Feito na América | Crítica do Filme

Feito na América | Crítica do Filme

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Sinopse:

Barry Seal (Tom Cruise) é um piloto que trafica drogas e armas para o mítico cartel de Medellín e, recrutado pela CIA, torna-se agente duplo.

Diretor:

Doug Liman

Elenco:

Tom Cruise, Domhnall Gleeson, Sarah Wright, Jesse Plemons, Benito Martinez

Data de estreia:

14 de setembro de 2017

Doug Liman pode estar um tanto mais audacioso, mas Tom Cruise continua o mesmo de sempre em “Feito na América”, o novo filme que se propõe a trazer uma perspectiva diferente sobre o cenário das drogas na época do Cartel de Medellin.

Não é a toa que estas palavras te fazem lembrar de Narcos, a série da Netflix. Pablo Escobar, e outros personagens desta história real estão por aqui, porém menos caracterizados e, obviamente, menos aprofundados. Em “Feito na América”, o foco é no personagem americano de Cruise, um piloto de avião que acaba se envolvendo com uma operação secreta da CIA.

O filme começa praticiamente já em seu segundo ato. Temos muito pouco tempo dedicado à retratar a vida comum do personagem, bem como suas frustrações e motivações. O filme logo engata seu primeiro conflito e o ritmo se mantém acelerado até o fim, com diversas cenas expositivas que aproveitam uma estilização até que incomum para um diretor como Doug Liman.

Esse ritmo acelerado acaba prejudicando um pouco os efeitos do filme. As viradas do roteiro são pouco pontuadas e temos pouco tempo para assimiliar as consequências de cada conflito. Outro fator que também não ajuda nessa assimilação é o personagem de Tom Cruise acabar parecendo muito mais passivo do quê o necessário para um personagem principal. As coisas parecem acontecer “com ele” e não “por causa dele”, ou de suas ações.

A retratação da época é até interessante. O clima que já é tão aproveitado pela série Narcos acaba sendo o maior atrativo de “Feito na América”, com o constante clima de hostilidade com que os EUA tratavam o crescimento do mercado de drogas nos países mais baixos. A sensação de urgência mantém a atenção do espectador apesar dos problemas de narrativa.

É perfeitamente possível aproveitar este filme como uma história divertida, mas meu maior incômodo está no fato de que diversas situações ao longo da trama são essencialmente engraçadas, porém o diretor não parece possuir o tato necessário para aproveitá-las como alívio cômico. Esse tato estaria perfeitamente alinhado com a já citada estilização do filme, e traria uma experiência muito mais envolvente.

Ao mesmo tempo, me pergunto se boa parte dessa perspectiva equivocada não se dá também por causa da escalação de Tom Cruise no papel principal. Assim como a maioria dos últimos filmes do ator, sua personalidade carismática parece se sobrepor aos personagens que interpreta e acaba não desenvolvendo nenhuma distinção realmente engajante.

Talvez com outro diretor, ou outro ator no papel principal, Feito na América poderia ser uma grande “comédia dramática”, nos moldes do que Scorsese fez com “O Lobo de Wall Street”. Há um potencial interessente aqui que merecia ser um pouco mais explorado e melhor desenvolvido, mas isso não tira a diversão que o espectador poderá ter com mais essa viagem além da fronteira dos EUA.