Rampage: Destruição Total | Crítica do Filme

Rampage: Destruição Total | Crítica do Filme

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Sinopse:
Davis Okoye  é um primatologista (Dwayne Johnson), um homem recluso que compartilha um vínculo inabalável com George, um gorila muito inteligente que está sob seus cuidados desde o nascimento. Quando um experimento genético desonesto é feito em um grupo de predadores que inclui o primata, os animais se transformam em monstros que destroem tudo em seu caminho. Agora Okoye tenta conseguir um antídoto e impedir que seu amigo provoque uma catástrofe global.
Diretor: Brad PeytonElenco: Dwayne “The Rock” Johnson, Naomi Harris, Malin Akerman, Jeffrey Dean Morgan, Jake Lacy, Joe Manganiello, P.J. Byrne, Marley Shelton

Data de estreia:
12 de Abril de 2018

Um dos tópicos mais interessantes, discutidos atualmente dentro de Hollywood, gira em torno da falta de verdadeiras “estrelas” do cinema, capazes de gerarem grandes bilheterias em qualquer projeto que estrelem. Tom Cruise, por exemplo, ainda luta contra esta decadência. Jennifer Lawrence por outro lado, começa à sentir tais efeitos. Mas não há dúvidas de que a maior “estrela” destes últimos tempos é o ex-lutador de luta livre, Dwayne “The Rock” Johnson, que chega aos cinemas mais uma vez, estrelando Rampage: Destruição Total”. 

Adaptação de um antigo videogame dos anos 80, Rampage: Destruição Total aborda o material original com mais liberdade criativa do que a maioria das adaptações que já chegaram à tela grande no passado, uma vez que o jogo não possui muito desenvolvimento narrativo e basicamente gira em torno de animais gigantes destruindo prédios. Tal liberdade criativa é usada com moderação no filme de Brad Peyton, que prefere manter o foco nas sempre excitantes destruições de grande escala.

O filme deixa clara, a sua intenção de seguir o modelo dos corriqueiros “Filmes B”, como são chamados os filmes de baixo orçamento que apresentam ficções quase científicas, monstros e perigos visualmente apelativos e computação gráfica mal produzida. O gênero sempre colocou a “diversão” acima de qualquer atenção à técnica ou qualquer memorabilidade que não venha de aspectos visuais absurdos. Aqui, Brad Peyton produziu uma versão mais leve de um “Filme B”, com orçamento de “Filme A”.

A inverossimilhança que permeia tais filmes também serve os mesmos propósitos emRampage: Destruição Total, com diversas cenas onde o espectador se pega admirando animais gigantes arremessando helicópteros e perfurando prédios inteiros. Tudo com uma alta capacidade de produção que, em sua maioria, não deixa a desejar.

Mas para conquistar tal orçamento, seria impossível não abrir espaço para um certo desenvolvimento de personagens e uma trama minimamente engajante. No que diz respeito aos personagens, há uma certa dispersão conforme o filme avança. Certos personagens são apresentados apenas para serem rapidamente descartados na cena seguinte (seja por cenas ação, ou apenas por não terem mais nenhum propósito na história) , alterando dinâmicas que vinham sendo construídas até então sem nenhuma justificativa. É uma comodidade do roteiro que espera passar sem ser percebida em meio à trama.

A trama, no entanto, também não apresenta muita consistência na maneira como os eventos se relacionam entre si. O filme vai apenas seguindo seu caminho, mesclando cenas de ação e diálogos expositivos até chegar ao seu esperado clímax. Constantemente consciente de sua proposta,Rampage: Destruição Total procura amenizar seus absurdos com auto-observações sarcásticas que parecem deixar o público mais a vontade com o descompromisso da história.

E como costumo dizer, uma vez que o filme estabelece sua proposta, ele deve ser observado e criticado de acordo com o contexto em que pretende se encaixar, e os objetivos ao seu alcance. O filme de Brad Peyton se apresenta como um “Filme B” de primeira linha, mas não se dedica o suficiente à construção para validá-lo além de seu gênero, ou abraça suas referências com a confiança necessária para tornar a experiência ainda mais irreverente. Um destaque, no entanto, deve ser dado à trilha sonora de Andrew Lockington, capaz de complementar os sentimentos de urgência e emoção que o roteiro apenas esboça.

Quanto à “estrela” em questão, The Rock ainda demonstra que seu carisma, charme, aptidão física e “timing” cômico constituem uma cmbinação que qualquer estúdio poderia cobiçar em um ator ou atriz principal para qualquer projeto. Se assemelhando cada vez mais às “estrelas” de outras eras, o ator continua sua escalada sem muitos sinais de desgaste.

Em Rampage: Destruição Total, Brad Peyton entrega o quê promete com sinceridade, mas falta-lhe ambição (ou talvez, experiência) para alcançar o completo potencial de seus filmes descompromissados. Todos que entrarem na sala de cinema com expectativas moderadas, no entanto, devem encontrar o escapismo esperado.