Gringo: Vivo ou Morto | Crítica do Filme

Gringo: Vivo ou Morto | Crítica do Filme

 

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Sinopse:
Funcionário dedicado e marido exemplar, Harold Soyinka (David Oyelowo) leva uma vida pacata em Chicago. Enfrentando problemas financeiros, ele descobre que a empresa em que trabalha está negociando uma fusão, que pode resultar em sua demissão. Aos poucos David passa a acreditar nesta possibilidade, devido a atos suspeitos de seu chefe e “melhor amigo” Richard Rusk (Joel Edgerton). Quando Richard e sua sócia Elaine Markinson (Charlize Theron) resolvem acompanhá-lo em uma viagem de trabalho corriqueira ao México, David vê a situação como a oportunidade ideal para fingir ter sido sequestrado e, desta forma, pedir um polpudo sequestro. O que ele não imaginava era que Pantera Negra, o chefão do crime organizado local, está também atrás dele.

Diretor: Nash Edgerton

Elenco: David Oyelowo, Joel Edgerton, Charlize Theron, Tandie Newton, Amanda Seyfried

Data de estreia:
3 de Maio de 2018

DIzem que é possível transformar um roteiro bom em um filme ruim, mas que pouquíssimos diretores seriam capazes produzir um filme bom a partir de um roteiro ruim. Há momentos em Gringo: Vivo ou Morto que evidenciam muito bem ambos os lados desta conclusão, embora o elenco repleto de bons atores adicione uma bem-vinda camada de charme e química para personangens tão dispersamente aproveitados.

Gringo: Vivo ou Morto” procura empregar diversos aspectos típicos de “thrillers” de ação atuais, muitos destes tendo encontrado um espaço adequado na televisão. O filme abre com uma cena desconexa, onde acompanhamos os personagens de Joel Edgerton e Charlize Theron recebendo uma ligação desesperada do personagem de David Oyelowo, que acaba de ser sequestrado no México e pede por um resgate milionário. Com um corte abrupto antes de exibir o título do filme, a intenção por detrás da cena é clara: Estabelecer uma atmosfera de tensão e impulsividade para os personagens, em meio à uma situação de risco repentina.

No entanto, a falta de eficiência deste começo é perfeita para ilustrar a falha do filme como um todo. Apesar das boas intenções, Gringo: VIvo ou Morto dificilmente consegue transpor o ritmo e os efeitos propostos por um roteiro claramente influenciado pelos trabalhos de diretores como os Irmãos Coen (mais especificamente, seu premiado trabalho em “Fargo”). Onde a ideia era criar uma escalada de emoções, a direção do filme parece sempre estar um passo atrás, raramente conseguindo proporcionar o choque de coincidências absurdas que procura estabalecer.

Parte destes problemas pode ser atribuída à uma trilha sonora pouco memorável, que dificilmente complementa as cenas em questão além do modo mais genérico. Mas é díficil não apontar as maiores falhas de Gringo: Vivo ou Morto para sua direção. Digo isso, pois ficam evidentes diversas intenções do roteiro, onde este busca construir situações improvaveis com resultados inesperados e assim, entregar momentos de perplexidade para o espectador. Esta perplexidade, no entanto, acaba sendo sabotada por uma direção que não arquiteta suas preparações com o enaltecimento necessário, ou a freneticidade constante que costuma constituir tal atmosfera. Concisão também é algo que faria maravilhas para uma narrativa com esta.

Um bom roteiro pode virar um filme ruim.

Ao mesmo tempo, o roteiro de Gringo: Vivo ou Morto também não está livre de excessos inapropriados e falta de atenção onde esta era devida, principalmente na maneira como dispõe seus personagens centrais e suas respectivas narrativas. Equivocadamente, o roteiro parece crer que para se construir as improbabilidades chocantes que almeja, é necessário traçar as histórias de personagens meramente complementares à trama principal, ainda que somente para este objetivo. Tanto o núcleo da personagem de Amanda Seyfried e seu namorado, quanto as constantes interações entre Edgerton e Theron são demasiadamente expostas sem um propósito palpável (ou sequer, personalidades interessantes), e contribuem para um ritmo fraco e cenas dispensáveis dentro do contexto principal do filme.

Contribuindo ainda mais para este ritmo falho, a estrutura em que estas cenas dispensáveis são interecaladas com o personagem principal é, também, questionável, dispersando a atenção do espectador ao invés de guiá-la por entre os elementos que irão compor o absurdo.

Um roteiro ruim dificilmente produzirá um filme bom.

Há alguns raros momentos em que a direção e o roteiro parecem estar em harmonia, gerando maior emoção no espectador e movendo a narrativa com mais eficiência. Mas com um primeiro ato extenso, um segundo ato enfadonho e um terceiro ato disperso, dificilmente o potencial de Gringo: VIvo ou Morto será alcançado com um público cada vez mais impaciente. Pelo menos, o elenco está ali fazendo o quê pode para nos manter interessados em seus personagens, ainda que estes nem sempre sejam tão interessantes assim.