Roda Gigante | Crítica do FIlme

Roda Gigante | Crítica do FIlme

 

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Sinopse:

A atriz Ginny (Kate Winslet), casada com Humpty  (James Belushi), acaba se apaixonando pelo salva-vidas Mickey (Justin Timberlake). Mas quando sua enteada, Carolina (Juno Temple), também cai de amores pelo rei da praia, as duas começam uma forte concorrência.

Diretor:

Woody Allen

Elenco:

Kate Winslet, Jim Belushi, Juno TempleJustin Timberlake.

Data de estreia:

28 de dezembro de 2017

Woody Allen retorna às telas para mais uma de suas obras sobre problemas simplistas, e embora seu estilo venha se tornando um tanto menos distinto, “Roda Gigante” traz uma ótima execução apoiada em uma excelente atuação de Kate Winslet.

O novo filme do estimado diretor se passa durante a década de 50, acompanhando uma mulher de meia idade, infeliz em seu segundo casamento, que acaba desenvolvendo sentimentos pelo atraente salva-vidas (Justin Timberlake). A situação se torna ainda mais díficil de lidar, uma vez que a filha de seu marido retorna para casa após ter fugido de seu casamento com um chefe mafioso, cujos capangas agora a perseguem.

Roda Gigante aproveita suas locações em um parque temático para trazer uma estética mais colorida e vibrante à trama. As cenas são trabalhadas com excelente técnica, orquestrando para que a iluminação da cena reflita o tom e as reviravoltas de cada conversa. A movimentação de câmera é também um ótimo exemplo de como Woody Allen escolhe construir interação entre os personagens, e permite que as atuações sejam colocadas em destaque.

O filme transparece a habilidade e a experiência de Woody Allen como diretor, trazendo a sensação de que toda a construção de cada cena é feita com muita naturalidade e sutileza, mas sempre com a intenções bem expostas.

O personagem de Justin Timberlake também serve como narrador da história, e proporciona diversos momentos interessantes ( como diversas quebras da quarta parede) onde podemos enxergar a narrativa pelos olhos de um escritor empolgado, um artista que enxerga o mundo à sua volta como um grande parque de diversões, repleto de experiências à serem descobertas. Este é um ótimo constraste para a personagem principal.

A frustrada personagem de Kate Winslet é responsável por entregar diversos momentos interessante ao longo do filme. Sua visão pessimista e o cansaço da rotina são elementos que acabam trazendo uma empatia questionável com o espectador, e seguram a atenção do público apesar do filme trazer uma narrativa demasiadamente lenta para o público mais casual.

O filme se assemelha muito à uma peça de teatro. Cenas contidas, com diálogos extensos e uma coreografia sutil lembram, por exemplo, o indicado ao Oscar do ano passado, Um Limite Entre Nós”. 

O ritmo do filme, embora seja auxiliado por quadros chamativos aqui e ali, pode acabar cansando aqueles que não se apegarem aos dilemas enfrentados pela protagonista. Embora o filho que tem uma mania de por fogo em qualquer lugar que esteja seja um ótimo alívio cômico para a história, ainda assim é díficil lidar com algumas expectativas construídas pelo filme que acabam sendo frustradas ao final. As resoluções não traem a proposta da história, mas também não são colocadas de maneira muito conclusiva.

Sutileza, trama focada, narrativa arrastada porém auxiliada por uma estética atrativa.“Roda Gigante” mostra que Woody Allen permanece como um dos ótimos diretores que temos hoje em dia na indústria, mas não traz a mesma inventividade e inovação que já vimos em suas obras anteriores. Sua semelhança ao teatro também deve afastar a maior parte do público. É um filme bem feito, que deve agradar um público cativo, e aparentemente isso tudo que importa hoje em dia para o diretor.