Kingsman: Serviço Secreto | Crítica do Filme

Kingsman: Serviço Secreto | Crítica do Filme

 
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Baseado na aclamada história em quadrinhos e dirigido por Matthew Vaughn (X-Men: Primeira Classe), Kingsman: Serviço Secreto conta a história de uma agência de espionagem super secreta, que recruta um garoto desleixado, mas promissor para participar do treinamento competitivo da agência, ao mesmo tempo em que um gênio da tecnologia ameaça o mundo.

 

 

 

Estréia:05 de março de 2015

 

 

 

Em 2012 Mark Millar e Dave Gibbons criaram a HQ The Secret Service. Nela um superespião recruta seu jovem sobrinho para uma organização secreta. A obra faz referência a muito dos filmes clássicos de James Bond e séries de espiões como Missão: Impossível e Agente 86. O sucesso da obra fez com que a história recebesse uma nova roupagem para o cinema e assim surge Kingsman – Serviço Secreto, dirigido por Matthew Vaughn e escrito por Jane Goldman e pelo próprio Vaughn. Essa é, inclusive, a mesma equipe que capitaneou outra adaptação de grande sucesso de Millar, Kick-Ass! E sem dúvida, muito da expectativa em torno de Kingsman se deve ao grande sucesso de Kick-Ass.

 

Com o mesmo DNA, o filme usa e abusa da violência estítica para contar a história do espião veterano Harry Hart (Colin Firth), membro da organização internacional independente Kingsman que recruta um jovem talento, Gary ‘Eggsy’ Unwin (Taron Egerton), para o programa de treinamento da agência. Ao mesmo tempo, a organização deve lidar com uma ameaça global criada por um gênio da tecnologia. Os agentes do Kingsman são os estereótipos definitivos do superagente secreto perfeito, regada a energético e muito sangue. Por mais exagerada e estilizada que possa ser a direção de Matthew Vaughn, ela respeita todos os cânones de um estilo que ficou para trás com as reinvenções modernas dos filmes de agente secreto. 007 não utiliza mais supercarros e relógios com mil funções.

 

O Agente Ethan Hunt da franquia Missão Impossível até tenta, mas não faz as mesmas ações mirabolantes que sua contra parte dos anos 60 fazia. Logo, essa tentativa de tornar os agentes secretos algo mais realista, tirou deles o que era mais divertido, a sua total falta de compromisso com a realidade. Retomando essa herança ancestral, o filme não se acanha em parecer bobo ou sínico ao fazer homenagens aos filmes e séries que os jovens nunca sequer ouviram falar. Diálogos inteiros e trilhas sonoras são calculados para despertar uma sensação de nostalgia no público que cresceu vendo filmes de James Bond com Pierce Brosnan ou a versão truculenta e charmosa de Sean Connery, ou ainda a libertina versão de Roger Moore.

 

Mas apesar da enorme quantidade de referencias, Kingsman conseguiu a proeza de não parecer datado, apesar de exagerado. Isso tudo, graças à linguagem dos games que dá o tom com, por exemplo, no uso efetivo da câmera subjetiva, onde conseguimos ver um verdadeiro “hub” de informações a qual o agente tem a disposição quando coloca suas lentes especiais. Já outras cenas, parece que foram desenhadas para uma fase de vídeo game, como a já icônica sequencia da igreja e a posterior missão final do longa. Sem falar do vilão, uma versão corrompida de gênios como Bill Gates e Steve Jobs, com seu plano extremamente exagerado, mas não menos intrigante.

 

A história pode parecer clichê e ninguém se preocupa em negar isso. A famosa jornada do herói, sem esquecer nenhuma das passagens. Mas isso de forma nenhuma é um demérito, pelo contrário. O roteiro amarrado e cheio de emoção o faz esquecer qualquer tecnicidade. Os personagens são em sua grande maioria carismáticos e tão cheios de vida que por mais estereotipados que sejam ainda consegue cativar o público. E ao final da sua jornada, Eggsy se transforma em um novo tipo de superespião, em sintonia com o seu tempo, mas sem esquecer as suas raízes.

 

No final, Kingsman é um filho direto de Kick-Ass, a sua adaptação para os cinemas segue os mesmos critérios do projeto anterior de Vaughn, o que pode dar um gosto de repetição. Sentimento que em parte parece ser verdadeiro, mas que de forma nenhuma é um problema aqui.