Detroit em Rebelião | Crítica do Filme

Detroit em Rebelião | Crítica do Filme

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Sinopse:

No ano de 1967, Detroit vive cinco dias de intensos protestos e violência. Um ataque policial na cidade resulta em um dos maiores tumultos na história dos Estados Unidos, levando à federalização da Guarda Nacional de Michigan e ao envolvimento de duas divisões aéreas do Exército americano.

Diretor:

Kathryn Bigelow

Elenco:

John Boyega, Will Poulter, Algee Smith, Jacob Latimore, Hannah Murray, Anthony Mackie, John Krasinski

Data de estreia:

12 de Outubro

Detroit em Rebelião me fez uma vítima das expectativas, mais uma vez. O novo filme é dirigido por Kathryn Bigelow, a responsável por nos trazer o oscarizado “Guerra ao Terror” e o indicado A Hora mais Escura“. Com um currículo desse, era difícil não sem empolgar com o quê a cineasta seria capaz de fazer ao abordar um tema tão polêmico e violento quanto as revoltas de Detroit de 1967.

Digo isso por quê Bigelow ja provou que é capaz de lidar com assuntos pesados e violência realista, ainda mais quando possui um elenco competente ao seu alcance. Este é o caso de Detroit, que traz John Boyega e Will Poulter em provavelmente suas interpretações mais memoráveis até então.

No entanto, temos aqui um filme que não é capaz de aproveitar todo o seu potencial, e a culpa está na maneira que a diretora escolheu estruturar a história. Com uma divisão de três atos bem explícita, a história começa como um grande mosaico onde vemos as diferentes perspectivas da terrível situação em Detroit. Como espectadores, somos levados a comprar essa abordagem e começamos a nos apegar às diferentes histórias que estão sendo contadas.

O objetivo do filme no entanto, está no segundo ato. Bigelow procurou reconstruir um episódio polêmico da revolta, onde um grupo de negros foi assassinado pela polícia em um motel de Detroit. Essa cena ocupa o segundo ato inteiro e se entende por provavelmente uma hora inteira. Fica evidente que este é o verdadeiro filme dentro do filme.

Porém, para quem estava acompanhando a história de uma maneira mais abrangente no ato anterior, este segundo pode ficar cansativo. A intenção de construir um clima de tensão e angústia também acaba sendo prejudicada por essa estrutura, já que não tivemos tempo suficiente com os personagens para que sejamos propriamente afetados pelo seu sofrimento.

Isso não quer dizer que a cena não é pesada… Longe disso. São momentos nervosos e tensos em que Bigelow realmente que te fazer sentir aquela velha “culpa histórica” enquanto retrata o abuso e a violência policial. É um retrato horrível de como o ser humano é capaz de perder sua empatia e expôe muito bem o racismo que permance emaranhado na nossa sociedade até os dias de hoje.

Mas como eu disse, o filme não alcança todo o seu potencial. O segundo ato por si só é o climax inteiro da história, deixando para o terceiro ato, a função de servir como um grande epílogo. Vemos as consequências do quê aconteceu no motel, o julgamento dos policiais e as reações das famílias envolvidas. Considerando que a história real não acabou de maneira justa, é evidente que este seria um terceiro ato frustrante.

No fim das contas, o comentário político, apesar de bem apresentado, acaba não trazendo nada de inovador para os debates sobre a questão racial. Não que isso necessáriamente influenciaria na qualidade geral do filme, mas caso a estrutura do primeiro ato tivesse se mantido, poderíamos ter visto alguns estudos interessantes sobre estas diferentes perspectivas.

Volto a dizer, as atuações são capaz de salvar até os momentos mais fracos de Detroit em Rebelião, e Bigelow consegue captar a atenção do espectador com diversos quadros interessantes da destruição da cidade. Temos aqui um filme competente, mas nada além disso, quando poderíamos ter uma das grandes obras de tema social da nossa década.

Tudo bem, fica pra próxima…