Se Beber, Não Case – Parte III | Crítica do filme

nota3.5Se-Beber-Não-Case-Parte-IIIÀs vezes gosto de pagar com a língua e provar do próprio veneno. Assisti hoje pela manhã o final da trilogia Se Beber, Não Case – Parte III e confesso que quando soou o primeiro acorde da trilha sonora ainda na exibição de logos dos produtores, já haviam pessoas rindo no cinema. A comédia, que foi um marco dentre os filmes de “bromance“, chega ao seu final mostrando o que deveria ter mostrado no repeteco que foi sua segunda parte, uma nova história que envolve os mesmos personagens mas que não fosse uma cópia idêntica do primeiro filme. Em questão de originalidade, ótimo, mas em questão de contexto título-filme, não sei ainda se realmente me saciou.  Tirar o fator etílico do filme realmente era o que eu queria ver?

Na trama, que conseguiu resgatar pontas soltas deixadas no primeiro filme, temos um foco grande no personagem Alan (Zach Galifianakis) que querendo aceitar, ou não, é o que mantém as melhores piadas dentro dos três filmes. Sempre realizando os maiores absurdos em sua vida e deixando tais atos refletirem em seus amigos e familiares, esses buscam convencer o “jovem”de 42 anos que ainda é sustentado pelos pais, a procurar uma clínica que o ajude se socializar melhor com as pessoas. Quando tudo parece estar caminhando para uma resolução na vida do ovelha negra da família, um antigo amigo dos 4 rapazes ressurge em suas vidas de uma forma na qual os fará revisitar lugares nos quais eles prometeram nunca mais pisar.

A história, consegue resgatar elementos sutis dos filmes anteriores, poderia  muito bem poderia ser representada por novos personagens. Cenas icônicas que tivemos nos dois primeiros filmes não existem nessa sequência. A ausência de Mike Tyson, a ausência das fotos nos créditos, a ausência da cena que desencadeara uma série de descobertas enquanto os rapazes se curam da ressaca, elementos que foram os responsáveis do sucesso do primeiro filme da franquia, não existem na nova película principal. Porém misturar alguns elementos de filmes policiais, a inclusão de John Goodman como um grande chefe de máfia e incluir uma nova personagem, mesmo que modestamente,  fazem com que a franquia ganhe pontos em originalidade e traga um sentimento do público de “querer mais disso”.

Comédia é um gênero muito gratificante de se assistir, ainda mais quando existe um exagero que possa ser refletido na realidade. Quem não tem aquele amigo sem noção capaz de fazer de tudo por uma grande despedida de solteiro? Quem não conhece pessoas que planejam aquela viagem à Las Vegas querendo fazer coisas que jamais fariam na sua vida rotineira e soltar a famosa frase “o que acontece em Vegas, fica em Vegas”? O que fez desses três filmes interessantes é o fato de podemos nos ver neles, torcer para que aquele imprudente grupo tentando arrumar as besteiras que fizeram na noite interior vença e que tudo termine bem.

Como disse no começo, a expectativa por Se Beber, Não Case Parte III é tão grande perante o público que uma simples trilha sonora foi capaz de desencadear risadas. O humor consegue está implícito em pequenos detalhes de edição do filme, incluindo uma mudança repentina de uma trilha de fuga para uma escrachada trilha sonora dos anos 90. Apesar de menos situações engraçadas, o filme balanceou muito bem o arco dramático da trama com o humor, sem cair na galhofada. A existência de um personagem que visivelmente precisa tratamento psicológico colabora para que as situações de exagero sejam aceitáveis.

Se Beber, Não Case – Parte III pode não ser o melhor dos 3, porém consegue trazer aos personagens uma trama original com uma história de verdade a ser contada. Duvido que esse seja de fato o último filme, afinal com uma cena no meio dos créditos tão intensa e divertida, o diretor Todd Phillips precisa agraciar seus fãs com mais do mesmo, independente que seja a mesma história, mesmas situações e mesmas piadas, porém contadas de formas diferentes… afinal quem nunca riu da mesma piada para não deixar um amigo sem graça?




 

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Rodrigo Santuci

Publicitário por profissão e cinéfilo por paixão. É o fundador do site Plugou. Apaixonado por cinema desde pequeno, nunca se incomodou em passar horas sozinho tentando entender como os filmes funcionam. Apaixonado por quadrinhos e games apesar de ter abandonado os dois com os passar dos anos. Tem dificuldade para jogar qualquer coisa mais complexa que Alex Kidd in Miracle World. Trabalha com Internet desde 1999 e já foi diretor de arte nas maiores agências de publicidade da Brasil. Em 2000 abriu junto com o jornalista Matheus Mocelin Carvalho e o ilustrador Fernando Ventura o Disney News e o AnimationS fórum (um dos principais canais de comunicação entre admiradores de cinema de animação). Em abril de 2012 começou o projeto Plugou e se dedica diariamente encontrar novos diferenciais para o portal.