Deadpool 2 | Crítica do Filme

Deadpool 2 | Crítica do Filme

 

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Sinopse:
Deadpool (Ryan Reynolds) está de volta maior, melhor e mais engraçado do que nunca. Quando o super soldado Cable (Josh Brolin) chega em uma missão assassina, o mercenário precisa aprender o que é ser herói de verdade, recrutando pessoas poderosas, ou não, para ajudá-lo.Diretor: David LeitchElenco: Ryan Reynolds, Josh Brolin, Morena Baccarin, Zazie Beetz, T.J. Miller, Brianna Hildebrand, Julian DennisonData de estreia:
17 de Maio de 2018

Quando Deadpool foi lançado nos cinemas em 2016, o filme contou com um forte apelo ao público graças à sua proposta transgressora de dar vida a um dos personagens mais irreverentes da cultura pop (já famoso entre os leitores de HQs). Diferente dos blockbusters de super-heróis que já vinham inundando o cinema há anos, o primeiro filme trazia uma divergência muito bem vinda para um gênero que temia se ver engessado. Naturalmente, então, Deadpool 2” chega aos cinemas carregado com a expectativa de ser simplesmente… mais.

Com uma franquia que evidentemente se propõe a chocar o espectador e transgredir aspectos comuns dos blockbusters atuais, é seguro assumir que o público geral espera que Deadpool 2”  traga ainda mais audácia em seu roteiro. Por um lado mais técnico, também era esperado que a sequência (agora nas mãos do diretor de “Atômica”, David Leitch) usurfruisse de um orçamento maior para cenas de ação mirabolantes que não eram, até então, possíveis sob o comando de TIm Miller e sua dificil empreitada ao lado de Ryan Reynolds em que ambos tiveram de enfrentar muitos obstáculos para produzir o filme original.

As piadas, embora não sejam audaciosas ao ponto de gerarem polêmica para a produção, estão mais ácidas, descaradas e auto-referenciais (algo compreensível devido a evidente segurança do filme). Ryan Reynolds recebe um crédito como roteirista ao final da sessão, muito provavelmente graças a suas contribuições de improviso que permeiam o filme. Optando pelo excesso, a comédia funciona em sua maior parte. Há poucos momentos de respiro, deixando o espectador sempre atento aos diálogos do protagonista, e evitando que o silêncio causado pela falha de uma ou outra piada acabe se prolongando na sala.

Sem Ryan Reynolds, não haveria Deadpool, e isso fica mais claro a cada cena. O ator não apenas abraça por completo a irreverência e a vulgaridade do personagem, como também entrega seu carisma já característico aos momentos mais humanos do filme, proporcionando uma maior (e muito necessária) identificação com o protagonista apesar de seu comportamento desconsiderativo.

Leitch exibe sua aptidão para cenas de ação, assim como já havia feito em Atômica e John WIck (co-dirigido com Chad Stahelski). No entanto, assim no como no longa estrelado por Charlize Theron, o diretor parece carecer de uma visão mais abrangente da história que se propõe a contar na tela, compondo as cenas de maneira mais pragmática do quê se esperaria de uma franquia como esta. Mas a verdade é que a culpa não recai totalmente sobre Leitch, e sim sobre os roteiros que acaba por produzir.

Deadpool 2” , em comparação ao seu antecessor, traz a sensação de ser um tanto “desconjuntado”, como se a progressão das cenas não possuisse o cuidado necessário para dar o ritmo apropriado à história. Por mais transgressor que pudesse ser, o primeiro filme sabia muito bem se aproveitar da segurança que uma estrutura narrativa mais convencional acaba proporcionando à obra (constantemente consciente de suas convencionalidades e usando-as para suas ironias, inclusive).

Na sequência, no entanto, a história parece prosseguir sem naturalidade, sempre em função de um próximo evento, o quê pode deixar o espectador mais casual um tanto cansado. Embora Deadpool continue sendo um personagem atraente tanto pelas suas peculiariedades, quanto pela sua construção moral, os coadjuvantes da história acabam sendo ainda mais superficiais do quê se esperaria. Tanto Domino quanto Cable, embora bem interpretados por Zazie Beetz e Josh Brolin, soam como personagens que estão sendo meramente introduzidos em um universo maior, ainda por ser explorado.

Deadpool 2” acerta ao aproveitar diversas chances para fazer comédia com elementos familiares do espectador, mostrando uma consciência invejável de seu público-alvo. O filme faz o quê precisa para manter o legado do “Mercenário Tagarela” vivo em meio ao cenário da cultura pop, mas não proporciona a mesma contestação do gênero trazida por seu antecessor, sem antes sacrificar alguns aspectos mais fundamentais para sua memorabilidade. Como filme da semana, com certeza vai agradar.