Lady Bird: A Hora de Voar | Crítica do Filme

Lady Bird: A Hora de Voar | Crítica do Filme

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Sinopse:
Christine McPherson (Saoirse Ronan) está no último ano do ensino médio e o que mais deseja é ir fazer faculdade longe de Sacramento, Califórnia, ideia firmemente rejeitada por sua mãe (Laurie Metcalf). Lady Bird, como a garota de forte personalidade exige ser chamada, não se dá por vencida e leva o plano de ir embora adiante mesmo assim. Enquanto sua hora não chega, no entanto, ela se divide entre as obrigações estudantis no colégio católico, o primeiro namoro, típicos rituais de passagem para a vida adulta e inúmeros desentendimentos com a progenitora.Diretor:
Greta Gerwig

Elenco:
 Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Lucas HedgesTimothée Chalamet, Beanie Feldstein, Stephen McKinley Henderson, Lois Smith .

Data de estreia:
15 de Fevereiro de 2018

Um dos favoritos deste temporada de premiações.Lady Bird: A Hora de Voar recebeu destaque durante os útlimos meses desde sua estreia no circuito de festivais. Em sua maioria, os elogios iam para a direção de Greta Gerwig (atriz, conhecida pelo filme “Frances Ha”) e a atuação de Saiorse Ronan no papel principal. Mas principalmente, a crítica prezou uma abordagem inovadora à uma história sobre a adolescência feminina.

Não é necessário muito tempo antes de perceber o quanto Lady Bird: A Hora de Voar é um filme extremamente pessoal. Não apenas por causa da história intimista, mas também por uma execução pouco comprometida com convenções do gênero. Gerwig construiu um filme “coming of age” (gênero de filmes sobre o desenvolvimento de adolescentes), mas não se ateve às regras de progressão que costumamos ver em personagens jovens e rebeldes.

À começar pelo fato da personagem principal, uma jovem que exige ser chamada de “Lady Bird”, não possui nenhum conflito imediato que a faça tomar alguma atitude catalizadora durante o começo do filme. Isso resulta em uma estrutura irregular de causas e consequências que poderiam fazer o espectador se desinteressar pela jornada apresentada. Peculiarmente, este não é o caso aqui.

Ao invés do conforto que o direcionamento de uma narrativa comum proporciona, o espectador se pega interessado pelos personagens graças a naturalidade e imprevisibilidade de diálogos que, à primeira vista, poderiam ser encarados como triviais. O roteiro, também escrito por Gerwig, esbanja o caráter pessoal que citei anteriomente ao concentrar boa parte de seus esforços em construir situações familiarizaveis para o público, em especial o público feminino.

Eis que me surge um dilema na hora de fazer esta crítica. Pois se devo julgar as qualidades técnicas de Lady Bird: A Hora de Voar”, minhas impressões não são das melhores. É um filme que, em termos leigos, passa aquela sensação de “filme indie”, graças à sua típica montagem. A fotografia e a trilha sonora, condizentemente, também não apresentam muita inspiração, deixando os holofotes brilharem realmente sobre as atuações.

Mas a experiência de assistir ao filme claramente supera parte da sua falta de técnica, graças às interações mesmerizantes dos personagens e a impetuosidade da protagonista. Se a crítica deve julgar o filme pela sua “sensação” (como tantos defendem hoje em dia), este veredito provavelmente seria mais positivo. Mas a tal “sensação” é, assim como o filme, pessoal. Varia de espectador para espectador, e para uma audiência feminina, creio que há muitos elementos familiares capazes de criar uma conexão emocional muito mais forte com as decisões e reações da personagem.

Alie estes elementos familiares com diversos momentos de alívio cômico durante as interações adolescentes e o filme se torna ainda mais aproveitável de uma maneira descompromissada.

Compreendo então a comoção em volta do filme. É uma obra relevante para o cenário atual de produções, e merece sim a atenção do público, mesmo que este não costume se interessar pelo circuito de premiações. Mas tecnicamente,Lady Bird: A Hora de Voar fica abaixo de outros filmes de 2017 que exibiram inovações e execuções muito mais dignas de reconhecimento.