Cinquenta Tons de Cinza | Crítica do Filme

 
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Ana conhece e se apaixona o bilionario Christian Grey, mas aos poucos vai descobrindo outras camadas na personalidade de seu namorado.

 

 

 

Estréia: 12 de fevereiro de 2015

 

 

 

O que aconteceu com os contos de fada? Onde foram parar os bombons e chocolates dados à pessoa amada? Para assistir Cinquenta Tons de Cinza, fui munido com todos os preconceitos possíveis, mas acabei encontrando um filme aceitável, que revela um lado B de uma história de amor. Um lado que todos temos a noção de sua existência mas fingimos não existir. A proposta do filme gera repercussão e quebra um tabu dentro das telas.

 

Não estou aqui para falar do famigerado livro, tão pouco sua qualidade. Porém, por ser um fanfic de Crepúsculo não tive o menor interesse de passar perto. Mas todos, mesmo os que não leram, sabe quais são os comentários sobre a obra cujo temática principal é sexo. E não o sexo que visa reprodução, mas sim do sexo com sadomasoquismo.

 

Hoje se alguém me pergunta sobre Cinquenta Tons de Cinza, o preconceito que tive quanto aos comentários chegados até mim antes do filme se foram, pois o filme (pois é somente sobre ele que estamos falando aqui) é acima de tudo sobre uma pessoa psicologicamente doente, que devido a seu passado possui problemas para se relacionar, principalmente intimamente.
 
Com pitadas de contos de fada, a estrutura clássica da menina plebéia que encontra seu príncipe encontado está ali embutida em infinitas cenas que insinuam o erotismo. Desde a primeira vez que Ana (Dakota Johnson) encontra com Christian Grey (Jamie Dornan), a tensão sexual é exposta pela diretora Sam Taylor-Johnson (O Garoto de Liverpool). De um tropeção que deixa a personagem literalmente de quatro, à levada de um lápis à boca, o filme respira sexo. Porém é sutil e cuidadoso para que não se torne um filme para maiores.

 

Com uma bela fotografia, e uma trilha sonora excelente, a trama vagueia em cima de um contrato entre os personagens, no qual a definição de dominação e poder de ambas as partes podem se confundir, e o machismo aparente certamente no decorrer irá se disseminar.

 

Cinquenta Tons de Cinza está longe de ser uma obra prima do cinema, tão pouco não foge dos tradicionais clichês que constroem filmes românticos que conhecemos (e que no fundo gostamos mas não admitimos). Assim como em “Uma Linda Mulher“, onde a prostituição fazia parte da vida de um dos personagens, aqui o sadomasoquismo é uma realidade na relação do casal, que até certo ponto, vive bem com isso. Pontos da vida amorosa que não vemos em nenhum conto de fada, tão menos como assunto na mesa de almoço com a família aos domingo. O filme propõe uma disruptura dentro do gênero e é capaz de gerar discussões e reflexões sobre a temática.

 

Deixe seu preconceito na gaveta e pode levar a família inteira para o cinema (desde que a família tenha mais de 16 anos). Já vimos cenas muito mais explícitas na novela das oito junto com a vovó e não houve tanto barulho por isso.



 

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Rodrigo Santuci

Publicitário por profissão e cinéfilo por paixão. É o fundador do site Plugou. Apaixonado por cinema desde pequeno, nunca se incomodou em passar horas sozinho tentando entender como os filmes funcionam. Apaixonado por quadrinhos e games apesar de ter abandonado os dois com os passar dos anos. Tem dificuldade para jogar qualquer coisa mais complexa que Alex Kidd in Miracle World. Trabalha com Internet desde 1999 e já foi diretor de arte nas maiores agências de publicidade da Brasil. Em 2000 abriu junto com o jornalista Matheus Mocelin Carvalho e o ilustrador Fernando Ventura o Disney News e o AnimationS fórum (um dos principais canais de comunicação entre admiradores de cinema de animação). Em abril de 2012 começou o projeto Plugou e se dedica diariamente encontrar novos diferenciais para o portal.