O Castelo De Vidro | Crítica do Filme

O Castelo De Vidro | Crítica do Filme

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Sinopse:

Baseado no livro Castelo de Vidro, da jornalista Jeanette Walls, a trama retrata a infância de Walls, criada com os irmãos no seio de uma família desequilibrada, bastante pobre e nômade.

Diretor:

Destin Daniel Cretton

Elenco:

Brie Larson, Woody Harrelson, Naomi Watts, Max Greenfield, Ella Anderson

Estreia:

24 de agosto de 2017

 Biografia da jornalista Jeanette Walls, O Castelo de Vidro é baseado no livro de mesmo nome que narra a infância sofrida da protagonista com seus dois pais negligentes e rebeldes. 

O cinema é muitas vezes tido como um lugar de entretenimento. A verdade é que existem filmes feitos para entreter, filmes divertidos que acabam te ensinando alguma coisa, e filmes como O Castelo de Vidro, que servem para te fazer aprender com o personagem.

Um filme biográfico extremamente expositivo, The Glass Castle (nome original) nos apresenta a perspectiva de Jeanette e procura nos fazer ponderar os mesmos aprendizados impostos à protagonista. Quando criança, inocente acima de tudo, a personagem é embalada pela “fantasia” de liberdade do pai. Conforme cresce, vamos percebendo as consequências desta liberdade e somos convidados a questioná-la.

Este é o conflito central do filme, onde a personagem balanceia sua valorização “familiar”, e de suas origens, com seus próprios ideais formados e seu ressentimento. Apresenta-se uma noção onde “família” é algo que a personagem precisa amar, mas ao mesmo tempo superar.

Brie Larson continua escalando seu caminho ao topo de Hollywood. Aqui, temos mais uma excelente performance ao lado de Woody Harrelson (Rex Walls) , que também não deixa à desejar e é capaz de direcionar todo o seu carisma e simpatia em um personagem difícil de se relacionar com o público.

O personagem de Harrelson é impulsivo. A maneira como cria seus filhos é otimista (extremamente otimista) e qualquer adversidade deve ser simplesmente “varrida para debaixo do tapete”. O filme procura retratar as dificuldades e as consequências negativas dessa forma de criação com fidelidade, porém é perceptível o constante tom de “perdão” com que o roteiro aborda esta história verídica.

O tal “castelo de vidro” é um sonho. Algo que ambos os personagens principais almejam construir, mas uma vez que a personagem de Larson cresce, ela deixa de esperar pelo dia em que esse sonho se tornará realidade, e começa a se concentrar nos caminhos que tomará com sua vida. Pode se perceber a proposta do filme de retratar o “aumento da perspectiva” pelo qual passamos quando crescemos.

Em uma determinada cena, Jeanette se dá conta de que talvez seu pai fosse do jeito que era pois poderia ter sofrido abusos nas mãos de sua avó. Ela então questiona sua mãe sobre isso, e a mãe (Naomi Watts) responde: “É melhor não pensar nessas coisas, isso pode te deixar louca”. É uma boa maneira de mostrar a maior diferença entre Jeanette adulta e seus pais. A forma como encaram problemas  e questionamentos.

 

O filme se divide entre passado e futuro, com a maior parte sendo a do passado. Lá, ainda temos a busca pela mudança, e acompanhamos a persistência da personagem em busca do Castelo de Vidro. Mas como também estamos sendo lembrados no presente, essa mudança nunca virá, e isso faz com que a história esteja fadada à não engajar o público. Sem nenhum objetivo claro pelo qual continuar acompanhando.

Castelo de Vidro pode agradar aqueles que gostam de filmes biográficos e histórias de superação, mas dificilmente irá manter a atenção de quem não estiver completamente disposto à acompanhar a trajetória de Jeanette Walls.