Lady Macbeth | Crítica do Filme

Lady Macbeth | Crítica do Filme

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Sinopse:

Katherine (Florence Pugh) está presa a um casamento de conveniência. Casada com Boris Macbeth (Christopher Fairbank), a jovem agora se vê integrante de uma família sem amor. É só quando ela embarca em um caso extraconjugal com um trabalhador da propriedade do marido que as coisas começam a mudar. Ela só não contava que isso iria desencadear vários assassinatos.

Diretor:

William Oldroyd

Elenco:

Florence Pugh, Cosmo Jarvis, Naomi Ackie, Christopher Fairbank

Estreia:

10 de agosto de 2017

 

 

Um grande filme com diversos elementos que merecem ser apreciados, “Lady Macbeth” traz um excelente trabalho cinematográfico, mas sem muito apelo ao grande público.

Não há outra maneira de se começar esta crítica além de dizendo que Florence Pugh é um nome que provavelmente iremos ouvir com mais frequência nos próximos anos. A atriz responsável por dar vida à personagem principal está praticamente impecável, entregando uma atuação que corresponde às altas exigências de seu papel.

“Lady Macbeth” conta a história de uma jovem “vendida” em casamento para um herdeiro bem mais velho que ela, que se encontra em situações de tédio profundo e frustrações constantes com sua nova vida e seu marido. A jovem, chamada Katherine, passa por uma série de eventos onde se transforme de uma menina inocente, para uma manipuladora cruel.

Diversos momentos do filme podem traçar paralelos com um dos sucessos deste ano, Get Out (de Jordan Peele). A história também procura passar uma crítica social, porém de uma maneira não tão escrachada quanto em Get Out. Outra semelhança é a referência ao gênero de horror, procurando criar atmosferas de tensão e expectativa em cima das ações da personagem.

Diferente de outros filmes com propostas semelhantes,“Lady Macbeth” quase não possui trilha, e procura construir sua atmosfera por meio de suas atuações, em longos planos estáticos. O espectador que não está acostumado com esse tipo de trabalho pode facilmente classificar um filme como este como sendo “chato”, o quê é perfeitamente compreensível.

 

 

O engajamento do espectador deve vir pela sua atenção à personagem principal e pela antecipação de suas ações que movimentam todos os conflitos e viradas do filme. Ao se apaixonar por um rapaz trabalhador da casa, a jovem acaba se afundando cada vez mais em suas mentiras e atos de rebeldia, trazendo o tipo de personagem ativo que tanto gostamos de acompanhar.

A fotografia do filme não é nada mirabolante, mas capta muito bem o cenário ao redor. E que cenário! Certamente,“Lady Macbeth” traz um dos melhores designs de produção do ano para um filme deste porte. As câmeras estáticas que citei também contribuem para que cada detalhe seja devidamente notado.

Com um personagem difícil e complexo, Florence Pugh demonstra que é capaz de carregar o filme inteiro nas costas ( apesar do resto do elenco não decepcionar), e é capaz de manipular o público com a mesma facilidade com que manipula os personagens a sua volta. Minha única ressalva é realmente a falta de alguns elementos que poderiam tornar o filme mais acessível, e que poderiam ter sido inseridos sem perder a proposta.

“Lady Macbeth” possui uma sinopse interessante e consegue entregar tudo que promete. Caso você tenha a paciência para acompanhar (o filme possui apenas 88 minutos), é uma obra que vale a pena ser assistida.