Oz: Mágico e Poderoso | Crítica do filme

Oz: Mágico e Poderoso | Crítica do filme

nota3.5oz mágico e poderoso Oz: Mágico e Poderoso é a tentativa de reviver nas telas o clássico de 1939 O Mágico de Oz. A proposta dos estúdios Disney é contar a origem do famoso mágico que vive nas terras de Oz que após os acontecimentos deste filme “ajudaria” Dorothy a voltar para sua casa. Repleto de frases de efeito, os estúdios Disney repete equívocos semelhantes aos que cometeu com Alice no País das Maravilhas, tornando o filme muito mais contemplativo do que apostar em uma história surpreendente.

Com James Franco no papel de Oscar, um mágico de circo arrogante, ganancioso e trapaceiro, que se vê preso dentro de seu mundo fracassado entre uma apresentação e o outra. Apesar de sempre ter uma bela assistente de palco, seu coração pertencia a uma pessoal especial que lhe trocou devido às idas e vindas do circo. Fugindo de um perseguidor, Oscar acaba entrando em um balão e esse em um tornado que o leva para o incrível mundo de Oz. Um mundo que expande seus horizontes trazendo à sua vida a companhia de três bruxas, um macaco alado e uma boneca de porcelana. A trajetória do herói consiste em descobrir qual das três bruxas de fato é a má, e tomar seu lugar como o mago que a profecia previa acontecer, trazendo alegria e prosperidade aos encantadores habitantes de Oz.

Antes de mais nada, Oz é infinitamente melhor que a furada dirigida por Tim Burton,  Alice no País das Maravilhas, porém é impossível não comparar os dois longas principalmente por se tratar de um universo fantástico que desenvolve uma fábula. Talvez Oz tenha seus méritos por ter em sua direção alguém que não mantém seus filmes apenas sob o alicerce de uma temática estética gótica que sobressaia qualquer história contada. Entretanto, Oz não deixa de ser um filme infantilizado de roteiro, mas isso não é algo ruim, principalmente se tratando de uma homenagem à O Mágico de Oz que é uma história simples de alto efeito moral.

O filme é uma contemplação visual. Com suas paisagens em CGI e um 3D, que apesar de usado com moderação está feito de forma coesa nos momentos certos, sem cansar sua vista, Sam Raimi aproveitou muito bem os recursos do cinema moderno para dar os seus tradicionais sustos na platéia. A experiência de transição entre a tela 4×3 em preto e brando para uma 16×9 saturada é incrível. Apesar de já termos uma prévia no trailer, o filme faz seus olhos acostumarem tanto com o  preto e brando que seu universo expande junto com o do personagem e a sensação de um mundo mais amplo é maior. Recordou-me muito a primeira vez que vi esse recurso ser usado no cinema, no longa animado Irmão Urso, também dos estúdios Disney.

James Franco mais uma vez se provou ser um excelente ator. Conseguiu fazer um anti-herói virar um protagonista querido na platéia.. Muito disso está na ótima direção e no apoio que ele possui com os personagens digitais. O macaco alado é simplesmente o favorito do público, principalmente com suas caras de “animal fofo”. A boneca de porcelana é um pouco mais irritante, mas acaba conquistando a platéia por seu histórico e personalidade. Tecnicamente eles se destacam bastante pela textura que chega impressionar tamanha semelhança com objetos reais.

A definição do grande antagonista do filme demora um certo tempo para ser revelada, pois um dos plots principais é o protagonista descobrir qual das três bruxas está fazendo mal para aquela terra, e o público aos poucos vai descobrindo a verdade junto com o persoangem. Eu achei certas argumentações nos diálogos entre os personagens muito fracas, porém as motivações são boas.  Entre o momento que Oscar chega em Oz e a batalha final o filme perde bastante seu ritmo, mas pontualmente consegue ter cenas que lhe fazem acordar.

Por se tratar de O Mágico de Oz a homenagem não poderia ter sido melhor. O filme inteiro lhe remete trechos do filme de 1939. Desde o Leão até os truques tecnológicos usados pelo personagem central somos transportados à memória do filme que o originou. É interessante ver a visão tecnológica como uma magia em diversos pontos do filme. Podemos dizer que  Thomas Edison é uma das figuras históricas mais homenageadas dentro do contexto apresentado

Oz: Mágico e Poderoso poderia ter trabalhado melhor nas histórias de seus personagens, porém conseguiu cumprir sua função de uma grande homenagem a um dos filmes imortais do cinema. O elenco é ótimo, a direção é boa e os efeitos especiais trazem para o cinema contemporâneo aquilo que em 1939 não foi possível fazer. Para uma geração que nunca teve acesso ao longa original é um ótimo estimulo para apresentar uma fábula repleta de elementos fantasiosos que não tem como deixar de agradar crianças de diversas idades.