Pequena Grande Vida | Crítica do FIlme

Pequena Grande Vida | Crítica do FIlme

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Sinopse:
Após perder a chance de participar dos Jogos Olímpicos devido a uma fatalidade que resultou em um grave acidente, a esquiadora Molly Bloom (Jessica Chastain) decide tirar um ano de folga dos estudos e ir trabalhar como garçonete em Los Angeles. Lá conhece Dean Keith (Jeremy Strong), um produtor de cinema que decide contratá-la como assistente. Logo Molly passa a coordenar jogos de cartas clandestinos, organizados por Dean, que conta com clientes muito ricos e famosos. Fascinada com o ambiente e a possibilidade de enriquecer facilmente, Molly começa a prestar atenção a todos os detalhes para que ela própria possa organizar jogos do tipo.Diretor:
Alexander Payne

Elenco:
 Matt Damon, Christopher Waltz, Kristen Wiig, Hong Chau, Jason Sudeikis, Laura Dern, Neil Patrick Harris

Data de estreia:
22 de Fevereiro de 2018

O novo filme de Alexander Payne, premiado cineasta, principalmente reconhecido pela qualidade de seus roteiros, poderia estar muito bem encaixado em um episódio da série “Black Mirror” (Uma comparação recorrente durante o lançamento do filme nos EUA). Mas a verdade é que Pequena Grande Vida não se limita a criar este universo futurista e brincar com seus elementos, e sim explorar a ganância e a hipocrisia da sociedade atual através de uma história muito mais individual.

Há espaço para um certo sentimento de frustração após a primeira hora de filme. Após sermos introduzidos a todos os aspectos desta nova realidade, onde pessoas podem escolher ser miniaturizadas e ter seus custos de vida altamente reduzidos, Pequena Grande Vida toma um rumo inesperado diante de uma proposta inicialmente descompromissada.

Após sermos fisgados pela curiosidade de entender como este “novo mundo” funciona, o filme nos obriga a encarar uma realidade muito menos romantizada para o personagem principal que, ao decorrer do filme, compreende que o problema da humanidade não está em seu contexto, e sim em seu comportamento auto-destrutívo.

A proposta de se miniaturizar é inicialmente apresentada como sendo uma oportunidade atraente para todos aqueles que desejassem sair da “pressão” da sociedade comum, essencialmente proporcionando uma aposentadoria precoce. Mas o que começa como um cenário exilado, logo revela suas semelhanças com o mundo normal, com pessoas explorando potenciais, suprindo necessidades  e perpetuando o mesmo sistema de sempre.

Eis que o filme coloca sua verdadeira questão em evidência: Ao invés de procurarmos adaptar as condições ao nosso redor para melhor satisfazerem nossos meios de vida comuns, deveríamos estar procurando mudanças em nós mesmos, para uma melhor convivência com aquilo que nos cerca.

Esta não é uma questão tão atrante ao público quanto a premissa “Black Mirror” que vinha se apresentando, e isso causa uma quebra de ritmo tremenda durante o segundo ato do filme, que só se distancia ainda mais conforme a história progride e introduz novos personagens. No entanto, sua fotografia dinâmica, de quadros estimulantes e uma paleta de cores vibrante, é capaz de manter a atenção do espectador sem entedia-lo. (Algumas cenas que brincam com a dinâmica de tamanho me lembraram o filme da Pixar, “Vida de Inseto”).

Matt Damon, que encarna o personagem principal, aproveita seu charme e ganha a simpatia do público com sucesso. O elenco de apoio não deixa a desejar, mesmo passando a maior parte do tempo servindo efeitos cômicos em uma história com tonalidade um tanto destoante.

Mas para todos que estiverem dispostos a mergulhar neste universo pelas mais de duas horas de filme, o resultado pode ser muito gratificante, dependendo de como o espectador desejar interpretar a comédia e a ironia dePequena Grande Vida”. Pessoalmente, posso dizer que os riscos foram apreciados.