Kong: A Ilha da Caveira | Crítica do Filme

 Kong: A Ilha da Caveira

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Sinopse: Uma diversa equipe de cientistas, soldados e aventureiros que se unem para explorar uma ilha mítica e intocada no oceano Pacífico, tão bela quanto perigosa. Longe de tudo e todos que podem os ajudar, a equipe se aventura no território do poderoso Kong, dando início à maior das lutas entre o homem e a natureza. Quando sua missão de descoberta se transforma em uma missão de sobrevivência, a equipe deve lutar para escapar de um paraíso primitivo ao qual a humanidade não pertence.

Diretor: Jordan Vogt-Roberts

Elenco: Tom Hiddleston, Sam Jackson, Brie Larson, John Goodman, Tian Jing, Corey Hawkins, Jason Mitchell, John Ortiz, Shea Whigham e Toby Kebbell

Estréia: 09 de março de 2017

 Kong: A Ilha da Caveira
Lembra em 1992 quando você era uma criança (ou não) e viu os dinossauros de Jurassic Park pela primeira vez? Confesso que ao assistir Kong: A Ilha da Caveira a sensação foi semelhante. Não igual. Afinal hoje não nos encantamos tanto com animais gigantescos contracenando com atores reais. O que nos encanta mais é de fato uma história bem contata, com bons personagens e um ritmo agradável. Podemos dizer que esse novo Kong tem quase tudo isso, dando de fato a coroa de King para um filme que, para muitos, era desacreditado.

Após o mediano Godzilla em 2014, dirigido por Gareth Edwards, que covardemente escondeu o monstrengo gigante por quase toda a projeção, vem o novato Jordan Vogt-Roberts, com apenas um longa lançado nos cinemas até então, fazer um dos melhores filmes de King Kong de toda história. Sem medo de exagero, tão pouco na intenção de parecer real, o longa já se apresenta extremamente caricatural desde sua abertura. Dois inimigos de guerra caem na misteriosa ilha, quando se deparam pela primeira vez com o maior Kong já feito para os cinemas até hoje.

O filme quase pensa em ser politizado ao inserir em seu contexto a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã, mas passa tão por cima que só serve mesmo para nos situar na época. Tal contextualização é também retratada na presença maciça de trilha sonora. Parece que dentro da Warner Bros. desde Esquadrão Suicida virou uma regra usar um grande número de músicas nos longas. Porém, aqui elas funcionam, pois deixam o clima mais leve e levam o espectador para momentos de entretenimento bem sucedidos.

O longa perde em atuações, pois não dá tempo para desenvolver seus protagonistas e antagonista humano. O diretor sabe que, num longa de monstro gigante, quanto maior o elenco, mais alimento nosso protagonista animal terá para desfrutar. Tom HiddlestonBrie Larson não convencem o público como heróis, tão menos Samuel L. Jackson parece ter deixado de lado seu personagem em A Lenda de Tarzan. A sensação que dá é que Jackson assinou um único contrato para interpretar o mesmo personagem nos dois filmes.

Mesmo com essas fraquezas, o longa é convincente em grande parte do tempo e mantém o espectador curioso com o desenvolvimento e exploração dessa ilha misteriosa. Somos apresentados bem porcamente aos nativos da região apenas para chegar ao melhor personagem da trama (depois de Kong, claro), vivido por John C. Reilly. Ele consegue ser o único elo emocional que temos durante toda a projeção. A conclusão de seu personagem diminuiu a adrenalina que ótimas cenas de ação proporcionam.

Os méritos de Jordan Vogt-Roberts vão além de uma boa sustentação em uma história enxuta, ele não tem medo de enquadrar personagens do tamanho de prédios com personagens do tamanho de humanos em uma mesma cena, e faz isso satisfatoriamente, sem que se perca a qualidade ou que se crie a ilusão de um cenário digital falso. Ele soube colocar a câmera exatamente nos pontos mais importantes nas cenas de ação.

O visual do filme também se destaca tanto em sua fotografia quanto em seu design. Em alguns momentos há a sensação de filmes com saturações irregulares, destacando os vermelhos e desbotando os verdes, já em outros momentos há uma nitidez quase de um desenho animado, com um sol gigantesco brilhando em um céu vermelho. Tudo isso mesclado com câmeras em slow motion, árvores que são usadas como armas por nosso protagonista e humanos em uma situação de extrema urgência dão a Kong uma cinematografia adequada para o gênero.

Não sei como Kong: A Ilha da Caveira vai envelhecer. Muitos filmes aos quais hoje assistimos e achamos eternos acabam caindo no esquecimento pouco tempo depois. Porém, acho difícil acontecer isso com esse Kong, mesmo porque é a primeira vez que temos uma história nova com um personagem tão explorado (apesar de o filme de Peter Jackson em 2005 ter dado a impressão de que King Kong não ganharia mais uma nova roupagem tão cedo). É um filme pipocão, despretensioso que acerta em cheio no gênero, com direito a cenas pós créditos e uma sensação de saciedade após a projeção.



 

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Rodrigo Santuci

Publicitário por profissão e cinéfilo por paixão. É o fundador do site Plugou. Apaixonado por cinema desde pequeno, nunca se incomodou em passar horas sozinho tentando entender como os filmes funcionam. Apaixonado por quadrinhos e games apesar de ter abandonado os dois com os passar dos anos. Tem dificuldade para jogar qualquer coisa mais complexa que Alex Kidd in Miracle World. Trabalha com Internet desde 1999 e já foi diretor de arte nas maiores agências de publicidade da Brasil. Em 2000 abriu junto com o jornalista Matheus Mocelin Carvalho e o ilustrador Fernando Ventura o Disney News e o AnimationS fórum (um dos principais canais de comunicação entre admiradores de cinema de animação). Em abril de 2012 começou o projeto Plugou e se dedica diariamente encontrar novos diferenciais para o portal.