Odeio o dia dos Namorados | Crítica do Filme

Odeio o dia dos Namorados | Crítica do Filme

nota2.5cartaz-oficial-da-comedia-odeio-o-dia-dos-namorados---poster-nacional-1365451310371_300x420Há na literatura e no cinema um tipo de personagem dos mais antigos, talvez criado por Dante (A Divina Comédia), mas não dá para saber ao certo. Seria o guia do além, personagem que acabou virando arquétipo em diversas histórias, quem viu ou leu ‘As 5 Pessoas que Você Encontra no Céu‘ (livro de Mich Albom) e sua cópia mediana Amor Além da Vida sabe bem que tipo de personagem é esse. Ao assistir Odeio Dia dos Namorados, nova produção nacional dirigida por Roberto Santucci (que não tem parentesco nenhum com o dono desse site, diga-se de passagem; ou teríamos 5 estrelas amarelas alí do lado, não é?), o guia do além de Débora Ferrão (Heloísa Périssé, interessantemente fora de seu lugar comum) é que gira as engrenagens que fazem rodar um filme que é, sem sombra de dúvidas divertido, mas que ao mesmo tempo fomenta certos arcaísmos sociais, que hoje ilustram apenas canções de Bossa Nova.

Gilberto (Marcelo Saback em ótima atuação) é o antigo sócio de Débora, falecido há um ano. Ele acompanha a personagem principal quando esta revisita os principais momentos de sua vida após sofrer um acidente que a levaria à morte. Débora encara as principais decisões que tomou em vida e que a levaram à posição, profissional e pessoal, em que se encontra no momento do acidente. E nesta viagem, encontramos as verdadeiras características do filme: uma ode à juventude oitentista, recheada de um marketing multimarcas nada tímido sem contar com uma forte influência Jobiniana, afinal, “é impossível ser feliz sozinho”.

Parece óbvio dizer que se Odeio Dia dos Namorados’fosse exibido em 1985 talvez seria o grande filme de uma geração, mas devemos desconsiderar a técnica e pensar apenas no discurso. Em 2013, em sociedades quase que completamente urbanas embasadas em uma economia que valoriza a individualidade, acaba sendo um tiro n’água criticar ferrenhamente quem escolhe não seguir valores românicos de casamento e filhos, acreditar em alma gêmea entre outras coisas. Mas nada que faça seu guia do além te fazer voltar a rever momentos vergonhosos da sua juventude.