Logan | Crítica do Filme

Poster for the movie "Logan"

_Estrela_Estrela_Estrela_Estrela

 

Sinopse: Em um futuro próximo, um cansado Logan cuida do doente Professor Xavier em um esconderijo na fronteira mexicana. Mas as tentativas de Logan de se esconder do mundo e de seu legado são interrompidas com a chegada de uma jovem mutante, perseguida por forças sombrias.

Diretor: James Mangold

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Elizabeth Rodriguez, Richard E. Grant

Estréia: 02 de março de 2017

 

 

Sabe quando você vai ao cinema já esperando mais ou menos o que encontrar, porém o filme supera as expectativas e, a cada vez que sua mente se volta para pensar sobre o que viu, você percebe que gostou muito mais do que num primeiro momento? Esse é o novo filme do Wolverine, Logan, longa que marca a despedida de Hugh Jackman do personagem que interpreta há 17 anos. Completamente desconexo de qualquer outro filme dos X-Men, o longa ainda consegue  não descartar por completo os acontecimentos vistos nos filmes anteriores, mas os encara de uma forma surpreendente.

 

Assim como Deadpool em 2016, Logan é o filme de herói completamente disruptivo da velha fórmula que mantém os estúdios confortáveis. Ele não apresenta mais do mesmo. Se não fosse pela presença dos personagens que já conhecemos como Wolverine e Professor Xavier, o filme poderia ser qualquer drama familiar entre um avô, um filho e uma neta.  Para a surpresa completa, é comandado pelo diretor do segundo longa do personagem, que tanto prometeu e pouco entregou, James Mangold. Tanto James quanto Hugh, na onda do sucesso de Deadpool, conseguiram sinal verde da Fox para a produção de um longa muito mais sangrento e adulto do personagem.

 

 

Em um cenário árido e desesperançoso, a trama conversa diretamente com um clássico do faroeste de 1953, Os Brutos Também Amam, mas também não tem como fugir de referências inesperadas como Hook: A Volta do Capitão Gancho. Mesmo com boa parte da produção se mantendo em alta, ele não está 100% livre de erros cometidos do passado, porém, aqui eles não prejudicam diretamente a trama e apenas pontuam como acontecimentos que fazem parte da mitologia X-Men nos cinemas. Os trágicos X-Men Origens: Wolverine e Wolverine: Imortal foram esquecidos quase por completo nesse que tem sido já chamado pela imprensa de “Cavaleiro das Trevas” da franquia X-Men, em referência à trilogia dirigida por Nolan.

 

Logan é o capítulo final de uma jornada de um personagem muito significativo para os filmes de heróis, no entanto é também uma apresentação de uma nova geração que seguirá esse legado iniciado nos anos 2000. Da mesma forma que Wolverine sempre tomou os holofotes em qualquer um dos filmes X-Men, Laura, a misteriosa garota brilhantemente interpretada pela jovem atriz Dafne Keen é quem dá um show. Mesmo sem falar boa parte da projeção, sua presença e expressões causam no público uma mescla de curiosidade e temor.

 

 

Apresentada como uma arma, uma das poucas mutantes que ainda existe naquele mundo, junto do velho Professor Xavier (que também está incrível), a garota de certa forma acaba virando um paradoxo dentro da lógica de classificações etárias nos cinemas. Filmes anteriores eram mais leves para que um público mais novo pudesse consumi-los nos cinemas. Aqui, em um filme extremamente violento, a inclusão de uma criança agindo violentamente nos faz refletir até onde estão corretos os limites da proibição a certos materiais para menores. Há uma contradição.

 

No geral, todos os personagens são extremamente interessantes. O filme é muito mais sobre a vida daquelas pessoas do que propriamente uma história. Temos Xavier, a mente mais poderosa do mundo chegando aos seus 90 anos completamente debilitado e considerado uma arma de destruição em massa. Será um momento que será inesquecível para quem acompanha desde o início o personagem vivido por Patrick Stewart. É a sensação de ter acompanhado praticamente a vida inteira do professor, que conhecemos ainda jovem vivido por James McAvoy em X-Men: Primeira Classe e agora chegando à velhice. A forma como ele lida com as situações, sabendo o poder que possui e ao mesmo tempo precisando de ajuda para fazer qualquer outra tarefa, é no mínimo tocante.

 

 

Logan também possui uma trajetória digna. Mesmo tendo fracos filmes com elementos extremamente fantasiosos que não agradaram ao público, aqui o personagem é o mais real possível. Desiludido e sem estímulos, ele possui um fardo que divide com o mutante Caliban, vivido pelo ator Stephen Merchant. Essa relação inicia no filme o elo familiar entre pessoas que não possuem o mesmo sangue, mas que foram unidas pela exclusão. Wolverine é retratado como uma lenda, uma pessoa real que virou um personagem. A relação que o filme faz com os quadrinhos e o tom realista ao qual agora assistimos é, no mínimo, surpreendente. Essa metalinguagem presente na história foi uma saída inteligente para justificar a ausência do collant amarelo no herói no decorrer dos anos. Assim como vemos no trailer, nesse universo existem as HQs dos X-Men, que foram inspiradas na realidade vivida por esses personagens hoje idosos.

 

O elo fraco do filme fica por conta dos vilões. Não há um antagonista marcante, apenas um líder que representa uma instituição. Os personagens estão com tantos problemas pessoais que já seria o suficiente para moldar a trama. Os antagonistas apenas fazem os protagonistas se movimentarem e transformarem o longa em um road movie. Pierce, o principal vilão vivido por Boyd Holbrook, é um caçador e apenas figura diante de peões prontos a receberem ordens de ataque. Não há um estímulo visual muito grande e nem ações tão ofensivas que façam o público temê-lo. Sabemos a todo instante que seu poder está no comando e que qualquer um dos protagonistas o vence em um confronto.

 

 

Ao final de Logan nos deparamos com a cereja do bolo, que são os créditos ao som de Johnny Cash e percebemos que finalmente, depois de tantos anos, a Fox encontrou a tonalidade certa para o personagem nos cinemas. Foram necessários 17 anos para que os fãs de Wolverine encontrassem o cerne que mantém esse anti-herói tão intrigante. Há muitas músicas e momentos poéticos no decorrer da projeção, mas nada se compara à última cena e o início da música que lhe fará travar na cadeira com uma mistura de melancolia, alegria e tristeza por saber que Hugh Jackman só foi ser o verdadeiro Logan no derradeiro capítulo de sua trajetória na pele do personagem.



 

CONTINUE PLUGANDO:

 

Rodrigo Santuci

Publicitário por profissão e cinéfilo por paixão. É o fundador do site Plugou. Apaixonado por cinema desde pequeno, nunca se incomodou em passar horas sozinho tentando entender como os filmes funcionam. Apaixonado por quadrinhos e games apesar de ter abandonado os dois com os passar dos anos. Tem dificuldade para jogar qualquer coisa mais complexa que Alex Kidd in Miracle World. Trabalha com Internet desde 1999 e já foi diretor de arte nas maiores agências de publicidade da Brasil. Em 2000 abriu junto com o jornalista Matheus Mocelin Carvalho e o ilustrador Fernando Ventura o Disney News e o AnimationS fórum (um dos principais canais de comunicação entre admiradores de cinema de animação). Em abril de 2012 começou o projeto Plugou e se dedica diariamente encontrar novos diferenciais para o portal.