Entre Nós | Crítica do Filme

Entre Nós | Crítica do Filme

 
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Isolados numa casa de campo, jovens amigos decidem escrever e enterrar cartas destinadas a eles mesmos, para serem abertas dez anos depois. Porém, após uma tragédia ocorrida naquele mesmo dia, os amigos ficam dez anos sem se ver. Agora, este reencontro irá trazer à tona antigas paixões, novas frustrações e um segredo mal enterrado.

 

Estréia: 27 de março de 2014

 

 

 

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Existe uma coisa nos reality shows que sempre me chamou a atenção e que em 100% dos grupos que não se permitem ingerir qualquer conteúdo me condenou com críticas ao parecer procurar uma razão para a existência de um estilo de programa visivelmente vazio de conteúdo. Pegar uma amostra de pessoas e coloca-las em observação durante 24 horas é um tremendo estudo comportamental humano, que pode nos adentrar nas mais obscuras verdades sobre essas pessoas. A quebra de filtro social e os limites onde o humano chega para atingir seu objetivo e conquistar seu prêmio dentro dos reality shows é apenas uma parte daquilo que todos nós somos no cotidiano. Em Entre Nós, somos convidados a entrar na vida de 7 amigos em uma viagem a uma casa de campo. Uma viagem não, duas. A primeira em 1992 e a segunda em 2002. Na primeira, jovens cheios de sonhos, buscando a concretização de um ideal de vida. Na segunda, pessoas que chegaram na metade da vida observando que o tempo passou rápido e que seus sonhos estão ficando para trás.

 

Dirigido por  Paulo Morelli e seu filho Pedro Morelli, Entre Nós é o filme nacional que surpreendentemente vai ao sentido contrário de tudo que chegou aos cinemas tupiniquins nos últimos anos. Um longa maturo, que prova que cinema é feito de história e não de piadas prontas e nem explosões. Na trama que começa em 1992, Felipe (Caio Blat) e Rafael (Lee Taylor), dois aspirantes a autor literário, estão em uma viagem junto com seus amigos e discutem os caminhos que seus livros devem ser tomados, quando um acidente de carro muda a vida do grupo dos 7 amigos que se reencontram 10 anos depois para abrir uma cápsula do tempo que haviam feito na mesma época.

 

Somos convidados pelo diretor  a conhecer os desejos e segredos de cada um dos personagens, nos revelando em doses homeopáticas as vontades e dilemas que esses personagens vivem 10 anos após conhecermos suas fases imaturas e idealistas. Interessantemente, apesar de termos o foco em praticamente 3 personagens dentro da trama principal, em nenhum momento conseguimos julgar as escolhas errôneas que eles podem ter tido em suas vidas. Apesar da falta de caráter completa de algumas ações, não escolhemos nenhum deles para ser herói ou vilão da trama.

 

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Mesmo que num primeiro momento nos sentimos um pouco confusos, pois nem todos os personagens são bem desenvolvidos de imediato, o filme resgata diversas vezes quem é cada um que estamos acompanhando. Durante diversos momentos o longa me lembrou o filme ‘Antes do Amanhecer’ (Before Sunrise, do diretor Richard Linklater, 1995). Mesmo parecendo uma comparação esdrúxula, devido a alta qualidade do filme, ele nos remete muito a um reality show que só depois de um tempo entendemos quem é quem dentro da história que nos contam.

 

Entre Nós é um filme simples, de diálogos naturais, que em muitos momentos me fizeram acreditar que aquelas pessoas realmente existem. A interação entre eles me soou natural a ponto de imaginar que os atores estariam interpretando eles próprios. Mesmo com algumas cenas que quebram o drama principal, algumas boas outras nem tanto, o filme merece um grande mérito por conseguir ser lançado em um país onde tramas mais complexas beiram à proibição entre o atual consumidor de cinema nacional. Posso estar empolgado por encontrar um produto brasileiro de tão alta qualidade, mas nesse momento Entre Nós, para mim, é um de meus filmes nacionais favoritos.