Cosmópolis | Crítica do filme

Cosmópolis | Crítica do filme

Eu sempre vi o cinema como uma ferramente na qual podemos evoluir nossos conhecimentos com os anos, e sempre existem aqueles diretores nos quais somos instantaneamente fãs desde crianças, pois utilizam de uma linguagem agradável e familiar que encaminham suas histórias para um final feliz e sem preocupação. No caso de David Cronenberg, eu vejo que é um diretor muito mais profundo que expõe os seus filmes numa categoria na qual o espectador precisa ter uma maturidade cinematográfica muito grande para poder sair da sala satisfeito. Não creio que eu esteja em tal nível ainda.

Escrito e dirigido por David Cronenberg adaptado do livro de Don DeLillo, o filme conta com Robert Pattinson (sim, o vampiro cintilante), Juliette Binoche, Sarah Gadon, Mathieu Amalric, Jay Baruchel, Kevin Durand e Paul Giamatti.

A trama já é por si só uma grande crítica ao sistema capitalista e acumulo de dinheiro, transformando o ser humano em pessoas robotizadas e inexpressivas. Quem melhor do que Robert Pattinson para expressar um jovem bilionário mimado, que de sua fortaleza despreza consequências e acontecimentos mundiais?

O filme conta o dia em que o presidente dos Estados Unidos visita a ilha de Manhattan e o caos financeiro se instala, fazendo um verdadeiro apocalipse tomar conta das ruas da cidade. Entretanto Eric Packer (Pattinson) só quer atravessar a cidade e cortar o cabelo em seu cabelereiro de costume. Mesmo sendo aconselhado por seu chefe de segurança em se manter seguro devido ao caos instalado, ele ignora e dentro e de dentro sua limousine branca, que se mescla com tantas outras dezenas iguais, ordena a seus criados o levarem para o salão. No meio do trajeto o rapaz ainda se encontra com sua esposa de faixada, na qual é responsável pelas únicas saídas que o rapaz faz do carro, uma prostituta interpretada por Juliette Binoche, um médico no qual lhe faz um exame de próstata enquanto Pattinson discute negócios e bajuladores que enquadram desde amigos a parceiros de negócios. Todos são responsáveis por diálogos infinitos e desnecessários nos quais só firmam o objetivo de Cronenberg com o filme.

Há pouco tempo li uma entrevista com David Cronenberg no qual ele fazia críticas absurdas a Nolan e sua versão do filme Batman, e lembro-me muito bem de que ele adjetivava o último capitulo como “cansativo”. Gostaria muito de poder entender o significado de cansativo para Cronenberg, pois seu filme é uma viagem de carro que corta uma cidade, com diálogos monótonos, pouco entendíveis e dentro de um ambiente claustrofóbico de limousine. Havia momentos nos quais eu me senti preso dentro da sala de cinema, com a mesma sensação de estar preso em um angustiante transito sem perspetiva de chegada a um destino. Se esse foi o objetivo, o filme é perfeito.

É necessário estar disposto passar as duas horas prestando atenção na profundidade que o personagem é levado, na qual nos faz entender sua mediocridade e desrespeito com o mundo que lhe cerca. O dialogo apresentado no terceiro ato do filme com Paul Giamatti só confirma que ele é uma grande crítica, e a preocupação de fazer um bom filme ficou em segundo plano. Vou querer assistir esse filme novamente daqui alguns anos e talvez conseguir encherga-lo com outros olhos, mas a meu ver foi uma obra completamente desnecessária na carreira de David Cronenberg.