Dunkirk | Crítica do Filme

Dunkirk | Crítica do Filme

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Sinopse:

Dunkirk começa com centenas de milhares de tropas britânicas e aliadas cercadas por forças inimigas. Encurralados na praia e com o mar em suas costas, eles enfrentam uma situação impossível à medida que os inimigos se aproximam.

Diretor:

Christopher Nolan

Elenco:

Tom Hardy, Mark Rylance, Kenneth Branagh, Cillian Murphy, Fionn Whitehead. Aneurin Barnard, Harry Styles, James D’Arcy, Jack Lowden, Barry Keoghan , Tom Glynn-Carney.

Estreia:

27 de Julho de 2017

 

 

Pouco antes de me dirigir ao cinema para assistir ao novo filme da Warner Bros., “Dunkirk”, ouvia em meus fones um podcast do site Brainstorm9 cujo tema era a cultura da hipérbole, e como (principalmente) os veículos que fazem cobertura sobre cultura pop possuem uma memória de curto prazo e acabam sempre designando determinados produtos como “o melhor”, “o mais impactante”, “maravilhoso”. Concordando 100% com o que falaram durante o programa, tentei me conter assistindo ao novo filme de Christopher Nolan. Lamento dizer que essa contenção não funcionou, e bastaram 10 minutos de filme para ter a certeza de que estava presenciando não um clássico, mais sim, o nascimento de algo que ultrapassava nossa noção de cinema, uma verdadeira obra de arte. Não estava presente assistindo a um filme padrão, que aceitamos simplesmente por não ter nada melhor. Estava de fato vendo algo inédito, algo que prova o quanto ainda temos a explorar na sétima arte.

Nolan, desta vez, não apenas entregou um bom ou ótimo filme. O diretor que é extremamente cultuado conseguiu dessa vez entregar a sua ‘Capela Sistina’. Uma verdadeira obra-prima. Mesmo contido, e buscando enxergar “Dunkirk” como apenas um filme, não foi possível. O longa supera qualquer tipo de expectativa que um filme de guerra pode gerar.

 




 

Se você acompanha meus textos aqui no Plugou.com, já deve ter se deparado com alguma frase minha que questiona a razão de Hollywood ainda explorar tanto a 2ª Guerra Mundial nos cinemas. É um tema doloroso, vergonhoso e que não deveria ser argumento para venda de um produto. Porém Nolan, com todo seu talento, conseguiu provar que não tem como esquecer de tais pessoas que infortunadamente foram vítimas daquilo. A arte tem uma função ao olhar para a guerra que ultrapassa a barreira mercadológica do cinema. Tem a função de pensarmos e respeitarmos aquelas vítimas e inocentes que tiveram suas vidas alteradas pela ignorância humana. Relembrar não para perpetuar, mas para não se repetir.

“Dunkirk” não é um filme, é uma experiência sensorial que lhe colocará numa fração do que foi a 2ª Guerra Mundial. É um filme que, nas mãos de um diretor errado, teria de tudo para não funcionar, mas nas mãos mágicas de Nolan se tornou uma obra que será lembrada para todo o sempre.

Somos colocados no meio da guerra, acompanhando um grupo de pessoas de quem não sabemos os nomes, suas histórias, seus antecedentes. Somos meros observadores de soldados que estão desesperados para sair da cidade de Dunkirk, na França, e chegar à Inglaterra. Pessoas que esperam pelo resgate junto à incerteza de que permanecerão vivos nos próximos minutos. A cada estrondo que as caixas acústicas soam, nos assustamos junto daquelas pessoas, mas ao mesmo tempo que o susto vem, a tranquilidade toma lugar e nos acalmamos ao sabermos que estamos apenas assistindo.

 

 

O que “Dunkirk” faz com o público é lembrar a cada cena que somos humanos. Não precisamos de mais nada além de compaixão pelo próximo, torcendo para que aquela pessoa que estamos acompanhando tenha mais uma chance de sobreviver. O fato de sabermos que o filme se inspirou em uma história verídica soma uma força incontestável. Saber que soldados estiveram naquela situação faz o público se emocionar e envergonhar por essa mancha que foi a guerra.

“Dunkirk” pode soar às vezes um pouco confuso, pois a câmera é colocada ao meio dos acontecimentos sem oferecer propriamente um protagonista, mas sim um grupo de pessoas. Temos até um personagem que acompanhamos desde o início, mas ele é inteligentemente colocado ali com o mesmo peso que os figurantes: vulnerável não apenas sob a ação do inimigo, mas também numa luta contra a ação da natureza.

 

 

Com uma trilha sonora pesada e constante, a noção de perigo e a sensação de urgência que aquelas pessoas viveram só aumenta, envolve o público a cada nota mais extensa que é tocada. Fugindo do clichê de dessaturar ao extremo a fotografia para dar um clímax mais de época, “Dunkik” é um filme que não tem medo de expor as cores, deixando até certa forma uma mensagem de atemporalidade, algo que poderia acontecer com qualquer um, em qualquer lugar e em qualquer parte da história, e não apenas meados de 1940.

Quando você estiver no cinema assistindo “Dunkirk”, algumas coisas acontecerão. Você sentirá medo pelo excelente trabalho visual casado com trilha sonora e efeitos visuais. Você se sentirá confuso, afinal o filme foge de uma estrutura cinematográfica confortável a que os longas contemporâneos se agarram e paralelamente dialoga com a confusão que uma guerra proporciona. Você se sentirá aliviado por perceber que não está realmente no meio de uma guerra. Você se sentirá mais humano por não se importar com o histórico de quem você estava assistindo, mas torcer virtualmente projetando a alguém que esteve lá em 1940 e que mereceu ser salvo e permanecer vivo. E por último, espero que você saia do cinema e sinta que acabou de ser testemunha de um filme que vai ser eternizado. Uma verdadeira obra-prima que Christopher Nolan e sua obsessão em apresentar imagens realistas, com o mínimo de CGI possível, presenteou uma época em que o cinema tem empolgado ao público mesmo com pouco, pela falta de boas referências. Ao início dos créditos, ouça a música, respire fundo e vá viver em paz.