O Artista do Desastre | Crítica do Filme

O Artista do Desastre | Crítica do Filme

 

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Sinopse:

Greg Sestero (Dave Franco) se aproxima do excêntrico Tommy Wiseau (James Franco) após uma aula de atuação e os dois desenvolvem uma intensa amizade ancorada no sonho em comum de fazer sucesso nas artes dramáticas. Juntos eles partem para Hollywood, onde Tommy, cansado de ser rejeitado em testes, decide produzir, financiar, dirigir, escrever e protagonizar – ao lado do melhor amigo – o longa-metragem que o catapultará ao estrelato: “The Room”.

Diretor:

James Franco

Elenco:

James Franco, Seth Rogen, Allison Brie, Dave Franco, Jacki WEaver, Josh Hutcherson

Data de estreia:

25 de Janeiro de 2017

 

Não há como começar a falar sobre o novo filme dirigido por James Franco, O Artista do Desastre sem dedicar alguns parágrafos à sua inspiração. O novo filme está sendo muito bem recebido pela crítica especializada e tem estado presente durante esta temporada de premiação, com Franco inclusive levando para casa um prêmio de Melhor Diretor. Em aspectos técnicos, talvez a euforia esteja tomando conta das discussões, mas não há como negarO Artista do Desastre retrata de maneira muito eficiente a “loucura” de Tommy WIseau. 

É a história mais antiga que o tempo… Um jovem ator conhece outro ator e os dois decidem fazer o seu próprio filme para adicionar aos seus portifólios de iniciantes. Greg Sestero chegou a escrever um livro (usado como base para o novo filme) onde relata suas experiências ao lado do misterioso Tommy WIseau, um cara extremamente confiante e expressivo, que ninguém sabe de onde veio, como possui tanto dinheiro ou nem mesmo sequer a sua real idade.

“The Room” foi considerado por muitos o “melhor pior filme de todos os tempos”. Assistir à obra de Wiseau é angustiante, pois os erros são tão claros e tão frequentes que o espectador é incapaz de não rir desconfortavelmente.  Mas ao mesmo tempo, existe algo muito natural em “The Room”, uma forma de expressão que demonstra a confiança de Wiseau em seu trabalho e sua ingenuidade para com o uso de técnicas cinematográficas. A sensação é de que o cineasta foi trabalhando conforme as convenções clichês da indústria, como se estas fossem necessárias para o sucesso de qualquer filme. Ele apenas se esqueceu de que o cinema não é uma ciência exata.

O Artista do Desastre retrata exatamente esta obstinação de Wiseau em se expressar da maneira que considera necessária. Em um certo momento ele declama que “é preciso mostrar a minha bunda no meio do filme, ou as pessoas não vão assistir”, como se a nudez fosse um chamariz por si só.  Essa é a graça de “The Room“. A nudez É SIM um chamariz muito eficiente para o grande público, mas assim como a maior parte do filme, torna-se inutil quando é feita da forma errada.

Wiseau demonstra não possuir qualquer sensiblidade ou tato na hora de executar suas visões, e o personagem de James Franco incorpora de maneira cativante este espírito, não só na hora de produzir o filme, como também em suas relações pessoais. Ao mesmo tempo, também vemos os defeitos do personagem que vão muito além de sua ingenuidade. Incapaz de admitir seus erros, e sempre preocupado com sua aparência pública, tem um protagonista que nunca volta atrás, não importa o quão fundo esteja caindo.

O fato do filme ter sido adaptado de um livro escrito por Sestero acaba sendo extremamente benéfico. Ao acompanhar os eventos pela visão do melhor amigo de Wiseau, o filme cria um contexto onde apenas exergamos esta figura misteriosa do lado de fora, tornando suas peculiaridades ainda mais instigantes. Em momento algum o espectador vai se pegar cansado diante da história, pois estará sempre esperando a próxima maluquice do protagonista.

O filme ainda traz uma gama de atores cômicos bem presentes na indústria atual, assim como algumas personalidades no início do filme dando depoimentos sobre a experiência de assistir “The Room”. Tudo isso só contribúi para a glorificação do rídiculo que O Artista do Desastre se apoia à todo momento, e com orgulho.  É um contestamento à boa forma, e uma valorização de toda e qualquer expressão, por mais que ela seja mal apresentada. Um contestamento válido? É Discutível. Mas James Franco conseguiu construir uma história muito interessante em cima disso e, irônicamente, acaba executando muito bem a sua expressão.