Noé | Crítica do Filme

nota320_1429-noe-posterAntes de mais nada, eu não sou um grande conhecedor das histórias bíblicas, tão pouco saberei dizer se o que o diretor  Darren Aronofsky me mostrou em seu filme Noé se fez fidedigno aos fatos descritos no livro sagrado. O que posso dizer é que pela primeira vez tive a oportunidade de ver um filme religioso em um IMAX 3D pelas mãos de um excelente diretor, porém, com uma história que para mim é muito mais uma fábula.

Acho que serei repetitivo ao contar do que o filme se trata, afinal a história de Noé (Russell Crowe) é muito conhecida. Apesar de até hoje não ter tido um filme que o representasse numa pegada mais “realista”. Noé é o escolhido por Deus para construir uma arca e colocar nela todos os animais da Terra em pares, visto que a humanidade estava tão degradada que não era mais negócio para Deus mante-los vivos. Veio o grande dilúvio que foi o reboot divino na Terra.

O filme é bem explicativo quanto a detalhar do porque Deus desistiu dos humanos naquele momento. O diretor opta explicar o que aconteceu desde a criação da Terra, Adão e Eva e seus três filhos Caim, Abel e Sete. Caim mata Abel (acho que isso não deve ser um spoiler…) e o mundo é divido entre os descendentes de Sete e Caim, sendo que os desse, dentro do filme, são de certa forma uma representatividade do mau, e deles gerou todo o desgosto de Deus por seus representantes na Terra.

Noé - Filme 2014Eu sempre tive uma visão infantilizada de Noé, tanto que a primeira lembrança que me vem quando me recordo da história é do segmento do Pato Donald dentro do filme Fantasia 2000 da Disney. A visão fabulosa do homem com uma lista de animais, checando se todos eles estão devidamente postos dentro da arca, é substituída por um homem que diz conversar com Deus e ter uma missão a seguir: extinguir o mau sobre a Terra. As cenas com os animais é bem pouco representada dentro do longa. O carinho que Noé possui pelos bichos é demostrado no começo do filme quando esse se mostra preocupado por uma espécie fugindo de seus caçadores. Podemos dizer inclusive que o filme desnecessariamente abraça uma causa vegetariana ao colocar os vilões como carnívoros.

Com diversas repetições de cenas dentro do decorrer da história, somos confrontados no mínimo umas 3 vezes com a imagem do homem caindo em tentação e comendo o fruto proibido. Essa pausa que o diretor toda hora insiste em colocar incomoda e dá um ritmo bem lerdo para o que realmente as pessoas queriam ver: dilúvio. Percebe-se que há a necessidade de tudo ter um sentido que volta para o rastejar da tentação contemplando o homem comendo o fruto proibido. Tal proibição terá no futuro da história com a relação da personagem de Emma Watson Anthony Hopkins.

Por mais que o filme tente ser realista, não há como leva-lo a sério com a inserção  dos Guardiões dentro da história. São retratados como seres divinos encarnados em gigantes de pedra. Eu realmente não sei se existe essas criaturas na bíblia, mas no filme eles dão um aspecto de “Senhor dos Anéis“em uma trama que prioritariamente seria religiosa. Os efeitos visuais são excelentes. A animação travada nos guardiões, remetendo um pouco os efeitos em stop motion não incomodam e dá sentido maior à dureza dos personagens. O 3D não é dos piores, mas apesar de todos os esforços em manter o longa tecnologicamente impecável, o que faz dele mais interessante são as cenas pós dilúvio, onde a família de Noé dentro da arca, começa julga-lo por não ter salvo nada além dos animais. O drama existencial daquelas pessoas ao depararem que são a única esperança de procriação da humanidade é excelente, e a complexidade dos personagens cresce, dando novas camadas na história. 

Estava na hora de um filme mais sério sobre a arca de Noé ser lançado. Apesar de todo apelo comercial existente em seu lançamento, o filme ainda é uma história bíblica e que inevitavelmente gerará polemicas religiosas. Fiquei de fato mais curioso para conhecer os relatos escritos no livro sagrado e ver até onde o filme foi fiel e em quais momentos o diretor resolveu colocar seu dedo na história. Aconselharia ler a bíblia antes de assistir ao filme, talvez chegando à sala tendo uma noção menos infantil da história, o aproveitamento do filme possa ser maior.

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