Planeta dos Macacos: A Guerra | Crítica do Filme

Planeta dos Macacos: A Guerra | Crítica do Filme

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Sinopse:

Em Planeta dos Macacos: A Guerra, o terceiro capítulo da aclamada franquia, César e seus macacos são forçados a um conflito mortal contra um exército de seres humanos liderados por um Coronel implacável. Depois que os macacos sofrem perdas inimagináveis, César luta contra seus instintos mais escuros e começa sua própria busca mítica para vingar sua espécie. À medida em que a jornada finalmente os coloca cara a cara, César e o Coronel se enfrentam em uma batalha épica que determinará o destino de suas espécies e o futuro do planeta.

Diretor:

Matt Reeves

Elenco:

Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Karin Konoval, Amiah Miller

Estreia:

03 de agosto de 2017

 

 

Planeta dos Macacos: A Guerra” chega aos cinemas com o objetivo de encerrar uma trilogia iniciada em 2011 com Planeta dos Macacos: A Origem e que foi seguida por Planeta dos Macacos: O Confronto em 2014. A trama serve de prelúdio para os acontecimentos vistos no filme clássico de 1968 Planeta dos Macacos. Um último ato eficaz que deslumbra o público admirador da franquia com a junção entre a nova série de filmes com a original, mas com um título completamente errôneo. “A Guerra” do título é o que menos importa.

A trama acontece 15 anos após os eventos vistos no primeiro longa (“A Origem”), e os humanos estão quase extintos do planeta. César, mais uma vez impressionantemente atuado por Andy Serkis, está num estágio muito mais evolutivo. Seus diálogos já são bem formulados e sua experiência junto com sua comunidade de símios traz ao personagem um novo posicionamento perante a situação.

Iniciamos o filme com frases de ódio dos humanos contra os macacos, esses que assumem nesse momento da franquia um papel de vilão. O extinto de sobrevivência de ambas as partes, faz com que o longa não tenha propriamente um herói, mas sim personagens que estão sob ameaça de vida a todo instante, além de estarem em um estágio de autoconhecimento desse novo mundo. Porém, o diretor não deixa muito subjetivo para quem devemos torcer, pois os humanos se posicionam de forma completamente maniqueístas, tendo como principal objetivo o extermínio dos macacos.

 

 

Por outro viés, os macacos que também estão posicionados para uma batalha, mais pela própria defesa, aceitam que co-existir com ambas as espécies é um caminho para a paz. Por parte deles não há a intensão de dizimar a espécie rival, apenas conquistar seu espaço e respeito. Por esse grau de consciência fica claro que nesse momento da história já temos macacos muito mais humanizados do que os próprios humanos, enquanto esses se tornam cada vez mais selvagens passando por um retrocesso evolutivo. Cenas com humanos verbalizando seus gritos de guerra deixam bem clara essa posição.

O filme possui um ritmo mais vagaroso e contemplativo. Acaba se tornando memorável mais pela filosofia dentre as duas espécies mudando seus comportamentos do que propriamente uma guerra, como o título nos induz. Confesso que pelo excesso de ação que Planeta dos Macacos: O Confronto possui, não me sentia muito atraído pelo último capítulo, e foi uma grata surpresa encontrar um longa muito mais reflexivo sobre seus personagens.

A evolução tecnológica é um ponto gritante dentro desse filme. A textura dos personagens digitais estão impressionantes, o que pode significar dois viés para um longa que se divide em três partes. Se visto individualmente é fantástico, se assistido pelo conjunto (“A Origem”, “O Confronto” e “A Guerra”) pode causar estranheza no espectador. Uma mudança visual muito forte, visto que a tecnologia para personagens digitais teve um salto impressionante nesses últimos 6 anos que separam o primeiro do último filme. Em relação à trama, o contexto é coeso, mas visualmente destoa.

 

 

Se de um lado os personagens ganham destaque pela tecnologia avançada e ótimas atuações das pessoas por trás dos bonecos digitais, o diretor Matt Reeves tem um problema em extrair da ambientação um cenário grandioso o suficiente para uma batalha decisória entre as espécies. Com uma fotografia quase monocromática, não há a sensação de que os fatos se passaram em meio à natureza. Não temos a sensação de amplitude da locação, fica claro em diversos momentos que os atores estão em cenários construídos no computador, dando uma artificialidade para as cenas.

A inserção da personagem Nova foi um ganho na curva de aprendizado nos personagens. Brilhantemente interpretada pela atriz mirim Amiah Miller, a garota consegue conversar com os olhos e sua representatividade dá força ao roteiro. Há apenas um problema em sua inserção na história em relação ao peso de afetivo que possui entre os personagens que a cercam. Podemos dizer que ela ignora facilmente seu passado e se dá maior importância a personagens que acabara de conhecer.

Planeta dos Macacos: A Guerra” é um bom filme, que trás ótimas atuações tanto de personagens digitais, quanto de personagens humanos. Quase todos os personagens conseguem seu espaço e ganham profundidade que justificam suas escolhas. Há diversas boas frases de diálogos que marcam bem o contexto do filme. O peso das cenas de ação na conclusão do terceiro ato é, no entanto, bem fraco para o mundo que irá se seguir em Planeta dos Macacos original, que em teoria, dá sequência a esse filme. Porém, toda a filosofia e raciocínio por trás do posicionamento das espécies faz com que o filme ganhe seu lugar ao sol. Talvez se o longa mudasse seu título para Planeta dos Macacos: A Evolução”,  traria em seu cabeçalho um sentido maior para o que ele realmente nos apresenta.