Liga da Justiça | Crítica do Filme

Liga da Justiça | Crítica do Filme

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Sinopse:

Alimentado por sua fé restaurada na humanidade e inspirado pelo ato de altruísmo de Superman, Bruce Wayne busca a ajuda de sua nova aliada, Diana Prince, para encarar um inimigo ainda maior. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha trabalham rapidamente para encontrar e recrutar um time de meta-humanos para encarar essa ameaça recém-desperta. Mas apesarda formação dessa liga sem precedentes de heróis – Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Ciborgue e Flash – talvez seja tarde demais para salvar o planeta de um ataque de proporções catastróficas.

Diretor:

Zack Snyder

Elenco:

Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot, Raymond Fisher, Jason Momoa e Ezra Miller

Data de estreia:

15 de novembro de 2017

 

 

Quando partimos para uma sessão de cinema, sempre esperamos receber o melhor possível em troca do valor pago do ingresso e do nosso tempo dedicado àquele universo. Porém, como é de costume, criamos um pré-conceito em cima de alguns filmes, às vezes por eles serem uma sequência de algo que não nos agradou, ou por terem aquele ator que não é considerado tão bom, ou terem aquele diretor que abusa da boa vontade do público e sempre entrega obras exaustivas. Confesso que estava aguardando por Liga da Justiça há muitos anos, mas meu pré-conceito sobre o filme não me deixava criar expectativas sobre ele, principalmente pelo que foi entregue ano passado por seus antecessores Batman vs Superman: A Origem da Justiça e Esquadrão Suicida. Não os considero filmes ruins, mas sim filmes que se perderam e não conseguiram entregar. Esperava encontrar em Liga da Justiça a mesma confusão e impacto negativo que recebemos anteriormente. Felizmente estava enganado, e a cada cena que Zack Snyder apresentou nesse filme só me fazia levantar um pouco mais da cadeira e prestar atenção nesse que é sem dúvida um dos melhores filmes do gênero neste ano.

Liga da Justiça sempre foi um de meus desenhos favoritos, apesar de não ser um leitor de HQs. Aquele universo que mesclava meus heróis de infância parecia cada vez mais distante de ser consolidado positivamente. Mas hoje posso dizer que o filme me fez voltar à infância e me sentir revendo um novo episódio da animação. O longa entrega de forma honesta o que a DC Comics estava precisando nos cinemas: um filme confortável, sem grandes invencionismos e que colocasse a franquia de volta aos trilhos rumo a um universo de longa-metragens compartilhados.

 

 

Ele não engana o público, é honesto e funciona. A difícil tarefa de manter um primeiro ato de apresentações de novos personagens é extremamente feliz, e não deixa o público perdido em nenhum momento. Personagens como Aquaman, Flash e Ciborgue possuem uma leve introdução que já deixa o público preparado para seus filmes individuais no futuro, que podem seguir a mesma lógica de flashback como foi o longa da Mulher-Maravilha.

Zack Snyder, que nunca foi um grande diretor de construir momentos e pincelar na tela sentimentos mais complexos, dessa vez teve a ajuda do veterano de filmes de heróis para completar Liga da Justiça. O toque mágico que Joss Whedon (que substituiu Snyder aos 45 do segundo tempo devido a uma tragédia pessoal) ajudou muito no ritmo e na construção de um mundo que precisa mais do que apenas heróis isolados defendendo seus territórios. Fica visível a quantidade de cortes que o filme sofreu e a inclusão de momentos cômicos para deixa-lo menos pesado.

 

 

No filme encontramos um mundo de luto pela morte do Superman. Os meta-humanos permanecem separados, mas Batman e Mulher-Maravilha estão dispostos a uni-los para defender o planeta de um mal maior. Cada personagem tem sua introdução. A introdução do Batman é fantástica. Temos algo muito próximo do que estamos acostumados a encontrar nas animações. O surgimento de Mulher-Maravilha também ganha o público logo no início do filme. Como ambos personagens já foram vistos antes, dispensam explicações de quem são eles, diferentemente do modo como Flash, Aquaman e Ciborgue chegaram na franquia.

