens terem conversas extremamente reveladoras nos momentos mais anticlímax possível em vez de preparar o publico para a grande revelação. Erros de roteiro são observados em toda película, desagradando o espectador minimamente exigente. E mesmo essa atitude não foi o suficiente para explicar outros pontos importantes da história, que ficam no limbo e que apenas os fãs da série são capazes de decifrar. Ai então fica dúvida de o filme foi mesmo feito para os fãs ou para um novo público. A sensação é de que nem mesmo os roteiristas estavam preocupados em contar uma história. Só queriam dar o mínimo de base para justificar as lutas e ponto. Mas que lutas! São muito bem coreografadas, cheio de efeitos de luz e brilho. Não da para negar que o sonho de todo o fã é realizado ao ver, por exemplo, a luta, entre Seiya e Aiolia, na Casa de Leão.

 

Outro ponto positivo e a dublagem que contou com a maioria das vozes originais. É de arrepiar quando Hermes Baroli grita o famoso golpe “meteoro de Pegasus”! Todos os trabalhos de vozes estão excepcionais e pegam o sentimento de nostalgia do fã e não larga até a cena pós-crédito.

 

Como adaptação, A Lenda do Santuário capta bem a essência da serie, atualizando de forma positiva vários elementos estéticos da obra original. Para os fãs mais antigos, a falta de uma carga dramática pode se mostrar um problema insuperável. O foco demasiado na comédia se mostra frustrante e que deve agradar apenas os neófitos ou aqueles sem nenhuma expectativa. Já como obra audiovisual, o filme sofre de diversos equívocos e problemas narrativos primários. Em muitos momentos o filme explica demais, em outros, de menos. Tornando o filme um grande espetáculo visual, mas sem nenhuma substância ou ambição. Falhando miseravelmente em entreter o público que buscava uma história no nível do que vimos nas outras mídias. Para quem é familiarizado com a serie, eu poderia dizer que o filme consegue ter uma história menos interessante do que a saga das 12 casas da série Omega. Apesar disso, como fã, devo dizer que gostei muito do filme. Consegui relevar muitos dos problemas e no final, me divertir bastante. Uma obra obrigatória para os fãs, mas só para os fãs. E por mais que ele tenha sido concebido para atrair uma nova geração, é difícil diz que o objetivo foi alcançado, graças aos problemas na história.