Questão de Tempo | Crítica do Filme

Questão de Tempo | Crítica do Filme

 
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Um jovem com a habilidade de viajar no tempo se dá conta de que seu dom não o impede te enfrentar os mesmos problemas dos jovens comuns.

 

Estréia: 20 de dezembro de 2013

 

 

 

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O que faz de O Diário de Bridget Jones, Simplesmente Amor, Um Lugar Chamado Notthing Hill, Quatro Casamentos e um Funeral filmes de um grande sucesso, é muito mais do que uma comédia romântica água com açúcar. O que esses tem em comum, além claro de ter por trás Richard Curtis, é que são histórias simples, do dia a dia. Eles falam da sua vizinha, da sua prima, do seu irmão, talvez até de você mesmo. O que faz de Questão de Tempo muito mais interessante que os filmes anteriores de Curtis é a necessidade que cada um carrega de querer ter uma segunda chance na vida, de tomar novos rumos.

 

Dessa vez, temos Tim (Domhnall Gleeson), um rapaz, sem sal, sem graça, muito magro, muito ruivo. Com uma típica família do interior, Tim se vê aos 21 anos apenas vivenciando amores platônicos e sem sucesso. Vive com seu pai, um cara sossegado, que sempre está lendo calmamente seus livros, sua estranha mãe que é apresentada apenas como uma mulher excêntrica, sua irmã que nunca se encontra na vida e seu tio com problemas de memória. Certo dia, Tim descobre através de seu pai que todos os homens de sua família possuem um poder de viajar no tempo. Basta se concentrar no momento em que já viveu para poder voltar e mudar. Tal habilidade fez do rapaz um sujeito mais confiante, já que se cometesse alguma gafe, poderia voltar para refaze-la quantas vezes for necessário.

 

A partir desse momento, o filme leva o espectador acreditar que as duas horas de projeção tratará unicamente de encontros e desencontros temporais do rapaz e sua amada Mary (Rachel McAdams). Porém o longa nos leva muito mais para os problemas que as viagens do tempo causam do que propriamente a história de amor entre os dois. Essa optativa poderia ter sido um tiro no pé, pois o dilema do protagonista é rapidamente resolvido com seus poderes e novos plots da história são desenvolvidos no meio do filme. Poderia ter sido completamente prejudicial, porém transformou a trama muito mais intrigante.

 

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Richard Curtis mais uma vez adiciona no longa uma trilha sonora marcante que fará em um breve futuro o filme facilmente ser reconhecido por sua seleção musical. A sequência em uma estação de trem é tão impactante quanto a cena de Hugh Grant vendo o tempo passar em um plano sequência único em Um Lugar Chamado Notthing Hill.

 

Na direção de arte, algo que me chamou muito a atenção foi a intensidade que a cor roxa foi usada no filme. Uma cor que assim como as decisões do protagonista, é uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que significa prosperidade, magia e realeza, por um outro lado é também uma cor que está muito associada à morte. Algo que dentro do filme faz um sentido único.

 

Dentre os clichês mais conhecidos do cinema é o uso do vermelho como representatividade de perda, e assim como pode já ser visto no cartaz, Mary, a mocinha do filme está ali incitando que alguém irá partir. Entretanto a forma que isso se dá é tão paradoxal que chega dá à conclusão do filme momentos de reflexão sobre a vida e sobre o tempo gasto com pequenas preocupações.

 

Questão de Tempo é um filme que tinha de tudo para ser mais um dentre tantos bons filmes de comédia romântica, porém com a interessantíssima opção de se trabalhar em cima de viagens temporais, transformou a comédia em um excelente drama cotidiano que irá fazer multidões assistir a própria história mais uma vez nos cinemas.