Rei Arthur: A Lenda da Espada | Crítica do Filme

Rei Arthur: A Lenda da Espada | Crítica do Filme

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Sinopse:
Quando o pai do jovem Arthur é assassinado, Vortigern, seu tio, se apodera da coroa. Sem ter o que é seu por direito de nascimento e sem ideia de quem realmente é, Arthur cresce do jeito mais difícil nos becos da cidade. Mas, assim que ele remove a espada da pedra, sua vida muda completamente e ele é forçado a descobrir seu verdadeiro legado… goste ou não.Diretor:

Guy Ritchie

Elenco: 

Charlie Hunnam, Astrid Bergès-Frisbey, Djimon Hounsou, Aidan Gillen, Jude Law e Eric Bana.

Estréia: 

18 de maio de 2017

O novo filme de Guy Ritchie pode não ter muito a ver com a lenda original, mas isso não deveria impedir os fanáticos por filmes de ação de conferirem “Rei Arthur: A Lenda da Espada“, ou como eu prefiro chamá-lo: Medievais e Furiosos.

Eis aqui o típico filme difícil de ser avaliado pela crítica. Guy Ritchie não tem a melhor relação com os críticos em geral (nenhum filme do diretor passou dos 70% no Rotten Tomatoes desde “Snatch”), mas isso não costuma impedir que o público aproveite muitos de seus filmes, chegando até a criar uma leal base de fãs.

Existe muito a ser aproveitado por aqui, por diversos grupos diferentes. Gosta do estilo frenético de Guy Ritchie? Estará bem servido. É fã de videogames? As semelhanças são gritantes. Se interessa por mundos fantasiosos ao estilo RPG? Nem precisa pensar duas vezes…

Mas ao mesmo tempo, um olhar mais crítico e analista poderá encontrar uma longa lista de coisas para não gostar. Como avaliar a atuação de Charlie Hunnam no papel principal? Embora o ator entregue uma performance muito bem adequada ao estilo do diretor, e seu carisma seja evidente, é difícil diferenciar a sua interpretação de “Arthur” de seu outro icônico papel: “Jax” da série Sons of Anarchy (a não ser, é claro, pelo sotaque).

A edição pode ser bem representativa dessa divisão entre público e crítica. Guy Ritchie emprega suas conhecidas técnicas de montagem, trazendo diversas cenas não-lineares e takes agitados que as vezes ajudam a construir o clima da história, mas também podem parecer um tanto incoerentes em certos momentos.

É um filme que entra no mesmo patamar de filmes de ação como “Transformers” e “Velozes e Furiosos”. Muitos efeitos visuais e elementos de jogos medievais ajudam a entreter o espectador ao longo da história, mas não há como negar que tudo que temos aqui é um roteiro fraco muito bem enfeitado.

O filme não quer te dar tempo pra pensar em nada do que está acontecendo, e a trilha vem muito a calhar neste objetivo. Característica dos filmes do diretor, as músicas são bem agitadas e passam aquela sensação das gangues correndo por entre os becos de Londres.

A personagem que carinhosamente apelidei de “Deus Ex Maga” é um dos exemplos dessa fraqueza. Quando o personagem principal se envolve em alguma situação que parece sem saída, não é ele que resolve os problemas, e sim a magia toda-poderosa de sua guia. Não é algo que contribui para a construção do personagem e acaba trazendo um sentimento de frustração.

Por outro lado, aqueles que buscam personagens realmente poderosos no cinema estarão bem satisfeitos ao assistir Arthur arrebentando uma legião de soldados com golpes da Excalibur. Essa é possivelmente a versão mais forte já retratada da famosa espada, e mais uma vez os videogames vem à mente conforme o filme vai caminhando para o final.

Aos fãs de filmes do gênero, Guy Ritchie entregou um bom começo de franquia, apresentando personagens secundários interessantes e criando uma boa dinâmica para ser explorada no futuro. Tecnicamente falando, Rei Arthur: A Lenda da Espada ainda vai dividir opiniões por um bom tempo, e não deve agradar ao público que procura pelo próximo filme de fantasia que será indicado ao Oscar