Jack: O Caçador de Gigantes | Crítica do filme

Jack: O Caçador de Gigantes | Crítica do filme

nota3jack: caçador de gigantesNão é de hoje que os contos de fadas vem ganhando suas versões cinematográficas live action nos cinemas. Porém nesses dois últimos anos a invasão desse tipo de filme tomou proporções épicas, e agora a bola da vez é Jack: O Caçador de Gigantes, que é uma adaptação do conhecido João e o Pé de Feijão. Diferentemente de muitas adaptações por aí, Jack já se destaca pela escolha da direção e elenco. Bryan Singer, que atualmente trabalha no novo filme dos X-Men, e Ewan McGregor são os grandes astros dividem o filme com Nicholas Hoult, também conhecido como o menino do filme Um Grande Garoto e recentemente visto em Meu Namorado é um Zumbi e a atriz Eleanor Tomlinson (Alice no País das Maravilhas). Completam o elenco Stanley Tucci (O Diabo Veste Prada), Eddie Marsan (Branca de Neve e o Caçador), Ian McShane (Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas).

O filme que é uma leitura moderna do conto, começa desde suas primeiras cenas brincar com o universo infantil revelando o mundo ao redor dos protagonistas Jack (Hoult) e Isabelle (Tomlinson). É curioso como a sensação de grandiosidade de cada personagem vem de formas diferentes. Para Jack, em sua pequena casa, na qual vive com seu pai, o seu olhar para ele é de um ser pequeno devido a proporção da casa. Já para Isabelle, uma princesa que vive em um enorme palácio, sua pequenez se dá pela grandiosidade da arquitetura em que vive.

Desde jovens os dois convivem com a lenda dos gigantes moram entre o céu e a Terra, na qual os ancestrais aprisionaram-os quebrando a ponte que servia de ligação deles com os humanos: um enorme pé de feijão. O que restou da planta foram alguns grãos e a coroa forjada na qual é a única forma de controlar os gigantes sanguinários. Anos se passam, e a história nunca foi comprovada até que saqueadores roubam a coroa e os grãos do tútulo do rei e esses acabam parando nas mãos do camponês Jack que é  o responsável por molha-los e mandar a princesa para as terras dos gigantes. Em uma missão de resgate os principais soldados do rei e Jack sobem para as nuvens, porém não contavam que entre eles existia um traidor e que os gigantes fossem descer até a Terra colocando em risco e existência de seus reinos.

O filme é bem genérico. Comparado com algumas bombas adaptadas dos contos dos irmãos Grimm, como Espelho, Espelho Meu e João e Maria Caçadores de Bruxas, a qualidade do filme se sobressai, porém analisando-o  isoladamente é um filme que não sai do lugar comum. Possui um roteiro padrão usado em diversas produções. O herói parte em busca para resgatar a princesa, e um traidor no grupo é o responsável por libertar um mau maior, fazendo o herói se provar superior e ganhar a mão da donzela no final.  A estrutura é propositalmente infantil, mesmo porque o público que o filme quer atrair é de fato os mais novos.

Não posso deixar de sitar que percebi também algumas homenagens às animações da Disney Aladdin e O Rei Leão.  A nossa princesa em questão está sendo obrigada pelo seu pai a se casar com um homem que ela não ama, nisso, sentindo-se sufocada ela parte para a cidade na qual acaba conhecendo o camponês que futuramente será seu par romântico. A luta entre o personagem de Ewan McGregor e um dos vilões no filme termina em posicionamentos que lembram muito o confronto entre Scar e Simba, inclusive as reviravoltas se mostram bem semelhantes com a do desenho da Disney.

A conversão para 3D foi uma das que mais me incomodou desde O Último Mestre do Ar do diretor M. Night Shyamalan. As cenas em perspectiva da visão dos gigantes para os humanos possui um 3D tão forçado que incomoda a visão. O filme abre sua mente para um universo de fantasia, porém o próprio não respeita a realidade ali apresentada. Dos pontos que mais se perde é o final “genial” que algum produtor deve ter dado a sugestão. A brecha para sequência é quase que óbvia de ter, isso é quase uma regra nas grandes produções de hoje, mas fugir de todo o universo apresentado até o momento fez o filme perder a oportunidade de acabar coeso.

Como uma adaptação de contos de fadas com uma história simplória sem uma trama complexa por trás, a agregação dos elementos surgem de forma natural na tela. A inserção de uma personagem feminina no conto e o respeito com o conto em si pode ser o grande mérito dessa adaptação, porém está bem longe de ser um filme surpreendente. Para a criançada é uma ótima opção não somente por apresentar de uma forma diferente um conto, que para uma geração um pouco mais velha apenas esteve na imaginação, mas também por ser um material com uma qualidade técnica boa que querendo ou não, com inúmeras ressalvas, acaba relembrando um pouco os filmes de fábulas e magia oitentistas.