Mama | Crítica do Filme

Mama | Crítica do Filme

nota3.5mama cartazQuando se coloca o nome do visionário diretor Guillermo del Toro em um cartaz informando que o próprio produziu tal filme, qualquer produção se torna um material já visto com olhos diferenciados pela crítica e público. Se Mama não tivesse tal nome estampado em seu cartaz passaria despercebido e tachado como mais um filme de terror. Porém, agraciado por tal nome, agora sabemos que temos um bom filme de terror para se colocar na estante, mesmo parecendo que já o vimos em diversos outros filmes do gênero.

Mama é um filme de fantasmas contado em formato de fábula, com direito a um “Era uma Vez” no começo e trilhas usando xilofones na instrumentação. Dirigido por Andrés Muschietti o filme chamou a atenção de Guillermo del Toro quando era apenas um curta metragem do mesmo diretor, o nomeado Mamá, de 2008.

A trama começa com um pai surtado que acabara de matar seus sócios de trabalho e sua esposa. Sequestra suas duas filhas, coloca-as num carro e parte em fuga estrada a dentro até sofrer um acidente e parar em uma cabana no meio da floresta. Visivelmente transtornado o pai tem planos de matar as garotas e suicidar-se, porém antes que isso aconteça ele é atacado por um espírito deixando as duas garotas sozinhas que serão criadas por essa entidade que mais tarde seria identificado por elas como “Mama“. Cinco anos mais tarde a história foca na apresentação dos tios das garotas que vivem uma vida desregrada e não pretendem ter filhos, e esses recebem a notícia que elas foram encontradas vivas.

O filme é enfatizado completamente pela figura feminina. Podemos perceber que todos os personagens masculinos são frágeis e estão ali como coadjuvantes na trama. O próprio tio das garotas tem um papel muito pequeno no decorrer do filme, deixando o foco sobre sua namorada Annabel (Jessica Chastain). Essa por sua vez se mostra completamente feliz em sua primeira cena ao saber que não está grávida, e ao decorrer do filme seu instinto maternal aumenta com a presença das garotas em sua vida. É tudo tão fluido que mal lembramos da garota da banda quando nas últimas cenas ela busca ter as garotas ao seu lado.

O filme toma uma dosagem de melancólica graças ao excelente trabalho das duas meninas que se veem sozinhas sem seus pais após 5 anos sendo criadas por um espírito. E é impressionante como o cinema consegue fazer com que a imagem de crianças fiquem assustadoras apenas com algumas expressões e movimentações.

Infelizmente o filme não poupa clichês e isso o torna um pouco genérico. Artifícios sonoros e visuais usados em quase todos os filmes do gênero estão presentes na película. Aquele visual sombrio de O Labirinto do Fauno está presente na direção de arte, porém houve muito excesso de CGI na fantasma Mama deixando de lado as excepcionais maquiagens que  Guillermo costuma usar nos seus filmes. Uma fantasma sendo uma atriz talvez fosse mais assustadora que a modelo digital.

Mama é um filme de terror que funciona. Tem um ótimo visual, os clichês necessários, boas atuações e umas pontas soltas para a continuação. Nesse gênero de filmes poucos se destacam atualmente, mas Mama conseguiu.