Meu Malvado Favorito 3 | Crítica do Filme

Meu Malvado Favorito 3 | Crítica do Filme

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Sinopse:
A produção traz de volta os personagens mais famosos da série: Gru, Agnes, Margo, Edith, Lucy e os atrapalhados Minions, além de agora apresentar Dru e o novo vilão Balthazar Bratt.
Diretor: Pierre Coffin e Kyle BaldaElenco: Steve Carell, Kristen Wiig, Trey Parker, Leandro Hassum, Maria Clara Gueiros.

Estreia: 29 de Junho de 2017

 

 

Talvez a geração mais nova nunca terá a sensação do que era assistir um animado antes de 1995, quando chegou aos cinemas Toy Story. O primeiro longa metragem da Pixar Animation Studios trouxe para o estilo uma nova forma de se criar seus filmes, com muito mais facilidade para os profissionais, muito mais tecnologia e muito mais barato para os estúdios. Não demorou para que a animação 3D matasse de vez a animação tradicional, de lápis e papel, com traços marcantes de deus artistas. Ela foi substituída por bonecos moldados no computador que estão ali arquivados para quando o estúdio estiver com vontade de fazer uma sequência, basta tira-los dos arquivos e começar animar. Eu sinto que hoje existe muito pouca preocupação com a arte da animação e é uma pena sermos testemunhas oculares da morte de uma arte. Meu Malvado Favorito 3 chega aos cinemas provando que há sim como contar boas histórias mesmo após uma exaustão e superexposição de personagens em um período de tempo tão curto, mas também deixando claro que a animação de hoje não tem mais a intensão de expor uma arte, mas sim um produto extremamente comercial que vai gerar um lucro exorbitante para o estúdio.

 

 

A nova animação Illumination Entertainment distribuída pela Universal Pictures retorna ao mundo lúdico do ex-malvado Gru, suas filhas adotivas, seus ajudantes amarelos que tomam a cena e, acrescentado no último filme,  sua esposa e seu novo trabalho como agente secreto que combate super vilões. Um universo já cheio de personagens e tramas para serem desenvolvidas, mas que ainda inclui dessa vez um novo personagem e um passado sobre sua paternidade nunca antes abordado nos filmes anteriores. Seu irmão gêmeo Dru, que é adicionado à trama como um extremo oposto da personalidade de Gru, é o arco central dessa nova história.

 

 

Porém, com tantos personagens para se desenvolver, o filme cria diversas situações que fogem do arco central que pertence a Dru e Gru, afinal, Meu Malvado Favorito 3 não teria apelo comercial suficiente se não incluísse a pequena Agnes e sua obsessão por unicórnios ou então os Minions trajando novas roupas e em novas situações para que o marketing do filme pudesse vender zilhões de action figures (entenda, não é uma crítica contra o mercado, afinal a economia precisa se mover e esse que vos fala também fica desesperado para correr no McDonald’s para completar a coleção de Minions).

A falta de foco da trama central acaba distraindo o público do arco que possui o conflito central do protagonista, dando um ar episódico para cada personagem. A sensação é de assistir uma série de curtas-metragens com personagens distintos protagonizando. Temos o arco da Agnes atrás de um unicórnio real, o arco das três garotas se adaptando à nova situação com sua nova mãe e essa tentando entender como funciona a maternidade, o arco de uma personagem que fica noiva sem saber ao chegar em um país que não conhece a cultura, o arco dos Minions que ocupam uma posição de sindicalistas e protestam contra a falta de maldades de seu mestre, temos outros Minions que estão apenas para encher as cenas com momentos de fuga cômica, o arco central do Dru e Gru se identificando como irmãos e claro, como não pode faltar, um vilão, que apesar de ter uma história criativa, não tem a menor necessidade de estar nesse filme.

 

Meu Malvado Favorito 3

 

Banhado por uma trilha sonora sensacional dos anos 80, afinal o vilão Balthazar Bratt é construído em cima de toda a estética cafona e muitas vezes politicamente incorreta dos anos 80. Ele foi um ídolo infantil que viu sua carreira falir ao chegar na adolescência e desde então busca se vingar da indústria de Hollywood. É nesse momento que o filme faz uma autocrítica do que Hollywood hoje produz, com o medo de seguir adiante com o novo e apenas revivendo o que já fez sucesso no passado… assim como é o próprio filme Meu Malvado Favorito 3.

A animação pode ser uma série de novas e antigas situações com os mesmos personagens? Sim, mas não é por isso que o entretenimento é minimizado. Perdemos um pouco do senso de novidade, mas temos um roteiro que consegue abranger diversas situações e amarrar tudo no final sem entediar o público. Talvez dos três filmes esse tenha a trama mais interessante por conseguir abranger diversos assuntos com personagens que não precisavam mais de apresentação. Referências a clássicos como Star WarsOperação Cupido Procurando Nemo, não faltarão para os mais atentos.

 

 

A arte de fazer animação com lápis e papel morreu, mas para os amantes do gênero que ainda buscam o que restou de filmes animados,  Meu Malvado Favorito 3 ao menos compensa com boas histórias e humor exagerado. Com o perdão do trocadilho, é sem dúvida o filme favorito entre as crianças para as férias no meio do ano, afinal, sua principal concorrente que também lança o terceiro capítulo de uma mesma franquia, talvez não entendeu que no mínimo uma boa história precisa ser contada.

  • Gabriel

    Carros 3 foi um filme ótimo, no nível Pixar em questão de historia, drama e tudo. Meu Malvado Favorito 3 não possui uma historia interessante e Carros 3, ao meu ver, possui uma historia inovadora. Um carro que esta quase se aposentando e precisa ser treinado para voltar a correr rápido, mas depois descobre que ele pode ser mais feliz treinando do que correndo. Meu Malvado favorito 3 serve apenas para uma coisa, que é divertir e nada mais do que isso. Se esperam que um todo filme de animação tem que ter ação é porque deve conhecer mais animações boas. Ao meu ver, Carros 3 não foge da originalidade enquanto o quarto filme de uma franquia que se sustenta com fofuchismo e piadinhas faz o que a franquia do Gru faz de melhor, mas me agradou um pouco, mas é longe de se chegar aos pés de Carros 3