Divertida Mente | Crítica do filme

Divertida Mente | Crítica do filme

 
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Você já olhou para alguém e se perguntou o que se passa na mente dessa pessoa? O novo filme original da Disney•Pixar Divertida Mente (Inside Out) se aventura dentro da mente para descobrir. Baseado no centro de controle que se localiza dentro da mente de Riley, uma garota de 11 anos, abriga cinco Emoções que trabalham arduamente, lideradas pela otimista Alegria, (voz de Amy Poehler), cuja missão é garantir que Riley esteja sempre feliz. O Medo (voz de Bill Hader) cuida da segurança, o Raiva (voz de Lewis Black) garante que sempre haja justiça e a Nojinho (voz de Mindy Kaling) evita que Riley seja envenenada — física e socialmente. A Tristeza (voz de Phyllis Smith) não tem muita certeza sobre que é o seu papel, e sinceramente, ninguém tem. Quando a família de Riley se muda para uma nova cidade assustadora, as Emoções entram em ação, ansiosas para ajudá-la na difícil transição. Mas quando a Alegria e a Tristeza são levadas inadvertidamente para as profundezas da mente de Riley — levando com elas algumas de suas principais lembranças — o Medo, o Raiva e a Nojinho assumem, relutantemente, o comando.   A Alegria e a Tristeza precisam se aventurar em lugares desconhecidos —Memória de Longo Prazo, Terra da Imaginação, Pensamento Abstrato e Produções de Sonhos — em um esforço desesperado para retornar ao centro de controle, e a Riley.

Estréia: 18 de junho de 2015

 

 

 

Demorou para a Pixar encontrar novamente um trilho criativo e continuar seu legado que vem desde 1995 com Toy Story. O estúdio que vem sofrendo desde sua venda completa para a Disney, passou por tristes realidades com longas que contam com sequências de sucessos do passado a temas que deveriam ser originais mas no final foram mais do mesmo. Contudo, Divertida Mente chega para colocar novamente o estúdio entre os mais criativos, e nos apresenta uma película obrigatória de ser vista por todos.

 

Leve, sutil, delicado, e ao mesmo tempo, adulto e complexo, o filme tem a difícil tarefa de nos contar como as emoções humanas funcionam. Alegria, Tristeza, Medo, Nojinho e Raiva não são apenas sentimentos, mas sim personagens que comandam a mente da garotinha Riley que enfrenta uma mudança radical em sua vida. Tais como Power Rangers comandando o Megazord, os cinco protagonistas de sua mente tem funções definidas, como a Alegria que mantém Riley positiva, o Medo que a mantém em segurança, a Nojinho que a mantém seletiva e assim por diante. Contudo o conflito entre Alegria e Tristeza se torna inevitável.

 

 

 

É interessante observar que a mente mantém um líder. No caso da protagonista a Alegria é a que comanda o grupo, mas em determinados momentos temos acesso à mente dos pais de Ripley, e percebemos que a liderança em suas cabeças são de outros sentimentos, a da mãe é a Tristeza e a do pai a Raiva.

 

Trabalhando basicamente com três núcleos de personagens, o longa é alternado entre regiões da mente e a vida da garota. O que acontece na cabeça altera o comportamento social que ela apresenta. Há muitos momentos interessantes, principalmente quando o filme mostra a construção das ilhas de personalidades, e como elas são afetadas com o decorrer da história. O filme é tão eficaz ao construir esse universo que facilmente conseguimos entender como aquela realidade se aplicaria para diferentes tipos de pessoas e seus comportamentos.

 

Apesar de original e emocionante, infelizmente Divertida Mente caiu no maior problema que os filmes da atualidade enfrentam: o marketing. São tantos trailers e tantas cenas divulgadas, que os elementos surpresa não possuem o mesmo impacto durante a projeção. Ao assistir pela primeira vez, eu tive a sensação de estar vendo um filme repetido, de tanto que fui bombardeado com spots na internet.

 

Porém, ignorando essa estratégia de marketing extremamente errônea, o filme por si só é um clássico por natureza. Divertida Mente tem um grande potencial para ser lembrado durante gerações, assim como Toy Story. Sem contar que o universo criado pela Pixar contém grandes possibilidades para novas linhas de histórias. Os plots que ocorrem durante o filme provam que a Pixar tem muita lenha para queimar.

 

 

 

Divertida Mente nos trás novamente núcleos femininos fortes, algo que a Pixar tentou fazer com Valente. Tanto a liderança da Alegria quanto o posicionamento da menina, mostram que o estúdio busca fugir do esteriótipo dama delicada. O núcleo masculino do filme é retratado de uma forma curiosa. O pai é um cara desligado, inerte até determinado ponto da história, a Raiva é um personagem errôneo, que toma atitudes precipitadas e o Medo um ser frágil que busca se defender dos estímulos externos a todo custo.

 

 

Divertida Mente é finalmente um filme Pixar. Nada de Carros 2, Valente, Universidade Monstros, que apesar de filmes razoáveis, foram longas pouco explorados, que qualquer estúdio poderia ter feito. O padrão de qualidade a empresa que deu vida à Wall-E, Up – Altas Aventuras, Toy Story, Procurando Nemo, Os Incríveis, exigia um longa tão rico visualmente e imaginativo quanto a esse novo lançamento. Você sairá do longa com a sensação de satisfação e euforia, com aqueles sentimentos que só um filme Pixar consegue conceder.