Prometheus | Crítica do filme

Prometheus | Crítica do filme

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Prometheus… Ganhei mais um filme querido para por na lista de ótimos filmes. Apesar de toda crítica negativa escrita pela imprenssa, venho fazer uma à favor do filme que trás Ridley Scott de volta às ficções científicas, estilo abandonado por ele após o cultuado “Blade Runner – O caçador de Andróides” de 1982.

 

Duvido que você nunca tenha se perguntado “Quem somos nós?”, “De onde viemos?”, “Para onde vamos após a morte?”, “Existe vida alienígena?”… opa, estamos falando em questões existenciais ou científicas? Pois é, Prometheus coloca as duas no liquidificador e faz um milk shake de dúvidas.

Mas porque Prometheus se tornou um filme tão aguardado esse ano?

 

Primeiro pelo diretor que é conhecido por “Gladiador”, “Chuva Negra”, “Thelma e Louise”, “Cruzada”, e claro, “Alien – O Oitavo Passageiro”. Depois, Prometheus é um prequel dessa série alienígena que é uma das mais conhecidas, e melhores do gênero que foi lançada em 1979. Prometheuis também possui uma premissa  interessantíssima a ser explorada: responder a origem da humanidade. Assim que o trailer foi lançado, logo na apresentação da tipografia do logo  já tinhamos a certeza de que ele tinha uma relação com Alien, em seguida pela lembrança visual que ele trazia nas imagens (naves, espaço, cenas escurecidas). Foi aí que a expectativa de muitos fãs da série foi às alturas… nisso,  todos que esperavam respostas imediativas se descepcionaram.

 

Em sua introdução, ele nos apresenta um prólogo que nos levanta as primeiras dúvidas: “Que lugar é aquele?” e “Quem é o Shuasneguer pálido?”. Em seguida somos levados ao ano de 2089 onde conhecemos os arqueólogos Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Marshall-Green) que fazem uma descoberta que os levará dois anos depois para uma aventura galática em busca de respostas daqueles desenhos. Em seguida confesso que vamos conhecendo uma série de personagens sem graça, e que não iremos ter envolvimento nenhum com eles, pois, afinal de contas, estão ali apenas para encabeçar as cenas de ação do filme. Contudo, entre esses personagens temos um andróide chamado David, que por sinal é muito bem interpretado por Michael Fassbender (esse que vive um período ótimo em sua carreira principalmente por seus últimos trabalhos em “Shame”, “X-Men Primeira Classe” e agora “Prometheus”), que nos leva à monotonia vivida por ele dentro da nave Prometheus, já que ele é uma espécie de guardião supervisiona os tripulantes enquanto esses viajam em estado de hibernação. Contudo David está ali por motivos desconhecidos. Desde o início percebemos que ele não é apenas um empregado robótico à espera da chegada ao destino, e sim um possível  traidor ou vilão em potencial. Dentre a tripulação também temos a chefe Meredith Vickers (interpretada por Charlize Theron) que está tão inespressiva nesse papel que mais parece Kristen Stewart vivendo Branca de Neve, contudo a inexpressão de Theron é proposital, pois a personagem é uma pessoa fria, severa e com propósitos não muito claros. De resto apenas uma curta participação de Guy Pearce que usa uma maquiágem “fail” feita por algum maquiador estagiário, contudo o velhinho Peter Weyland, financiador da expedição, rouba a atenção em suas aparições.

 

Com os personagens devidamente apresentados e as questões que o filme propunha responder em andamento, o filme parte para um momento mais movimentado, onde aqueles 17 tripulantes percebem que não estão apenas em uma missão exploratória e sim em um evento maior do que eles estavam preparados. Nesse momento o filme deixa claro o paradoxo que vive a personagem de Rapace que ao mesmo tempo sendo uma cristã, se vê à frente de conhecimentos que podem quebrar tudo aquilo que a religião pregou até hoje. Além disso ela se mostra ser nesse filme aquila heroína que Sigourney Weaver foi para o filme Alien.

 

Prometheus é um filme que segue uma fórmula batida, a extrutura é a mesma de diversos filmes, contudo Ridley Scott se mostra um diretor mais maduro que sabe o que está fazendo, que sabe levantar os questionamentos e, se necessário naquele momento, responde-los. O filme de duas horas faz com que o espectador queira mais, queira descobrir mais, queira ver mais aquele mundo sombrío que a nave alienígena esconde. Antes de escrever essa crítica voltei ao filme Alien, pois já havia assistido há algum tempo, e quis descobrir mais sobre o universo ali construido. Prometheus me fez ir buscar entender mais a idéia sobre o personagem título, e acabei caindo infelizmente em continuações de caráter puramente financeiro, que são completamente desnecessários comparados à história original, apenas faz um repeteco. Podemos dizer que Prometheus é um mote para conquistar novas gerações, mas é um filme inteligente, com cenas e história que fazem valer a pena o dinheiro gasto na bilheteria. Eu me senti vendo a volta daqueles clássicos verdadeiros do gênero, como alguém assistindo “Star Wars – Uma Nova Esperança” em 1977 e esperando ansiosamente para saber as respostas das lacunas (que são muitas) deixadas. Uma das cenas finais onde a personagem fala “agora vou continuar minha busca” nos remete muito a um “aguarde cenas do próximo episódio”, e é isso que o filme tem de melhor, monta em cima de uma estrutura batida uma ansiedade para um descobrimento futuro.

 

Li muito por aí que o filme possui enigmas bobos e que decepciona quanto ao desenvolvimento do tema principal, e eu concordo, pois o filme nasceu para ser isso, não nasceu para gerar um questionamento com a realidade ou religião e astrologia, ele está lá para te contar numa história, viver aquilo que pode muito bem ser tratado como um “apenas um sonho”.

 

Antes de terminar algumas considerações: vale apena destacar a cena de parto que tem no filme, ela é simplesmente incrível, é provocadora e gera reações diversas na platéia. Os efeitos visuais estão incríveis, perfeitamente equilibrados, sem exageros e perfeitamente executados. As cenas com “particulas”, incluindo o flashback da protagonista que mostra bem fragmentada na tela, são ao meu ver dispensáveis (apensar de ser uma característica do diretor) e geram um desconforto que nunca senti antes no cinema, e no Imax essa sensação se torna ainda pior. Apesar de muitas cenas bacanas no 3D, ele é dispensável, o filme nos dá duas horas de diversão sozinho, sem a necessidade de jogar objetos na sua cara.

 

Prometheus é um ótimo filme, aguardo ansioso por sua continuação e torço que Ridley Scott consiga manter uma nova franquia com a mesma qualidade que fez esse (e pelo amor de Deus, não deixem James Cameron e nem David Fincher chegarem perto).