Polícia Federal: A Lei é para Todos | Crítica do Filme

Polícia Federal: A Lei é para Todos | Crítica do Filme

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Sinopse:

Inspirado em fatos reais sobre a Operação Lava-Jato, uma série de investigações sobre a corrupção no Brasil, desde o início do processo até a condução coercitiva do ex-presidente Lula.

Diretor:

Marcelo Antunez

Elenco:

Marcelo Serrado, Antônio Calioni, Flávia Alessandra, Bruce Gomievsky, Ary Fontoura

Data de estreia:

7 de setembro de 2017

 

Em meio ao turbilhão político que o Brasil vive atualmente, eis que chega um filme pronto para capitalizar em cima do fervor. Polícia Federal: A Lei é para Todos é um filme difícil de ser analisado sem o contexto histórico apropriado.

No cenário nacional, é difícil encontrar filmes de ação e thrillers que agradem o público em geral. Thrillers políticos americanos já possuem um enorme repertório de onde puxar referências, enquanto no Brasil, ainda estamos aprendendo como tratar os nossos principais eventos sociais e históricos na tela grande.

Polícia Federal: A Lei é para Todos se propõe a contar os bastidores da maior operação anti-corrupção da história do país. Essa proposta é levado ao pé da letra, e o filme passeia pelos principais eventos da operação até o começo de 2016 com diversas narrações expositivas e diálogos didáticos.

Percebe-se a influência de filmes e seriados americanos na maneira como o filme procura apresentar seus personagens. Suas determinações se intercalam com cenas que os humanizam, seja com socializações descontraídas entre os investigadores, ou suas relações familiares.

Em parte, essa influência pode parecer um tanto plástica. Vários dos diálogos didáticos, ou as cenas de descontração, podem soar teatrais, principalmente com a personagem de Flávia Alessandra. Antônio Calloni por outro lado, é um grande mérito do filme, e encapsula muito bem a proposta como personagem principal para guiar o público.

Embora o uso excessivo de exposição possa prejudicar um pouco o ritmo do filme conforme o passar dos atos, é evidente a sua necessidade, uma vez que todas as reviravoltas do filme necessitam de um contexto para que possam funcionar para qualquer espectador, mesmo que este não seja tão antenado em eventos políticos.

Assim como em qualquer thriller que se preze, Polícia Federal faz bom uso dessas reviravoltas e é perfeitamente capaz de entreter o público que estiver atrás de emoção e conflitos com altas consequências. É um filme, no mínimo, competente na função de te engajar.

O filme faz usa de sua trilha sonora de maneira que quase beira o exagero, mas não chega a incomodar. Consistente com a sua proposta, a trilha enaltece os grandes heróis da história e prepara o espectador para os conflitos com os grandes vilões.

É então que chegamos na parte que com certeza será mais polêmica na hora de conversar sobre Polícia Federal. Apesar de ser baseado em fatos reais, o filme escolhe abordar a história com uma dualidade maniqueísta evidente. Os investigadores, grandes heróis salvadores, verdadeiros cavaleiros brancos, gozam da sua posição moral intocável contra os terríveis políticos corruptos, que por sua vez não passam de arquétipos odiosos.

Essa dualidade não é necessariamente uma justificativa para uma história fraca. Diversos filmes provam, vez após vez, que o duelo entre o bem e o mal pode ser muito bem aproveitado. Sendo esta a proposta do filme, devemos analisá-lo como tal.

Os problemas começam quando o filme resolve ser mais do que tinha sido proposto. Com um tópico tão complexo e debatido nos holofotes, era inevitável que o filme procurasse causar um impacto além do mero entretenimento didático. Sua retratação simplista do povo brasileiro como uma grande massa de manobra ignorante é um tanto frustrante e, ao final, o filme vai abandonando aos poucos sua bem focada dramatização, para traçar paralelos mais claros com a realidade e terminar em um final aberto que incita mobilização social.

As diversas tentativas do filme se manter imparcial, prezando pela racionalidade das situações, vai contra a dualidade que citei anteriormente. É como se, aos poucos, o filme se distanciasse de sua “trama” para dar espaço à realidade dos eventos mostrados. Politicamente, é muito eficiente, mas como filme, a história acaba sofrendo.

Gostaria que tivéssemos mais filmes desse tipo no mercado brasileiro. Seja qual foi a ideologia ou a abordagem, filmes como este fazem com que a discussão se torne mais relevante. Polícia Federal: A Lei é para Todos vale a pena ser conferido sim. Sua proposta é extremamente interessante e sua experiência é válida, mesmo que a execução vá encontrando alguns percalços de perspectiva pelo caminho.