A identidade sonora presente com a trilha de cada personagem vai fazer o público viajar no tempo. É muito importante observar como a música entra conforme os personagens vão surgindo na tela. Apesar de o filme extinguir momentos impactantes de sua trama, como por exemplo a entrada da Mulher-Maravilha no meio da luta em “Batman vs Superman”, o diretor cumpriu seu papel ao incluir momentos chave para atender aos fãs, o conhecido “fan service” (sim, isso inclui a adição de trilhas sonoras que muitos querem ouvir novamente há muito tempo). E por falar em “fan service” é bom lembrar que há sim cenas pós-créditos, uma não importante, mas extremamente divertida, e outra que leva o público para o que a Warner Bros. irá preparar para o futuro.

 

 

Podemos dizer que esse filme é sobre a Liga da Justiça e unicamente sobre a Liga da Justiça, sem dar espaço para mais nada. Com isso perdemos a oportunidade de tempo e explicação sobre o grande vilão da trama, Lobo da Estepe. O maniqueísmo do personagem e falta de um objetivo mais claro além de “querer destruir a Terra” faz com que o filme perca pontos. O longa que contém exatas 2 horas e 1 minuto fugiu completamente das gorduras que seu antecessor acumulou, algo que de início cheguei a comemorar, mas depois da sessão percebi que uns 15 minutos a mais para desenvolver melhor o antagonista e explicar sua origem, só faria bem.

O ponto alto do filme é certamente a presença de Barry Allen, o Flash. Além de Ezra Miller transbordar simpatia em sua atuação, ele é o responsável por aliviar a tensão causada pela atmosfera do filme. Todas as cenas em que ele participa acabam ganhando pontos pelo carisma do personagem. Batman de Ben Affleck está sem dúvidas muito mais fácil de digerir. Recordo que achei Affleck bom vestido de Batman no filme anterior, mas não tinha gostado de sua atuação como Bruce Wayne. Aqui ele consegue convencer tanto mascarado quanto sem máscara. Já tomou o personagem para si e o domina bem. Até sua dinâmica com Alfred (Jeremy Irons) está melhor e mais leve.

 

 

J.K. Simmons entra para a franquia como o clássico Comissário Gordon. Sua presença remete o histórico que possui com Batman durante 20 anos em Gotham e só nos faz querer ver mais a dinâmica que eles tiveram com os clássicos vilões. Se antes eu tinha dúvidas em relação ao novo filme individual do Batman (depois da incrível trilogia de Nolan), agora tenho certeza de que esse atual Batman pode agregar algo novo e de valor para o personagem.

Liga da Justiça é enxuto e é tudo aquilo que imaginamos e queríamos dele. Por esse caminho confortável que percorre, não há muitas viradas de roteiro que surpreendam o público. Tudo o que a audiência espera positivamente, vai ser entregue. Acho injusto rotular e falar que segue a fórmula da concorrência. É digno admitirem que estavam trilhando caminhos difíceis que não estavam funcionando.  O filme segue sim uma cartilha para o gênero, que definitivamente não é uma invenção do outro estúdio já que bons filmes de heróis estão sendo feitos há décadas. Ele adota um processo bem feito de se contar uma história: um começo, um meio e um fim focado na trama principal, sem excessos e nem sub-tramas vazias. Adaptar personagens deuses superpoderosos poderia ter caído na cafonice (e as vezes é fato que cai), mas o trabalho foi bem realizado e conseguimos acreditar que aqueles humanos são mais do que podemos ver. Faltaram momentos “épicos” que todos esperam desse tipo de filme, assim como também faltou uma trilha sonora original e marcante que identifique o conjunto de heróis. Mas, por outro lado, podemos ouvir determinados trechos de clássicas músicas que já fizeram parte da história de alguns personagens, e para mim, já foi o suficiente para substituir a grandiosidade imagética e trilha sonora inédita que faltou. Se antes estava sem expectativa que esse universo pudesse dar em alguma coisa, Liga da Justiça acendeu novamente a esperança que tenho. Afinal, aquele “S” quer dizer esperança, não é verdade?