Pantera Negra | Crítica do Filme

Pantera Negra | Crítica do Filme

 

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Sinopse:
T’Challa que, após a morte de seu pai, o Rei de Wakanda, volta pra casa para a isolada e tecnologicamente avançada nação africana para a sucessão ao trono e para ocupar o seu lugar de direito como rei. Mas com o reaparecimento de um velho e poderoso inimigo, o valor de T’Challa como rei – e como Pantera Negra – é testado quando ele é levado a um conflito formidável que coloca o destino de Wakanda, e do mundo todo, em risco. Confrontado pela traição e o perigo, o jovem rei precisar reunir seus aliados e liberar todo o poder do Pantera Negra para derrotar seus inimigos e assegurar a segurança de seu povo e de seu modo de viver.Diretor:
Ryan Coogler

Elenco:
Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Martin Freeman, Daniel Kaluuya, Letitia Wright, Winston Duke, com Angela Bassett, com Forest Whitaker e Andy Serkis

Data de estreia:
15 de fevereiro de 2018

O excesso nos cansa e deixa o que era esporádico cair no cotidiano. Ninguém gosta de cotidiano. Quando recebo convite para assistir mais um filme de herói, meu cérebro automaticamente já pensa “vamos lá viver um pouco mais do mesmo”. Estava pensando assim pouco antes da sessão de Pantera Negra, novo filme da Marvel Studios que chega aos cinemas no próximo dia 15 de fevereiro. Junto de outras pessoas na porta do cinema, lamentávamos o fato do filme abafar a estreia de diversos longas importantes que chegam às telas na mesma data e concorrem à estatueta do Oscar no mês que vem. Para minha alegria e grata surpresa, a nova película não correspondeu ao desânimo inicial, pois conseguiu surpreender e fugir da fórmula mágica da Marvel nos cinemas. Pantera Negra é verdadeiramente relevante e que tem uma mensagem importante a ser dita.

Meus conhecimentos sobre o personagem limitavam-se ao que tinha visto emCapitão América: Guerra Civil e nos trailers desse novo filme. Nunca li sequer uma linha das HQs, e por isso escrevo sob a ótica de alguém que conhece essa infinidade de personagens através dos filmes. Pantera Negra é um amontoado de muitas coisas boas. É o primeiro filme de origem de herói que possui ares “shaksperianos”, com uma belíssima combinação de tradição e modernidade, além de um visual e trilha sonora incríveis.

Quando trago a meu texto a palavra “relevância” não se trata apenas de apresentar um filme com uma boa direção e roteiro, que consiga fugir (em partes) do clichê consolidado no gênero. A importância dePantera Negra se dá principalmente por termos um filme oriundo das terras “trumpianas” que carrega a mensagem de quebra da hegemonia de países que se isolam do restante do mundo e se isolam em verdadeiras barreiras. Além disso o longa enaltece um excelente elenco 90% formado por negros, apresentando o primeiro protagonista herói negro dentro dos filmes da Marvel. Assim como Capitão América: Guerra Civil, o filme levanta pontos que vão além do maniqueísmo do bem contra o mal. Maniqueísmo esse que aqui não existe mais, pois nem sempre os heróis são 100% bons.

É o primeiro filme da Marvel que não tem em sua fórmula a necessidade de encaixar a todo custo uma quebra de humor a cada 10 minutos. Elas estão presentes mas bem menos intensas que nos filmes anteriores. Trazendo um ar mais sério para esse universo, Pantera Negra é um filme de origem que já está com meio caminho andado, pois a introdução do personagem já se deu anteriormente. Mas mesmo quem não assistiu sua estreia em Capitão América: Guerra Civil consegue acompanhar tranquilamente sem se sentir perdido. A única exigência de entendimento ao universo Marvel nos cinemas se dá pela segunda cena pós-créditos. 

A trilha sonora é uma mescla de músicas africanas com hip hop, deixando o longa voar sobre a cultura africana apresentada em grande parte da película, mas ao mesmo tempo não tirando o pé de solos americanos. O personagem de Martin Freeman é a visão pré definida dos americanos sobre a África e acaba se tornando o personagem mais puxado para o humor dentro do filme. 

Dentre todas as atuações as que destacam é sem dúvida a do elenco feminino. Lupita Nyong’o, Danai Gurira e Letitia Wright muitas vezes se tornam mais interessantes que o próprio herói título vivido por Chadwick BosemanMichael B. Jordan também é uma grata surpresa e as motivações de seu personagem são bem plausíveis para a trama.

Em muitos momentos me peguei comparando Pantera Negra com uma  referência inesperada: “O Rei Leão”. Além da trilha sonora com sons originariamente africanos temos no decorrer da trama elementos que de fato se assemelham bastante à trajetória de Simba. Além disso, há momentos de 007 no decorrer do filme. Não quero detalhar exatamente mas fica bem clara a referência.

Pantera Negra é de fato um colcha de retalhos só com boas referências e que se engrandece ainda mais ao passar uma mensagem relevante para tempos atuais. Talvez seja o filme de origem de personagem que mais tenha me agradado nos últimos tempos. É bom saber que o cotidiano cinematográfico ainda pode nos surpreender positivamente.