Como se Tornar o Pior Aluno da Escola | Crítica do filme

Como se Tornar o Pior Aluno da Escola | Crítica do filme

 

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Sinopse:

Bernardo (Bruno Munhoz) e Pedro (Daniel Pimentel) são estudantes e enfrentam as clássicas tarefas de cumprir as obrigações escolares, tirar boas notas, ter bom comportamento e cumprir as regras da escola, cada vez mais elaboradas graças ao diretor Ademar (Carlos Villagrán). Frustrados, Pedro acaba encontrando um diário de como provocar o caos na escola sem ser pego, o que leva os dois amigos a seguirem as dicas do caderno.

Diretor:

Fabrício Bittar

Elenco:

Danilo Gentili, Carlos Villagran, Moacyr Franco, Bruno Munhoz, Daniel Pimentel, Fabio Porchat

Data de estreia:

12 de Outubro

Danilo Gentili não é um cara conhecido por seguir a comédia “politicamente correta”. Em Como se Tornar o Pior Aluno da Escola, o comediante pisa fundo na polêmica, e entrega um filme que com certeza irá atrair toda uma geração de adolescentes carente de filmes nacionais do gênero.

Como se tornar o Pior Aluno da Escola é baseado nas anotações do próprio Gentili, estruturando a história ao redor de um “manual” sobre como aprontar na escola, e ainda assim ser um dos melhores alunos. O filme procura justificar essa abordagem logo de cara, com uma sequência que imita filmes alemãos do começo do século XX, e que apresenta Albert Eistein como argumento para “não seguir os padrões impostos à você, pela sociedade”.

Se deixarmos de lado essa tentativa rala de justificativa, teremos um filme divertido, que com certeza irá agradar aqueles que buscam a comédia politicamente incorreta, e sentem que ela não é mais tão presente quanto costumava ser nas décadas passadas. Apesar do filme se passar em tempos atuais, fica clara a intenção de provocar a nostalgia com os tempos de colégio para os mais velhos, e com uma época onde as comédias adolescentes eram bem mais irreverentes.

Carlos Villagrán assume o posto de antagonista do filme e entrega uma performance que entretém, apesar do sotaque carregado do ator acabar se tornando cansativo conforme o decorrer da história. Quem realmente rouba a cena no elenco é Moacyr Franco, que está hilário em suas tiradas grosseiras e momentos de simpatia com os personagens principais.

Danilo Gentili também não deixa a desejar, dentro do que está proposto para o filme. Sua atuação, auxiliada pela montagem frenética, lembra filmes do Jim Carrey nos anos 90, principalmente na primeira cena em que seu personagem conhece os dois jovens protagonistas.

Aliás, este é o grande mérito do filme: A montagem. Aspectos técnicos à parte, não é como se tívessemos algum tipo de inovação por aqui, mas o diretor soube trabalhar muito bem o ritmo do filme e não deixar o engajamento do público cair. Já que não estamos diante de nenhuma obra prima, é essencial não perder a atenção do público e entregar bem especificamente aquilo que foi vendido. A edição e a maneira como pontuam cada momento com elementos sonoros chamativos dá conta do recado, neste sentido.

Mas não como negar que temos uma história fraca em Como se Tornar o Pior Aluno da Escola. Apesar de entregar diversas cenas divertidas, a narrativa como um todo é bem batida e não aproveita todos os aspectos da discussão que o filme insiste em trazer à tona. Se ao menos tívessemos focado apenas na diversão, Como se Tornar o Pior Aluno da Escola estaria livre de qualquer presunção e poderia ser aproveitado de maneira muito mais descontraída.

Mas se a ideia é ir ao cinema se divertir com os amigos, Como se tornar o Pior Aluno da Escola se prova uma experiência válida, e deve agradar o público carente do gênero. Poderia ter sido um filme mais relevante para a discussão sobre educação no Brasil, como se propõe a ser, mas falta perspectiva e argumentos suficientes para tanto. Que venham os próximos projetos de Gentili, por que com certeza essa produção não vai parar por aqui.