Jogos Mortais: Jigsaw | Crítica do Filme

Jogos Mortais: Jigsaw | Crítica do Filme

_Estrela

Sinopse:

Depois de uma série de assassinatos, todas as pistas estão sendo levadas a John Kramer (Tobin Bell), o assassino mais conhecido como Jigsaw. À medida que a investigação avança, os policiais se encontram perseguindo o fantasma de um homem morto há mais de uma década.

Diretor:

Michael Spierig, Peter Spierig

Elenco:

Callum Keith Rennie, Clé Bennett, Hannah Emily Anderson, Laura Vandervoot, Tobin Bell, Clé Bennett

Data de estreia:

30 de Novembro de 2017

 

 

A franquia “Jogos Mortais” não merece muito, mas merecia mais do que isso. Embora nenhum dos outros filmes tenha conseguido recriar a experiência do original, dirigido por um jovem James Wan, a franquia sempre teve seus pontos constantes, capazes de empolgar o espectador, e servir a sua função de terror escapista, ainda que nem sempre fossem bons filmes. Pois nesta nova sequência/reboot, os erros permanecem (alguns ainda mais presentes) e o quê funcionava, foi deixado de lado.

Jogos Mortais: Jigsaw traz um grupo completamente novo de personagens. Temos novamente um núcleo de policiais, tão mal desenvolvidos quanto nos filmes anteriores, e um novo jogo sendo executado durante o filme. Assim como em filmes anteriores, os políciais correm contra o tempo para impedir que o jogo se conclua, enquanto as novas vítimas precisam refletir sobre seus pecados para escapar das armadilhas criadas por Jigsaw.

A presença de John Kramer permeia por todo o filme, sempre procuando criar a expectiva em cima da possibilidade do famoso serial-killer ainda estar vivo. Jogos Mortais sempre trouxe soluções mirabolantes pouco acreditáveis, capazes de gerar um impacto imediato no espectador, porém facilmente descontruídas caso você se proponha a analisá-las por alguns segundos. Diferente dos anteriores, Jogos Mortais: jigsaw continua com soluções pouco acreditáveis, porém nem de longe tão mirabolantes, diminuindo ainda mais qualquer possível impacto.

O principio cínico por trás das armadilhas de John Kramer sempre foi o grande atrativo da franquia. A ideia onde as vítimas são perfeitamente capazes de vencer seus respectivos jogos, caso consigam encarar seus pecados e lutar por suas vidas. Este é um príncípio que, inclusive, foi usado como justificava para descartar “armadilhas impossíveis” criadas por personagens imitadores nos filmes anteriores. Era simples, mas servia seu propósito para contar a história. O novo capítulo ainda se propôe a manter a mesma essência, porém sem o destaque necessário, as regras acabam sendo banalizadas.

 

 

Outro grande atrativo, é claro, sempre foram as imagens chocantes que resultavam dos jogos. Com oito filmes na franquia, era esperado que, eventualmente, a criatividade para formular tais jogos fosse acabando, Mas jogos Mortais: Jigsaw parece se importar ainda menos com inovações, e entrega armadilhas gênericas, muitas delas visualmente desinteressantes.

Os elementos funcionais da franquia foram sendo esquecidos pelos diretores. Duas características essenciais de Jogos Mortais sempre foram a presença da máscara de porco (sempre à espreita para sequestrar as vítimas, e responsável por diversos jumpscares) e a música tema, usada para proporcionar a tensão necessária durante os minutos finais de todos os filmes, onde o antagonista revela seu grande plano, o que (geralmente) resultava em uma grande reviravolta. Pois no novo filme, a máscara é usada apenas uma vez, em um contexto preguiçoso, e a música final é extremamente mal utilizada, minando qualquer traço de emoção.

Soluções fracas, igualmente mal construídas, ainda mais genéricas. Personagens típicos de filmes de terror que não trazem nada de novo, e se tornam facilmente esquecíveis ainda no segundo ato. Atuações condizentes com um roteiro mal trabalhado. Trilha sonora pouco inspirada. É basicamente tudo que Jogos Mortais sempre foi, menos as partes interessantes. Havia muito potencial à ser explorado por aqui, mas fica claro que não foi apenas uma questão de falta de coragem, mas também falta de experiência e habilidade dos diretores de contar uma história intrigante ou , no mínimo, condizente com o quê veio antes.

A sensação é de que nunca assistiram nenhum filme da franquia, antes de planejar esta continuação.Jogos Mortais: Jigsaw” é o tipo de “filme zumbi” que deveria ter continuado enterrado.