O Rastro | Crítica do Filme

O Rastro | Crítica do Filme

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Sinopse:

Responsável pela transferência dos últimos pacientes da UTI, o médico João Rocha se desespera com o sumiço da última paciente do lugar, a menina Júlia. Ele tenta seguir o caminho que o leve até a garota ao mesmo tempo em que precisa cuidar da mulher grávida, Leila.

Na busca pela verdade, João confronta os antigos colegas de trabalho, Olívia Coutinho e Heitor Almeida, esbarra nas burocracias do sistema público de saúde, e desvenda inóspitas alas do hospital, abandonadas e infestadas de pombos, e repletas de mistérios. Quanto mais João se aproxima da verdade, mais ele mergulha em um universo obscuro, que nunca deveria ser revelado.

Diretor:

JC Feyer

Elenco: 

Leandra Leal, Rafael Cardoso, Felipe Camargo, Claudia Abreu, Jonas Bloch e Alice Wegmann.

Estréia: 

18 de maio de 2017

 

O Rastro

 

Nada deixa um cinéfilo brasileiro mais triste do que ver um potencial tão desperdiçado quanto em “O Rastro”.

O Brasil sempre teve uma história promissora com o terror. Desde os tempos do Zé do Caixão, até filmes mais recentes como “O Lobo Atrás da Porta”, o gênero sempre provou ser um campo a se prestar atenção por estas terras.

Porém, assim como às vezes surgem ótimas surpresas, expectativas podem ser frustradas com um filme que possuía uma produção de respeito e um apoio inédito da crítica especializada, mas que não consegue cobrir suas apostas com sucesso.

O Rastro

 

Começando pelo roteiro… Filmes de terror costumam passar por critérios completamente diferentes entre a crítica e o público. A crítica avalia a estrutura do roteiro e procura originalidade nas soluções encontradas para os conflitos. Já o público costuma ir atrás daquilo que dá mais “medo” (o que é extremamente subjetivo) e de personagens relacionáveis e engajantes.

“O Rastro” não cumpre sua função, nem para a crítica, nem para o público. Sua narrativa é arrastada demais, e suas revelações são muito mal preparadas (ou até mesmo exploradas) para capturar a atenção do espectador.

O Rastro

E repetindo aquele que é provavelmente o mais criticado vício do gênero, a maioria dos “jumpscares” do filme são extremamente artificiais. Com uma pós-produção exagerada, a sensação que se passa durante as cenas finais do filme é a falta de discernimento em meio à ação.

O elenco, cujo casal principal é interpretado por Rafael Cardoso e Leandra Leal, entrega performances de medianas para boas, mas não conseguem salvar um roteiro sem perspectiva.

Um dos únicos pontos a se salvar do restante do filme, a fotografia é bem trabalhada e explora o cenário horripilante deste hospital com boas referências. Diferentes tipos de plano auxiliam em guiar o espectador e complementam as atuações.

O Rastro

Também é importante destacar um grande acerto filme: Tá na cara que se passa no Brasil. O diretor não foge da polêmica, e coloca o cenário politico-social caótico em que o Brasil se encontra, no centro da história. A injustiça retratada através dos jornais fictícios é algo que realmente adiciona uma camada muito pontual de veracidade à trama.

Com um roteiro fraco, “O Rastro” não será colocado ao lado de outros clássicos do terror brasileiro, mas um crítico otimista poderia enxergar este filme como mais um pequeno passo em direção ao sucesso. Que se salvem os acertos e que se aprenda com os erros para uma próxima vez…